“Erramos” vira autocrítica no Twitter

Uma singela pergunta do ex-senador Cristovam Buarque (Cidadania-DF), nesta quarta-feira (8), foi o suficiente para inundar o Twitter com as mais diversas teorias.

Apontado como um dos golpistas, que votou pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016, por óbvio, Cristovam foi apontado como um dos principais responsáveis pelo “erro” atual chamado Jair Bolsonaro.

“Querido, se você que participou do golpe de 2016 ainda está procurando o erro…. Aconselho se olhar no espelho. Você é parte integrante do erro”, escreveu no Twitter Vanessa Carvalho.

“Erramos quando elegemos um fascista despreparado por pura ignorância e preconceito disfarçados de patriotismo”, completou Nara, em outro tuíte.

Conta a lenda que o então senador Cristovam Buarque, na véspera da votação do impeachment, procurou Dilma. Após encontro, o parlamentar sentiu-se “desprestigiado” e mudou o voto no plenário do Senado –favorável ao golpe.

“Erramos? Não amiguinhos, VOCÊS !!!”, reagiu mais um internauta com o perfil “Laranja Podre”. “Erramos NÃO?? Vc errou !!”, continuou João Mikhail.

Jojô Pancada não perdoou o ex-senador ao afirmar que golpista quando conjuga verbo é “eu acertei” e “nós erramos”.

Mas dentre as milhares de manifestações contra o ex-senador do DF também houve autocríticas, sobretudo em relação a eleitores do presidente Bolsonaro. Muitos atribuíram com segurança o “erro” na derrota do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, na eleição presidencial de 2018.

Moral da história: Cristovam Buarque perguntou o que quis, mas ouviu o que não queria ouvir.

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Bolsonaro estuda o jornalista Oswaldo Eustáquio para o Ministério da Educação

Publicado em 8 julho, 2020

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) botou na cabeça dois mantras: 1- não é preciso ser educador para tocar o Ministério da Educação (MEC) e 2- o método Paulo Freire não deu conta de alfabetizar e, por isso, o País é um dos últimos no ranking mundial do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos).

O presidente também costuma estender esse conceito para a Saúde. Ontem (7), por exemplo, enquanto anunciava que estava com a Covid-19, Bolsonaro disse que não era preciso ser médico para ocupar o Ministério da Saúde. Ele citou o senador José Serra (PSDB-SP), que ocupou a pasta no governo FHC.

A Educação é uma área conflagrada por excelência e Bolsonaro escolheu ela para iniciar uma “revolução cultural” e “ideológica” para afastar os “marxistas” de escolas, universidades e das instâncias decisões do MEC. Até agora, três quadros do olavismo sucumbiram diante da tarefa, os ex-ministros Ricardo Vélez Rodríguez, Abraham Weintraub e Carlos Decotelli –que não teve tempo sequer de confeccionar o crachá.

Dito isso, o nome do jornalista Oswaldo Eustáquio vem a calhar para o bolsonarismo. Ele é considerado “herói” naquela porção fundamentalista do governo e é um discípulo do guru Olavo de Carvalho. Esteve “preso político” assim como Sara Winter, em decorrência do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal (STF), com base na Lei de Segurança Nacional.

É aí que entra o ministro da Justiça, André Mendonça, ao anunciar que pedirá o enquadramento do jornalista Helio Schwartsman, da Folha, que escreveu estar torcendo pela morte do presidente Jair Bolsonaro.

Pela lógica do Palácio do Planalto, se houve ódio de Eustáquio e Sara contra o STF, logo houve ódio de Schwartsman contra o chefe do poder executivo passível de tipificação na LSN.

Eustáquio é “terrivelmente evangélico”, como chegou a classificar certa feita Bolsonaro ao adiantar o perfil de seu indicado para ministro do Supremo na vaga de Celso de Mello.

Além do jornalista Oswaldo Eustáquio, que serviu como assessor no ministério de Damares Alves (Direitos Humanos), o presidente Jair Bolsonaro ainda avalia três nomes ligados aos neopetencostais, quais sejam: o pastor Milton Ribeiro, ex-vice-reitor do Mackenzie em São Paulo; o professor da Unb (Universidade de Brasília) Ricardo Caldas; e o reitor do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Anderson Correia.

Corre ainda por fora a olavista Ilona Becskeházy, atual secretária de Educação Básica do MEC. Ela é mestre (PUC-RJ) e doutora (FEUSP) em política educacional, militante pela educação de qualidade para todos os brasileiros.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Major Vitor Hugo (PSL-GO), embora com menor chance, tem a simpatia de parte dos bolsonaristas e forte oposição no governo.

Quem é Oswaldo Eustáquio

Eustáquio foi preso no último dia 26 de junho, em Campo Grande (MS), no âmbito do inquérito das fake news do STF. Mas ele foi solto no dia 5 de julho, com restrições.

Além dos ataques ao Supremo, que lhe renderam 10 dias de prisão, o jornalista coleciona um rol de desafetos nesses meses de governo Bolsonaro:

  • Glenn Greenwald, jornalista cofundador do site The Intercept Brasil
  • Jean Wyllys, ex-deputado federal (PSOL-RJ)
  • Joice Hasselman, deputada federal (PSL-SP), ex-líder do governo no Congresso
  • Felipe Neto, youtuber e influenciador digital
  • Sergio Moro, ex-ministro e ex-juiz da Lava Jato
  • Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde
  • João Doria, governador de São Paulo (PSDB)

Como se vê, dentro das lógicas olavista e bolsonarista,o jornalista Oswaldo Eustáquio reúne as “melhores condições” para assumir o MEC.