Manifestação em Recife pede justiça para o caso do menino Miguel

Movimentos sociais convocam ato para protestar contra a morte do menino Miguel, de 5 anos, filho de uma trabalhadora doméstica. Miguel caiu do 9° de uma das Torres Gêmeas do Cais de Santa Rita, em Recife. A manifestação acontece nesta sexta-feira (5), com concentração às 13h, no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). O uso de máscara é obrigatório.

O episódio ganhou notoriedade quando as câmeras de segurança mostraram Sarí Côrtes Real, patroa e dona do apartamento, deixando o menino sozinho no elevador de serviço, enquanto sua mãe passeava com o cachorro.

A empregadora foi autuada por homicídio culposo e liberada para responder o processo em liberdade, mediante fiança de R$ 20.000. A morte do garoto negro e de família humilde se deu em um momento de protesto contra o racismo em todo o mundo. Para o ato da sexta-feira, a organização pediu para levar velas, flores e balões pretos.

Para Luiza Batista, presidente do Sindomésticas-PE, a mobilização representa um pedido por uma pena mais justa. “Se situação fosse o inverso, a morte de um filho da patroa, a trabalhadora doméstica não teria vinte mil para fiança e ainda seria condenada por homicídio doloso. Outra coisa que chama atenção para o caso é que não vai ter audiência de custódia. Sendo assim, estaremos atuando junto de outros movimentos sociais na manifestação”.

Em nota os organizadores do protesto relacionam o caso aos mecanismos racistas e classista da sociedade brasileira. “Miguel morreu no dia em que a PEC das Domésticas completou cinco anos e esse aniversário da legislação de proteção das domésticas diz muito sobre nosso país que não superou sua herança escravagista e racista”.

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A manifestação foi convocada pelas seguintes entidades: Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Quilombo do Arruda, Fórum de trabalhadores de Saúde Mental do estado de PE, Marcha Mundial das Mulheres, Fórum de Mulheres Negras do PT, Secretária de Mulheres do PT-PE, Seremos Resistência, Cantadas Progressistas, Coletivo Pão e Tinta, Coletivo boca no Trombone, Roda Cultural do Bronx, Coletivo Fazedores de Cultura Periferia-PE, Comissão de Direitos Humanos da OAB-PE, ACELADORA Social palaffit, Mulheres do Audiovisual de Pernambuco, Coletivo Luta Saúde, Coletivo Teia Feminista, Coletivo ressignificando vidas, COMFRA (Coletivo mães feministas Ranusia Alves), Coletivo Fotocante e Juventude do PT-PE.

*Com informações do Diário de Pernambuco