Globo divulga ‘powerpoint’ do gabinete do ódio, responsável por fake news de Bolsonaro

O jornal Globo publicou neste domingo (14) o que se pode chamar de ‘powerpoint’ do gabinete do ódio, estrutura responsável pela disseminação de fake news do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo reportagem, o grupo começou ser recrutado em março de 2017 pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o Carluxo, filho do presidente da República chamado pelo pai de “Zero Dois”.

O Globo apresenta uma árvore com ‘quem é quem’ no gabinete do ódio, que é investigado pelo inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) e pela CMPI do Congresso Nacional.

O jornal detalha quem são os assessores recrutados por trabalho nas redes sociais, a favor de Bolsonaro nos últimos anos:

  • José Mateus Sales Gomes (Bolsonaro Zuero);
  • Tércio Arnaud Thomaz (Bolsonaro Opressor);
  • Matheus Matos Diniz (Secom);
  • Guilherme Julian Freire (Endireita Fortaleza);
  • José Henrique Cardoso Rocha (SP Conservador);
  • Carlos Eduardo Guimarães (Bolsofeios).

O youtuber Felipe Neto, pelo Twitter, elogiou a reportagem publicada no Globo. “Essa matéria do Sonar ficou excelente, é leitura obrigatória para todos. Mostra como foi a origem do Gabinete do Ódio, como tudo começou e como está agora. Mostra a simplicidade da coisa e como é feito por moleques.”

Além de dar nome aos bois, o ‘powerpoint’ do Globo também levanta os salários dos integrantes do gabinete do ódio, bem como quando e de quais páginas eles surgiram.

O primeiro parágrafo da matéria deixa claro que o presidente Jair Bolsonaro sempre creditou o triunfo de sua vitória eleitoral em 2018 à estratégia digital traçada pelo filho “02”, o vereador Carlos Bolsonaro, nas mídias sociais.

PowerPoint do gabinete do ódio. Fonte: O Globo.

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Gilmar Mendes diz que invadir hospitais é crime; Carluxo xinga ministro de ‘débil mental’

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o Carluxo, xingou neste domingo (14) de ‘débil mental’ o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o magistrado afirmar que estimular e invadir hospitais é crime.

“Invadir hospitais é crime —estimular também. O Ministério Público (a PGR e os MPs Estaduais) devem atuar imediatamente. É vergonhoso —para não dizer ridículo— que agentes públicos se prestem a alimentar teorias da conspiração, colocando em risco a saúde pública”, tuitou na manhã de hoje Gilmar.

Ato contínuo, Carluxo revidou xingando Mendes de “bandido ou um doente mental” no Twitter.

“Só um bandido ou um doente mental para minimamente crer que o Presidente incentivou invasão a hospitais ao invés de entender que o citado foi para que cidadãos cumpram seu direito de fiscalizar os gastos públicos!”, atacou o filho do presidente da República, em resposta a Gilmar Mendes.

O tuíte do ministro do STF se deu em referência ao pedido do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na quinta-feira (11), para que seus apoiadores filmassem o interior de hospitais públicos e de campanha para averiguar se os leitos de emergência estão livres ou ocupados.

Na sexta-feira (12) à tarde, horas depois do estímulo de Bolsonaro, um grupo entrou no Hospital municipal Ronaldo Gazolla, unidade de referência no tratamento da Covid-19 no Rio, e invadiu alas restritas a médicos e pacientes.

A sugestão de Bolsonaro de invasão e filmagens em locais restritos fere o direito à intimidade, dignidade e confidencialidade de tratamento do paciente.

De acordo com profissionais da saúde, é grande a probabilidade de uma pessoa ser infectada se adentrar num ambiente hospitalar desprotegida e sem autorização às áreas restritas.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou a instauração de procedimentos para apurar eventuais responsabilidades por invasões a hospitais destinados ao tratamento de pacientes com covid-19.

Aras diz que as condutas dessa natureza colocam em risco a integridade física dos “valorosos profissionais que se dedicam, de forma obstinada, a reverter uma crise sanitária sem precedentes na história do país”.

Os ofícios serão enviados na segunda-feira (15) aos Ministérios Públicos dos estados de São Paulo e Distrito Federal, que tiveram casos relatados de invasão.

Em São Paulo, assessores de deputados estaduais bolsonaristas invadiram o Hospital de Campanha do Anhembi, em 4 de junho. Já no Distrito Federal, a ocorrência foi em 9 de junho, no Hospital Regional de Ceilândia, por um apoiador do presidente.