Novo ministro da Educação pode cair por plágio e falsidade ideológica

O novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, pode deixar o cargo nos próximos dias em virtude da inconsistência de seu currículo e suspeita de falsidade ideológica acerca de seu doutorado na Argentina.

Depois de o reitor da Universidade de Rosário, na Argentina, desmentir a titulação de doutorado de Decotelli, agora é a vez da Fundação Getúlio Vargas (FGV) anunciar investigação de plágio na conclusão do mestrado do novo ministro.

A suspeita é que Carlos Decotelli tenha cometido plágio no trabalho apresentado em 2008 para a conclusão de um mestrado em Administração da FGV.

“A FGV está localizando o professor orientador da dissertação para que ele possa prestar informações acerca do assunto. Caso seja confirmado o procedimento inadequado, a FGV tomará as medidas administrativas e judiciais cabíveis”, informou a FGV por meio de nota neste sábado (27), ao anunciar que vai “apurar os fatos referentes à denúncia de plágio na dissertação do ministro Carlos Alberto Decotelli”.

A discussão sobre o plágio do novo ministro foi iniciado pelo professor universitário Thomas Conti, que postou a “bomba” no Twitter.

“Bomba nova e inédita sobre o novo Ministro da Educação, Carlos Decotelli. Achei muitos indícios de plágio na dissertação de mestrado defendida na FGV em 2008. Segue o fio e compare as passagens, vejam o que acham: Registro na CVM x Dissertação”, escreveu Conti.

O novo ministro Carlos Decotelli, na plataforma Lattes, presenta o título de “Mestrado profissional em Administração” obtido na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2008, com a dissertação “Banrisul: do Proes ao IPO Com Governança Corporativa” em seu currículo público. Há trechos idênticos a um trabalho da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicado no ano de 2007, segundo a postagem do professor universitário.

Nem o MEC nem o ministro comentaram mais essa polêmica.

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Na tarde de ontem (26), após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciá-lo, declinando seu “doutorado”, na Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, o reitor da instituição de ensino do país vizinho, Franco Bartolacci, publicou desmentido sobre a titulação do novo ministro.

Segundo o catedrático argentino, Carlos Decotelli não obteve a titulação na Universidade Nacional de Rosário.

“Nos vemos na necessidade de esclarecer que Carlos Alberto Decotelli da Silva não obteve na @unroficial a titulação de doutor mencionada nesta comunicação”, informou Franco Bartolacci.

Jair Bolsonaro disse ao anunciar a escolha do no nome titular no MEC que “Decotelli é bacharel em Ciências Econômicas pela UERJ, mestre pela Fundação FGV, doutor pela Universidade de Rosário, Argentina, e pós-doutor pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha”.

Não é só o doutorado e o mestrado do ministro que são suspeitos. Ele também nega ser dono de perfil no Twitter, que jura ser fake.

Após o Blog do Esmael publicar matéria acerca da militância de Decotelli nas redes sociais, a favor da extrema direita, o MEC desmentiu que o novo ministro seja o titular da conta.

A falsidade ideológica está tipificada no art. 299 do Código Penal, que, além de prisão, pode custar o cargo do agente público.

Com a possibilidade de queda do novo ministro, o terceiro no governo, vem aí o quarto escalado.

O presidente Jair Bolsonaro já pediu para que o secretário da Educação do Paraná, Renato Feder, volte ao aquecimento. O moço nunca foi educador, mas está dentro no padrão do atual governo federal.

Deus tenha piedade da educação brasileira.