EUA inicia saída da OMS, mas Joe Biden diz que volta à agência da ONU se for eleito

O governo de Donald Trump iniciou nesta terça-feira (8) a retirada formal dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS), cumprindo as ameaças que fez em várias ocasiões ao criticar a entidade por sua resposta à pandemia de coronavírus. O candidato democrata à presidência dos EUA, Joe Biden, disse que a medida será imediatamente revogada caso ele ganhe as eleições.

Os Estados Unidos são o maior doador da OMS, uma organização que lidera o combate global contra doenças como poliomielite, sarampo e contra epidemias de saúde mental. A decisão de Trump de deixar a agência com sede em Genebra gerou uma onda de críticas.

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Trump acusou a OMS de encobrir a magnitude da pandemia de coronavírus e disse que as posições da organização estão muito próximas das da China, onde o vírus foi detectado pela primeira vez em dezembro. Ele também responsabiliza o país asiático pela disseminação da doença.

Após várias ameaças de Trump de suspender contribuições da ordem de US$ 400 milhões por ano, o presidente dos EUA finalmente notificou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, de que Washington começa a saída do organismo, informou um porta-voz do Departamento de Estado.

O diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, respondeu com um Twitter com a palavra “Juntos!” e um link para uma discussão com especialistas norte-americanos sobre como a saída do país do órgão global poderá dificultar os esforços para evitar futuras pandemias.

Joe Biden promete reverter decisão
A saída total dos Estados Unidos entraria em vigor dentro um ano – 6 de julho de 2021 -, mas Joe Biden, rival democrata de Trump na disputa eleitoral de novembro, afirmou que se vencer, ele reverterá imediatamente a decisão.

“Os norte-americanos estão mais seguros quando os Estados Unidos se comprometem a fortalecer a saúde global. No meu primeiro dia como presidente, voltarei a @WHO (OMS) e restaurarei nossa liderança no cenário mundial”, escreveu Biden no Twitter.

A carta de notificação foi enviada depois que Trump anunciou, em 29 de março, que os EUA estavam deixando a organização por causa de diferenças de tratamento em relação à China, alegando que Pequim tinha “controle total” da organização.

Muitos críticos do presidente afirmaram que o anúncio se trata de uma distração para a opinião pública em relação à gestão da pandemia no território norte-americano. Os Estados Unidos são o país com maior número de mortes por coronavírus, com mais de 130.306 vítimas e enfrentando um aumento de infecções no sul e oeste do país.

Possível transmissão aérea do vírus
A medida chega no mesmo momento em que a OMS alertou para a crescente evidência de uma possível transmissão aérea do vírus, que deixou mais de 539.620 mortos em todo o mundo.

“Isso não vai proteger a vida ou os interesses dos norte-americanos, que acabam doentes e solitários”, disse o senador democrata Bob Menendez, que considerou resposta de Trump à pandemia como caótica e irresponsável.

O representante democrata Ami Bera, que é médico, disse que os Estados Unidos trabalharam de mãos dadas com a OMS para erradicar a varíola e conseguiram quase acabar com a pólio.

“Os casos estão aumentando”, denunciou o legislador, referindo-se ao coronavírus nos EUA. “Se a OMS é culpada, por que os Estados Unidos estão ficando para trás de países como Coreia do Sul, Nova Zelândia, Vietnã e Alemanha quando se trata de voltar ao normal?”, questionou Bera.

Trump culpa China
Até alguns aliados republicanos de Trump expressaram expectativas de que o presidente não tomasse a decisão final de deixar a organização.

O governo Trump disse que a OMS ignorou os primeiros sinais de transmissão entre humanos do novo coronavírus, apesar, inclusive, de avisos feitos por Taiwan, que não faz parte do órgão da ONU por pressão de Pequim.

Várias autoridades de saúde que também criticam a gestão da OMS, no entanto, argumentam que a organização não tinha outra opção além de trabalhar com a China em uma situação de emergência.

Por RFI