Bolsonaro precisa se cuidar, um presidente da República já morreu numa pandemia

Publicado em 22 julho, 2020

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) testou positivo pela terceira vez para Covid-19. Essa informação traz à memória o caso de Rodrigues Alves, o mandatário brasileiro que morreu em 1919 numa pandemia.

O então presidente Rodrigues Alves contraiu a gripe espanhola, que assolava o país no período, e morreu no dia 16 de janeiro de 1919. Ele havia sido reeleito, mas não teve tempo para iniciar o segundo mandato.

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“O presidente Jair Bolsonaro segue em boa evolução de saúde, sendo acompanhado pela equipe médica da Presidência da República. O teste realizado pelo presidente no dia de ontem, 21, apresentou resultado positivo”, comunicou o Palácio do Planalto.

Diferente do colunista da Folha, Helio Schwartsman, que disse torcer pela morte do presidente Bolsonaro. Eu torço para Bolsonaro viva para pagar pelo genocídio em curso.

Além do presidente Bolsonaro, também torço pela saúde do ministro da Economia, Paulo Guedes, bem como dos presidentes da Câmara e do Senado.

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Esses senhores, a serviço da banca financeira, estão conduzindo o “rebanho” para o abatedouro.

O ex-prefeito Fernando Haddad (PT), dia desses advertiu sobre o fato de Bolsonaro tomar vermífugo para combater o coronavírus: “Isso pode matá-lo”.

O presidente Jair Bolsonaro, negacionista militante, tem receitado a cloroquina para enfrentar a pandemia.

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Segundo a OMS, esses medicamentos exóticos têm levado muita gente para o caixão.

Eu torço pela saúde de Bolsonaro e dos asseclas do mercado financeiro.

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O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PT-PR), em artigo especial, defende o cancelamento do resultados das eleições de 2018 e a convocação de novo pleito presidencial.

Verri acusa o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de agir como inimigo de trabalhadores rurais, da agricultura familiar, e por isso pede nova eleição.

“Fora, Bolsonaro. Viva a agricultura familiar”, grita o parlamentar petista.

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Enio Verri*

A questão agrária brasileira é cruenta e muito injusta. Desde as capitanias hereditárias, os códigos legais, manuseados eminentemente pela classe dominante, perpetuam um latifúndio ostentoso e improdutivo. Eles são eternizados pelas duras garantias da lei e da ordem, com muito sangue, invariavelmente do lado dos que produzem mais de 70% dos alimentos que vão à mesa do latifundiário, inclusive. Haja vista o sacrossanto direito fundamental à propriedade, estabelecido no artigo 5º da Constituição Cidadã, de 1988, ainda que o País seja uma referência mundial em injustiça, onde a concentração fundiária é uma histórica e indecente dívida da República que, desde que implantada sob o primeiro golpe de Estado brasileiro, ainda não realizou a reforma agrária.

Os agricultores foram abandonados por Bolsonaro e Paulo Guedes, quando a comercialização dos produtos agropecuários da agricultura familiar sofreu uma queda vertiginosa, deixando-os sem condições de honrar compromissos de crédito e manter regulado o abastecimento de alimentos. Foi necessário que a bancada do Partido dos Trabalhadores chamasse a atenção do governo, por meio do PL 735/20, que garante o auxílio emergencial, acesso a financiamento e garantia de escoamento da produção diária, que não há como parar. As famílias habilitadas vão receber cumulativamente os R$ 600, pelos cinco meses de descaso do governo. As famílias monoparentais, tendo como referência adulta um homem ou uma mulher, receberão o valor em dobro.

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A Lei foi batizada de Assis Carvalho. Uma singela e justa homenagem ao humanista companheiro quem sempre esteve à frente da luta pelo acesso democrático à terra e pela valorização da agricultura familiar. Além do auxílio direto, o projeto prevê a suspensão, por um ano, de parcelas de dívidas contraídas no âmbito dos programas de aquisição de alimento e de financiamentos diretos com instituições bancárias. A medida é minimamente justa, uma vez que os produtores estão sem condições de honrar compromisso feito quando havia uma previsibilidade de pagamento. Outro ponto importante da lei é a autorização de financiamento de projetos para as famílias agricultoras, amparados numa Assistência Técnica de Extensão Rural – ATER, que tenham por objetivo prospectar água. Uma medida estratégica para manter constante a produção de alimentos. Uma lei que faz um mínimo de justiça aos trabalhadores.

*Enio Verri é economista e professor aposentado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e está deputado federal e líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados.