PT aciona TCU e PGR para investigar contratos entre governo Bolsonaro e empresa da ex-mulher de Wassef

Parlamentares da Bancada do PT na Câmara protocolaram hoje (24) duas representações — uma no Tribunal de Contas da União e outra na Procuradoria-Geral da República — nas quais cobram providências para apurar e tomar medidas legais cabíveis diante de possíveis irregularidades em contratos firmados entre a empresa Globalweb Outsourcing e o governo Jair Bolsonaro.

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A empresa foi fundada pela empresária Cristina Boner Leo, ex-mulher e sócia em empreendimentos imobiliários de Frederick Wassef, advogado do presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) pelo menos até o dia 21 último. Ele é também o dono de uma casa em Atibaia (SP) onde ficou escondido por mais de um ano o militar aposentado Fabrício Queiroz, uma espécie de faz-de-tudo do clã Bolsonaro e peça-chave em investigação sobre organização criminosa no Rio de Janeiro que seria comandada por Flávio Bolsonaro.

As ações são assinadas pelo líder do PT na Câmara, Enio Verri (PR), a deputada Margarida Salomão (PT-MG) e o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Suspeita
Nas ações, os parlamentares citam denúncias da imprensa para suspeitar de que contratos da Globalweb com o governo Bolsonaro foram firmados como forma de “eventual estratégia de remuneração indireta, via recursos públicos, do trabalho do advogado Frederick Wassef para a família Bolsonaro”.

A empresa Globalweb, que já tinha alguns contratos com o Governo Federal até 2018, começou a ter sua participação catalisada a partir da posse do capitão-presidente, num momento em que Frederick Wassef já figurava como advogado dos Bolsonaro “e mantinha grande influência junto à Administração do Poder Executivo Federal”, assinalam os petistas.

Aditivos
Os contratos entre o governo federal e a empresa da ex-mulher de Wassef receberam, no período de janeiro de 2019 a junho de 2020, aditivos na ordem de R$ 165 milhões, além de terem sido firmados novos contratos, com a mesma firma, da ordem de R$ 53 milhões, totalizando, no período, contratos de R$ 218 milhões.

Para Enio Verri, Margarida Salomão e Paulo Teixeira, o aumento significativo de negócios firmados no período “pode ter sido potencializado pela influência” de Wassef junto a Bolsonaro e seu filho ou, o que é mais grave, pode ter sido utilizado para fazer face, indiretamente, à remuneração do referido profissional da advocacia”.

“Assim, podem ter sido praticados, pelo advogado, sua ex-esposa e servidores públicos ou agentes políticos que a investigação apurar, em tese, o crime de tráfico de Influência, tipificado no artigo 332 do Código Penal” ou improbidade administrativa, alertam os petistas.

Mensalão do DEM
O parlamentares assinalam nas duas representações que Cristina Boner Leo “é uma velha conhecida do Judiciário do DF, já tendo sido inclusive condenada por improbidade administrativa no chamado ‘Mensalão do DEM’ e, em feito criminal que também responde, o Ministério Público busca sua condenação por 168 crimes de corrupção ativa.”

Leia a íntegra das representações:

Representação-MPF

Representação-TCU

Do PT na Câmara.