Novo ministro da Educação não tem pós-doutorado na Alemanha, diz universidade

Publicado em 29 junho, 2020

A Universidade de Wüppertal, no oeste da Alemanha, negou que o novo ministro da Educação (MEC), Carlos Alberto Decotelli, tenha realizado na instituição o pós-doutorado.

“Carlos Decotelli não obteve nenhum título na nossa universidade”, afirmou a responsável pela comunicação da Bergische Universität Wüppertal (BUW), Jasmine Ait-Djoudi. A universidade alemã oferece cerca de 110 cursos em diversas áreas e tem mais de 22 mil estudantes. A informação é do Globo.

Ainda segundo a revista Exame, a Universidade de Wüppertal (Bergische Universität Wuppertal), onde o professor afirma ter concluído seu pós-doutorado, respondeu que ele não esteve na universidade pelo período que consta em seu currículo.

Decotelli, nomeado na última sexta-feira (26), anotou no currículo Lattes que frequentou a universidade alemã entre 2015 e 2017 e que recebeu o certificado de pós-doutor.

O currículo Lattes é um documento eletrônico usado por pesquisadores brasileiros para registrar sua produção e experiência acadêmica. A plataforma é controlada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), mas o preenchimento é feito pelo próprio usuário.

O novo ministro já teve contestado o mestrado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e o doutorado na Universidade de Rosário, na Argentina.

A Universidade de Wüppertal é a terceira instituição a dizer que o novo ministro está mentindo sobre seus títulos.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse ao anunciar a escolha do no nome titular no MEC que “Decotelli é bacharel em Ciências Econômicas pela UERJ, mestre pela Fundação FGV, doutor pela Universidade de Rosário, Argentina, e pós-doutor pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha”.

Carlos Decotteli pode cair nas próximas horas ou dias em virtude da inconsistência de seu currículo.

A falsidade ideológica está tipificada no art. 299 do Código Penal, que, além de prisão, pode custar o cargo do agente público.

Com a possibilidade de queda do novo ministro, o terceiro no governo, vem aí o quarto escalado.

O presidente Jair Bolsonaro já pediu para que o secretário da Educação do Paraná, Renato Feder, volte ao aquecimento. O moço nunca foi educador, mas está dentro no padrão do atual governo federal.

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Auxílio emergencial e indignação seletiva da Globo

De repente, a Globo virou os canhões contra pessoas físicas pelo recebimento indevido de R$ 600 do auxílio emergencial. A emissora mostrou histórias de cidadãos –de empresários a dondocas– que não preenchiam os requisitos, mas que sacaram o valor. Fraude!, fraude!, Fraude!, gritaram indignados os Marinho.

De fato houve uma fraude, a julgarmos pelos dados factuais mostrados pelos valentes repórteres da afiliada da Globo no Rio Grande do Sul. No entanto, há uma indignação seletiva da televisão e do programa Fantástico, que levou o material ao ar.

Primeiro, esse auxílio emergencial deveria ser universal –sem distinção de raça, cor ou rendimento. É assim que estão procedendo os demais países do mundo. Mais do que ajuda, é medida para estimular a economia em depressão profunda.

Segundo. Durante a pandemia, o ministro da Economia Paulo Guedes transferiu alguns trilhões dos cofres públicos para os bancos e especuladores sem que houvesse um pio da Globo e demais veículos de imprensa da mídia corporativa.

A velha mídia está ajudando em meio à pandemia de coronavírus Guedes, Bolsonaro e a parte mais venal do Congresso privatizarem áreas estratégicas à soberania do País, como a água, negócios de bilhões, com a complacência e “cobertura” [no sentido de esconder e proteger] do roubo ao patrimônio público.

A Globo mostrou ontem à noite um relatório do TCU com 620 mil pessoas receberam auxílio emergencial sem ter direito. O prejuízo seria, segundo a TV, de quase R$ 1 bilhão.

Terceiro. Enquanto a emissora grita ‘pega ladrão’ para batedores de carteiras, a TV Globo ajuda acobertar o maior roubo do Brasil em plena pandemia.

Caríssimos bravos repórteres. Senhores membros do TCU. Sigam o dinheiro. Follow the money. Sigam o Guedes.