Brasil chega a 70 mil mortos pela Covid-19 e ‘quartel’ da Saúde abandona pesquisa sobre a doença

O ministério da Saúde, transformado num verdadeiro quartel pelo governo Bolsonaro, está sem ministro efetivo há quase dois meses. Isso na maior pandemia já enfrentada pelo País.

O ministro interino, general Eduardo Pazuello, era um militar da ativa e foi para a reserva há poucos dias. Sua especialidade é logística. Além dele, a maioria dos cargos importantes da pasta é ocupada por militares.

O Brasil deve atingir nesta sexta-feira (10) a triste marca de 70 mil mortos pelas contas do próprio ‘quartel’ (ministério) da Saúde. E é neste cenário macabro que o governo abandona a EpiCovid-19 BR, a principal pesquisa sobre a evolução da pandemia, que vem aferindo a prevalência do novo Coronavírus no Brasil desde maio.

O próprio governo enalteceu o trabalho dos pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), que atestaram o crescimento exponencial da epidemia no país para além dos números oficiais, mas não há ações indicando que a pesquisa será continuada.

A quarta fase da EpiCovid-19 começaria nesta quinta-feira e, sem a continuidade, os prazos metodológicos ficarão prejudicados.

Na avaliação do reitor da Ufpel, o epidemiologista Pedro Hallal, que lidera o projeto EpiCovid-19 BR, a não renovação dos trabalhos colocará o Brasil em um voo às cegas e prejudicará diversas frentes de pesquisa que poderiam se alimentar da fonte do levantamento, conduzido pelo Ibope em 133 cidades espalhadas pelo território nacional.

A EpiCovid-19 foi aprovada ainda na gestão de Luiz Henrique Mandetta na Saúde. Foram testadas e entrevistadas 89.397 pessoas até agora.

Em nota, o ministério informou que “dará continuidade a estudos de inquérito epidemiológico de prevalência de soropositividade na população”, mas que “ainda não está definido se será a continuação do EpiCovid-19, pela UFPel, ou por outra instituição, ou PNAD Covid, pelo IBGE. Uma alternativa em estudo é utilizar ambas as estratégias”.

“O Ministério da Saúde esclarece ainda que, conforme estava previsto no Termo de Execução Descentralizada firmado com a UFPel, as três etapas previstas da pesquisa EpiCovid-19 foram executadas. E reforça que o Ministério da Saúde não tem restrições ideológicas e dialoga com diversos atores de variadas instituições de ensino e pesquisa que trabalham em prol do Sistema Único de Saúde”, conclui o comunicado.

Apesar do que diz o ministério quartel, a realidade aponta que a EpiCovid-19 será abandonada.

A possível interrupção da pesquisa Epicovid pelo Ministério da Saúde levou o ex-ministro da Saúde e deputado. Alexandre Padilha (PT-SP), a apresentar um requerimento ao Tribunal de Contas da União, solicitando que a pesquisa seja mantida pela relevância e também pelo valor que já foi investido: R$ 12 milhões.

O líder do Cidadania na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (SP), protocolou um requerimento em que solicita ao ministro interino Eduardo Pazuello que mantenha a pesquisa, alegando que os dados ajudam a guiar as políticas públicas de manejo da pandemia.

Com informações da Folha e do Globo.

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PT promete sacudir o Brasil nesta sexta com o movimento Fora Bolsonaro

O PT promete sacudir o País nesta sexta-feira, 10 de julho,  no Dia Nacional de Mobilização Fora Bolsonaro contra a permanência de Jair Bolsonaro à frente da Presidência da República.

O Partido dos Trabalhadores, como não poderia ser diferente, participa ativamente desse movimento de protesto da sociedade, que decidiu empunhar a bandeira do ‘Fora Bolsonaro’ e reforçar o grito popular pelo Impeachment Já.

A direção nacional do PT mobiliza os seus milhares de militantes e de dirigentes em todo o país para que se unam às centenas de organizações da sociedade civil, às frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, centrais sindicais e aos partidos de oposição para tomarem as ruas e expressarem a sua insatisfação com o desgoverno de Bolsonaro.

Em nota divulgada esta semana pela presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffman, e pelo secretário-geral Paulo Teixeira, o PT faz um chamamento à mobilização da militância petista: “Torna-se urgente reunirmos as organizações políticas e entidade sociais que estão comprometidas com a democracia para estabelecermos iniciativas conjuntas na defesa do nosso país e dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras”.

O PT pretende também mobilizar a sociedade civil para aumentar a pressão popular, levando o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), a aceitar um dos 40 pedidos de impeachment que já foram apresentados ao Congresso Nacional pelo impedimento de Bolsonaro.

“Não há mais dúvidas de que há uma disposição na cúpula do Executivo Federal em avançar na retirada de direitos, ataques à soberania nacional e na promoção de medidas de fechamento do regime, através da contenção dos demais poderes, da instrumentalização para fins políticos de órgãos de inteligência, investigação e segurança e do estímulo à movimentos na sociedade civil de caráter neofascista”.

As centrais sindicais também preparam grandes atos e manifestações por todo o país. Levando-se em conta as limitações impostas pela pandemia, na sexta-feira, serão realizadas assembleias nos locais de trabalho, pela manhã, e atos simbólicos de rua.

“Vamos convencer a maioria da população brasileira que, com Bolsonaro, não dá mais”, afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre, ao fazer a convocação para a mobilização desta sexta-feira.

Estão previstas diversas ações para permitir a ampla participação dos trabalhadores e da população em geral, como a convocação para usar roupa preta, colocar um pano preto nas janelas, realização de twitaço, ações nas redes sociais e um panelaço nacional à noite.

Programação

Sexta-feira – 10 de julho – Dia Nacional de Mobilização Fora Bolsonaro

  1. Ações simbólicas nas principais cidades do Brasil denunciando a política genocida de Bolsonaro frente à pandemia.  (Exemplo: Fazer uma instalação com dezenas de cruzes em locais de grande circulação de pessoas ou em pontos turísticos dessas cidades, circundando uma faixa com a inscrição Fora Bolsonaro.
  2. Está prevista a manifestação organizada por movimentos populares em mais de 20 estados  que ocorrerão nas casas, comunidades, associações, conjuntos populares,  ocupações, favelas, bairros das periferias. A ideia é protestar em pequenos grupos respeitando as regras de isolamento social, com cartazes e apitos, simultaneamente.
  3. Neste dia também acontecerão assembleias em locais de trabalho organizadas pelo Fórum das Centrais
  4. Também acontecerá um Ato Inter-Religioso intitulado “Quem tem fé defende a vida e a democracia – Um milhão de velas – Fora, Bolsonaro.”
  5. Agitação nas redes com a hashtag #ForaBolsonaro
  6. Barulhaço nas janelas por #ForaBolsonaro, a partir das 20 horas.
  7. Intervenções simbólicas. A proposta é quem não puder participar das atividades listadas acima, possa colocar um pano preto em sua janela para simbolizar o luto pelos milhares de mortos pela Covid-19, mas ao mesmo tempo ressignificar transformando este momento em luta em defesa da vida.

Importante: Todas ações devem respeitar os cuidados sanitários e de distanciamento social.

No sábado (11) será realizada a Plenária Nacional Fora Bolsonaro, atividade  virtual que reunirá milhares de participantes de todo o país. Nesta atividade serão definidas as próximas ações da Campanha.