Novo ministro da Educação, Carlos Decotelli, é discípulo de Olavo de Carvalho

Diferente do que diz a velha mídia, o Ministério da Educação (MEC) seguirá ideologizado com a nomeação de Carlos Alberto Decotelli da Silva. Ele é mais um dos discípulos do guru e astrólogo Olavo de Carvalho, que, na crise, ampliou seu poder político no governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Pelo Twitter do novo ministro, um militar da reserva da Marinha, nota-se um fluxo alto de postagens favoráveis à extrema direita e retuítes do blog ‘Terça Livre’, de Allan Santos, que considerado “palavrão” pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

No perfil de Decotelli há também reverberação das postagens de Sara Winter, a extremista do grupo ‘300 do Brasil’, presa por disseminar ódio e pregar a violência.

Por outro lado, seu engajamento fica claro com a defesa intransigente do presidente Jair Bolsonaro e críticas a figuras alinhadas mais à esquerda, a exemplo do jornalista Glenn Greenwald, cofundador do site The Intercept Brasil.

Seguindo o estilo do antecessor, o ex-ministro Abraham Weintraub, Decotelli escreveu no dia 18 de junho: “Olha isso @TSEjusbr seus Vagabundos… OLHA ISSO”, sobre uma suposta oferta de freela (trabalho) pelo PT por até R$ 2mil.

“Tive o prazer de trabalhar com o Decotelli. Desejo muita sorte e sucesso ao novo ministro e ao Presidente @jairbolsonaro”, jactou-se Weintraub, após a confirmação da nomeação.

Decotelli, o novo ministro da Educação, não esconde no Twitter sua devoção por Olavo de Carvalho.

“Estamo [sic] Juntos Professor”, escreveu no Twitter o discípulo no último dia 17 de junho.

O Twitter chegou a apagar uma conta anterior do novo ministro, que, pelos prints, insultavam jornalistas. Miriam Leitão, da Globo, por exemplo, era chamada de “Miriam Porcão”. No dia 31 de maio passado Decotelli pediu ‘ajuda aos universitários’ para recuperar sua conta derrubada.

Portanto, a Globo e a velha mídia estão erradas ao ‘dourar a pílula’ dizendo que o novo ministro da Educação é “mais moderado” que Weintraub. Pelo contrário. Ele [Decotelli] é da mesma cepa e foi indicado pelo guru Olavo de Carvalho. É só conferir os rastros no Twitter.

Até as capivaras do tradicional Parque Barigui, em Curitiba, sabem que Olavo é o guru espiritual de Jair Bolsonaro e seus filhos, doutrinador da maioria dos ministros, e que indicou vários membros em todos os escalões do governo. É ele quem comanda os cargos-chaves da República. Ele é uma espécie de “Rasputin” do bolsonarismo.

Resumo da ópera: a nomeação de Carlos Decotelli é vitória de Olavo de Carvalho em conluio com militares, cada vez mais agasalhados em cargos estratégicos na máquina pública.

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MEC jura que ministro não tem perfil no Twitter

“O Ministério da Educação informa que o novo ministro da pasta, Carlos Alberto Decotelli, não possui perfil na rede social Twitter. Todas as contas registradas com o nome do ministro são, portanto, falsas”, afirmou o MEC por meio de sua conta oficial.

A troco de que alguém vinha mantendo uma conta supostamente “fake” de Decotelli? Adivinhação?

Como pode alguém manter intensa atividade “fake” por tanto tempo, pela direita, sem ser percebido pelo verdadeiro dono da identidade?

Funcionários do Banco Mundial voltam a protestar contra Weintraub

Os funcionários do Banco Mundial voltaram a questionar a indicação do ex-ministro da falta de Educação de Bolsonaro, Abraham Weintraub, para a diretoria do Banco.

Eles enviaram uma carta para a direção da instituição após o comitê de ética do Banco afirmar que não poderia barrar a indicação do brasileiro.

Nesta quarta-feira, os funcionários do Banco enviaram uma carta ao Comitê de Ética da instituição pedindo uma investigação sobre o ex-ministro da educação do Brasil. O Comitê respondeu que não podeira investigar alguém que ainda não fazia parte do quadro da instituição.

Leia íntegra da nova carta:

O caso Weintraub: a resposta da diretoria

A Carta Aberta de ontem ao Comitê de Ética do Conselho pediu que eles adiassem a nomeação do diretor-executivo do Brasil, Sr. Abraham Weintraub, enquanto aguardavam uma revisão das alegações (e investigação da Suprema Corte) de racismo contra ele.

O comitê respondeu prontamente à nossa carta ontem à noite. O texto completo está aqui:

“O comitê compartilha o compromisso corporativo de eliminar o racismo e defender nossos valores essenciais; o comportamento racista dos membros do conselho não será tolerado;

Nem a administração nem o conselho exercem influência sobre a seleção dos diretores executivos. No caso da EDS15, que representa oito países, o Brasil tem a participação majoritária e pode indicar seu candidato nas próximas eleições.

No momento em que um novo DE assume a posição (ou seja, não antes), ele ou ela está sujeito ao Código de Conduta da Diretoria.

Observamos que o parágrafo 13.b do Código de Conduta para Funcionários da Diretoria afirma que o Comitê de Ética do Conselho fará recomendações à diretoria sobre conduta imprópria “relacionada ao desempenho de deveres oficiais ou ações que afetem o desempenho de seus deveres oficiais, sejam essas ações tomadas antes, durante ou com respeito a quaisquer restrições aplicáveis”

A Associação dos Funcionários solicita, portanto, ao conselho que reconsidere sua abordagem e use o poder que possui de acordo com o Código de Conduta para recomendar uma revisão da conduta do Sr. Weintraub.

Também observamos que o caso Weintraub expôs uma falha fundamental na governança do Banco Mundial. Por um lado, nossos membros do conselho representam e são responsáveis perante seus países constituintes e, portanto, devem ser devidamente eleitos por esses países (no caso da EDS15, a eleição é essencialmente uma vitrine, considerando as ações com direito a voto).

Por outro lado, os membros do conselho tornam-se oficiais do Banco Mundial e deve-se agir em conformidade. Portanto, é razoável esperar que o Banco Mundial tenha uma opinião sobre as qualificações básicas necessárias para assumir essas posições. Deveria ser bastante razoável esperar que o Banco Mundial tenha uma palavra a dizer quando o candidato nos expõe a um risco reputacional considerável e compromete nossa capacidade de cumprir nossa missão.

Portanto, a menos que o conselho ou a gerência sênior decida ser proativo e se manifestar, ficamos simplesmente com a garantia de que, quando o Sr. Weintraub aparecer para trabalhar no primeiro dia, ele receberá uma palestra severa. Este é um dia em que os funcionários podem optar por comemorar de uma maneira diferente. Fique ligado.

Assembleia Delegada,

Associação dos Funcionários do Banco Mundial

Mesmo que Weintraub passe por toda essa resistência e assuma o cargo no Banco Mundial, ele terá dias difíceis no seu novo posto.

Com informações do UOL.