Paim aponta omissão do Estado brasileiro na defesa da população negra

Ao repudiar a morte de George Floyd durante ação policial nos Estados Unidos na semana passada, o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou nesta quarta-feira (3) que o racismo no Brasil é “tão pior quanto o que existe lá [nos EUA], porque aqui é velado, ninguém fala”. Ele também acusou o Estado brasileiro de se omitir em relação aos direitos da população negra e dos cidadãos mais vulneráveis.

George Floyd, ex-segurança negro, foi asfixiado por um policial branco na cidade de Mineápolis. O caso gerou protestos nos Estados Unidos e em outros países.

Paim pediu que o mundo olhe para o Brasil porque “há grilhões a serem rompidos” e “feridas expostas que ainda não cicatrizaram”.

“A senzala de ontem é o silêncio de hoje, de uma sociedade que não aceita as diferenças e as diversidades. A chibata de ontem se projeta na falta de saúde educação, segurança, emprego, renda. O país não suporta mais essa cultura de violência e racismo que nos acompanha desde o tempo da escravidão e seus capitães do mato”, afirmou.

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Segundo Paim, cerca de 77% dos jovens assassinados no Brasil são negros. A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado. Dos 180 homicídios por dia, 75% das vítimas são negros.

“Não há como esquecer o assassinato recente do menino João Pedro, de 14 anos. Estão na memória outros assassinatos: Kauan Peixoto, 12 anos; Jenifer Gomes, 11 anos; Kauã Rozário, 11 anos; Ágatha Vitória Sales Félix, 8 anos; Kauê Ribeiro dos Santos, 11 anos; Ketellen Gomes, 5 anos”, disse Paim, que também citou o espancamento de um homem negro por policiais esta semana no Distrito Federal.

Paulo Paim acrescentou que a violência no Brasil também atinge quilombolas, indígenas, pobres, mulheres, jovens, homossexuais, travestis e idosos. O senador afirmou que o Estado não pode se omitir e tem que agir para garantir direitos para essas parcelas da população.

“Queremos justiça, solidariedade, fraternidade. Queremos, estudar trabalhar, ser gente como todo mundo, como todos nós somos gente. Queremos ser felizes. Basta de violência racismo e impunidade. Queremos políticas humanitárias, respeito aos direitos humanos, uma educação que seja libertadora, que faça com que os jovens compreendam a condição humana e suas diferenças”, pediu.

O senador lembrou citação de Martin Luther King, um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos: “Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos”.

Fonte: Agência Senado