Augusto Aras abre fogo contra a Lava Jato durante transmissão online

Deu ruim para a força-tarefa Lava Jato. Durante uma transmissão online no site Brasil 247, o procurador-geral da República Augusto Aras bateu pesado no que ele classificou como “lavajatismo” e denunciou a existência segredos em uma “caixa preta” no Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR).

Augusto Aras disse que nesta terça-feira (27), no evento promovido pelo Grupo Prerrogativas, que é hora de ‘corrigir rumos’ para que o ‘lavajatismo não perdure’. O PGR afirmou que há outro modelo de combate à corrupção.

Para Aras, com o fim do lavajatismo, a “correção de rumos não significa redução do empenho no combate à corrupção”.

“Agora é a hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure. Mas a correção de rumos não significa redução do empenho no combate à corrupção. Contrariamente a isso, o que nós temos aqui na casa é o pensamento de buscar fortalecer a investigação científica e, acima de tudo, visando respeitar direitos e garantias fundamentais”, disse o procurador-geral da República.

A força-tarefa de São Paulo respondeu a Augusto Aras, embora o PGR tenha se dirigido à “República de Curitiba”.

O MPF-SP disse que “reitera a absoluta correção de sua atuação e que conduz seus trabalhos com base não apenas nas leis, mas também em portaria editada pelo próprio Procurador-Geral da República”.

O procurador Deltan Dallagnol, da força-tarefa em Curitiba, até o momento, não se manifestou sobre as declarações do procurador-geral da República.

O ex-juiz Sérgio Moro, no olho do furacão, também não abriu o bico acerca da fala do PGR.

Desde a semana passada, a unidade da Lava Jato na capital paranaense está sob devassa da PGR. Aras determinou busca e apreensão de dados cujos compartilhamentos foram negados à chefia da força-tarefa, no caso, o próprio PGR.

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Moro e advogado da Petrobras na mira do MP-TCU, após representação do PT

O excelente jornalista Luis Nassif, em seu jornal GGN, menciona um contrato divulgado pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) o qual aponta pagamento de R$ 3 milhões pela Petrobras a René Dotti, que hoje advoga para o também advogado Carlos Zucolotto –amigo e padrinho de casamento do ex-juiz Sérgio Moro.

Na representação, o parlamentar petista pede abertura de investigação contra Dotti que atuou como assistente de acusação da Petrobras com contrato milionário com a estatal de petróleo e, mesmo assim, advoga para personagens ligados ao mundo da Lava Jato.

“Neste caso, ainda, ficam constatados que se confundem os interesses pessoais, do ex-juiz titular da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, Sérgio Moro, de seu amigo e compadre Carlos Zucolotto Junior e do escritório de Advocacia Rene Ariel Dotti”, diz um trecho da representação.

Ou seja, Paulo Teixeira alega que há conflito de interesses da Petrobras e de integrantes da Lava Jato.

O deputado do PT pede a rescisão do contrato e a investigação de Moro e Dotti por improbidade administrativa.

Advogado da Petrobras e de membros da Lava Jato pode ser investigado pelo MP-TCU

Jornal GGN – O Tribunal de Contas da União (TCU) poderá investigar o contrato milionário entre a Petrobras e o atual advogado de Sérgio Moro, René Ariel Dotti, no final de 2014 para atuar como assistente de defesa da estatal nos casos da Lava Jato.

O contrato divulgado pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) e publicado aqui pelo GGN aponta um pagamento prévio de R$ 3 milhões em honorários, sendo destes R$ 80 mil por ação penal, quando o escritório de advocacia de René Ariel Dotti atuasse a favor da estatal como parte “interessada”, e R$ 100 mil como assistente do Ministério Público, por cada ação penal.

Hoje, o advogado, que também já protagonizou um confronto direto com a defesa do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin, durante uma das audiências da Lava Jato, foi avaliado recentemente pelo ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro para sua defesa próprio nos processos que enfrenta na Justiça.

Com as suspeitas, o deputado federal protocolou no Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU) um pedido de investigação do caso.

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No documento, Teixeira lembra que, segundo estabelece o próprio contrato da Petrobras com o escritório do criminalista, no final de 2014, as decisões de Sérgio Moro, como então juiz da Lava Jato, “tinham reflexo direto no faturamento que o referido escritório auferiu junto a Petrobras”.

Dotti também foi contratado pelo advogado Carlos Zucolotto Júnior, que foi acusado pelo advogado Rodrigo Tacla Duran de o ter extorquido em esquema de colaboração premiada entre investigadores da Lava Jato e procuradores da força-tarefa. Zucolotto contratou René Dotti para evitar a delação de Tacla Durán, que foi retomada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Neste sentido, Rene Ariel Dotti, defendendo os interesses de Carlos Zucolotto Junior, amigo e padrinho do então juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba/PR, Sergio Fernando Moro, protocolou em 8 de Junho de 2020, petição (Documento: 2) dirigida ao Procurador Geral da Republica, solicitando que não sejam reabertas as investigações, sobre os fatos acima mencionados, contra seu cliente.”

A petição expõe que Dotti foi também advogado de outro membro da força-tarefa de Curitiba, a delegada da Polícia Federal Erika Mialik Marena.

“Esse trilhar do Advogado Criminalista René Ariel Dotti pode indicar, em tese, grave conflito de interesse, na medida em que, de um lado, atuou supostamente na defesa dos interesses da Petrobras e, consequentemente, na defesa do interesse público e, de outro, quiçá em função da mesma generosa remuneração recebida outrora, advoga agora, contra o interesse público, na mesma seara da Operação Lava Jato, para evitar colaboração premiada que se divisa capaz de trazer à baila desvios e desatinos na condução da referida investigação e com capacidade para influenciar nos destinos das decisões judiciais prolatadas por Sérgio Moro”, expõe Teixeira.

O deputado pede que o Ministério Público junto ao TCU investigue o caso, com depoimentos de Zucolotto, Moro, René Dotti e seus sócios, e solicite a rescisão do contrato fechado entre o criminalista e a Peobtras, com uma multa de 30% no valor do contrato e a prestação de contas.

Clique aqui para ler a íntegra da representação protocolada no MP-TCU.