Glenn Greenwald comenta a prisão de blogueiro bolsonarista; confira

O jornalista americano Glenn Greenwald, em tom de ironia, comentou a prisão blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, no Mato Grosso do Sul, após suspeita de fuga do país.

Nesta sexta-feira (26), a Polícia Federal cumpriu mandado de prisão no âmbito da Operação Lume, inquérito que apura financiamento e organização de atos antidemocráticos para a volta da ditadura militar e fechamento do Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao longo dos últimos meses, Eustáquio não parava de escrever que Glenn estava “preparando a fuga”, que “a casa caiu”, “o cerca esta se fechando”, “escondido”, “prisão preventiva decretada”, “tic tac”.

“Essas são as únicas coisas verdadeiras já escritas por Oswaldo Eustáquio”, afirmou o cofundador do site The Intercept Brasil, porém, completou Greenwald: “ele só disse tudo isso sobre a pessoa errada”.

As “previsões” do feiticeiro –cujo feitiço virou contra ele– aconteceram no curso da série de reportagens da “Vaza Jato” do Intercept, El País, Folha, Uol e Veja.

Segundo a PF, o ex-assessor do Ministério dos Direitos Humanos, pasta de Damares Alves, quase já estava com um pé no Paraguai quando foi preso hoje pela manhã no MS.

No dia 19 de abril, à noite, tendo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como plateia, bolsonarista Oswaldo Eustáquio entrevistou numa live o ex-deputado mensaleiro Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB.

Jefferson e Eustáquio prometiam revelar na transmissão “detalhes” da trama do golpe “iminente” de Rodrigo Maia (DEM-RJ) contra Bolsonaro.

Por óbvio, era mais uma fake news. Maia não deu golpe e Bolsonaro não caiu. Pelo contrário. Eles, sob a bênção da velha mídia e da frente ampla, estão juntinhos da Silva.

“A ministra Damares Alves sempre sabe quem é o cidadão de bem”, concluiu Gleen Greenwald, novamente ironizando o “cretino primitivo” preso hoje.

— Glenn Greenwald (@ggreenwald) June 26, 2020

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Blogueiro Oswaldo Eustáquio, casado com assessora de Damares Alves, é preso pela Polícia Federal

O jornalista bolsonarista Oswaldo Eustáquio foi preso nesta sexta-feira (26) pela Polícia Federal, em Campo Grande (MS). O mandado de prisão foi expedido pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal, no inquérito dos atos antidemocráticos.

Eustáquio é casado com a jornalista Sandra Terena, responsável pela Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos comandado por Damares Alves. Ele já tinha sido alvo de uma ordem de busca e apreensão há duas semanas.

Durante a investigação, a Procuradoria-Geral da República argumentou ao Supremo que Eustáquio defendeu uma “ruptura institucional de maneira oblíqua”.

Com informações da Folha de São Paulo.

Bolsonarista Ernesto Lacombe, do ‘Aqui na Band’, deixa a TV Band

A Band anunciou na tarde desta quinta-feira (25) que o jornalista Luís Ernesto Lacombe decidiu deixar a emissora. O apresentador comandou o programa “Aqui na Band” até quarta-feira (24), quando a direção da Band resolveu intervir na atração.

Nos bastidores circula a informação que diretores da emissora estariam insatisfeitos com pautas vistas como tendenciosas e a favor do presidente Jair Bolsonaro.

Lacombe e Nathalia Batista, que comandava o programa ao lado dele, já tinham sido suspensos da atração, assim como o diretor Vildomar Batista.

Recém-contratada pela emissora, Mariana Godoy deve assumir o Aqui na Band ao lado de outro nome de peso, que o canal deve anunciar nos próximos dias. Os mais cotados são Zeca Camargo, colunista da Folha de São Paulo, Fernando Rocha e Dony De Nuccio.

“A Band informa que o programa Aqui na Band está passando por reformulações. Diante desse novo momento, o jornalista e apresentador Luís Ernesto Lacombe decidiu seguir novos caminhos.
A Band agradece ao jornalista pelo trabalho sempre correto e bem-sucedido que ele desempenhou à frente do Aqui na Band desde a sua estreia. As portas da emissora permanecem sempre abertas para ele”, informa em nota a emissora.

Antes do anúncio da sua saída, Lacombe já tinha postado uma mensagem nas redes sociais com uma imagem ao fundo de Ruy Barbosa, e escreveu: “Meu avô materno [o historiador Américo Jacobina Lacombe], imortal da Academia Brasileira de Letras, dedicou a vida a organizar e publicar toda a obra de Ruy Barbosa. Os dois eram grandes defensores da liberdade, da democracia e da justiça. Sigo os passos deles… Momentos de silêncio também são capazes de construir.”