Por ordem de Bolsonaro, deputado e Sara Winter ignoram depoimento à PF

Não são casos isolados. O deputado estadual Douglas Garcia (PSL), de São Paulo, torceu o nariz para a Polícia Federal, que deveria ouvi-lo hoje (4) no âmbito no inquérito das fake news, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na segunda-feira (1º), Sara Winter também foi intimada a depor na PF acerca do mesmo inquérito presidido pelo ministro Alexandre de Moraes.

“A PF acabou de sair da minha casa, entraram ILEGALMENTE, NÃO SE IDENTIFICARAM e vieram deixar uma intimação pra depor daqui a 2 dias, EU NÃO VOU! Vão me prender? Me tratar como bandido? Vão ter q se prestar a isso!”, disparou a moça pelo Twitter. Ela é organizadora do movimento 300 do Brasil.

Tanto Douglas quanto Sara seguem as orientações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que, na semana passada, se insurgiu contra o judiciário. Segundo declaração de Bolsonaro, “ordens absurdas não se cumprem”. Ele se referia ao STF.

“Eu não vou depor na Polícia Federal, porque eu considero esse inquérito inconstitucional. Eu não vou dar nenhum tipo de legitimidade a essa ação”, afirmou o Douglas Garcia. “Esse inquérito está sendo usando como factóide para perseguir aqueles que apoiam o governo Bolsonaro.”

“Me nego a ir nessa bosta”, disparou Sara Winter.

LEIA TAMBÉM
CUT reforça campanha pelo ‘Fora Bolsonaro’ em defesa da vida, do emprego e da democracia

Defensoria Pública da União pede “a cabeça” de Sérgio Camargo

Bolsonaro autoriza reajuste de 5% no preço do gás de cozinha

Tacla Duran rebate ex-ministro Sérgio Moro sobre propina na Lava Jato

O advogado Rodrigo Tacla Duran, do exílio na Espanha, rebateu nesta quinta-feira (4) o ex-ministro Sérgio Moro e o desafiou para uma careação judicial. “Não tenho nada a esconder”, disse.

Após ter acordo de delação desengavetado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, o advogado Tacla Duran declarou que foi investigado e nunca condenado em diversos países.

“Esclareci tudo que deveria às autoridades competentes e não tenho medo de ser investigado”, desafiou, referindo-se às preocupações de Moro com o conteúdo da delação do ex-advogado da Odebrecht.

Tacla Duran sustenta que pagou propina para o advogado Carlos Zucolotto, amigo e compadre de Moro, para obter vantagens em seu acordo de delação premiada com a Lava-Jato em 2016.

“Fui investigado por anos e por diversos países e nunca fui condenado. Esclareci tudo que deveria ás autoridades competentes e não tenho medo de ser investigado, porque não tenho nada a esconder. A Interpol reconheceu que fui vítima de abuso de autoridade que tem interesse politico”, avisou Rodrigo Tacla Duran.

Em nota, Sérgio Moro surtou ontem (3) com o desengavetamento da delação pelo PGR.

O ex-ministro e ex-juiz da Lava Jato afirmou que “causa-me perplexidade e indignação que tal investigação, baseada em relato inverídico de suposto lavador profissional de dinheiro, e que já havia sido arquivada em 2018, tenha sido retomada e a ela dado seguimento pela atual gestão da Procuradoria-Geral da República logo após a minha saída, em 22/04/2020, do Governo do Presidente Jair Bolsonaro.”