Funcionários do Banco Mundial voltam a protestar contra Weintraub

Os funcionários do Banco Mundial voltaram a questionar a indicação do ex-ministro da falta de Educação de Bolsonaro, Abraham Weintraub, para a diretoria do Banco.

Eles enviaram uma carta para a direção da instituição após o comitê de ética do Banco afirmar que não poderia barrar a indicação do brasileiro.

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Nesta quarta-feira, os funcionários do Banco enviaram uma carta ao Comitê de Ética da instituição pedindo uma investigação sobre o ex-ministro da educação do Brasil. O Comitê respondeu que não podeira investigar alguém que ainda não fazia parte do quadro da instituição.

Leia íntegra da nova carta:

O caso Weintraub: a resposta da diretoria

25 de junho de 2020

A Carta Aberta de ontem ao Comitê de Ética do Conselho pediu que eles adiassem a nomeação do diretor-executivo do Brasil, Sr. Abraham Weintraub, enquanto aguardavam uma revisão das alegações (e investigação da Suprema Corte) de racismo contra ele.

O comitê respondeu prontamente à nossa carta ontem à noite. O texto completo está aqui:

“O comitê compartilha o compromisso corporativo de eliminar o racismo e defender nossos valores essenciais; o comportamento racista dos membros do conselho não será tolerado;

Nem a administração nem o conselho exercem influência sobre a seleção dos diretores executivos. No caso da EDS15, que representa oito países, o Brasil tem a participação majoritária e pode indicar seu candidato nas próximas eleições.

No momento em que um novo DE assume a posição (ou seja, não antes), ele ou ela está sujeito ao Código de Conduta da Diretoria.

Observamos que o parágrafo 13.b do Código de Conduta para Funcionários da Diretoria afirma que o Comitê de Ética do Conselho fará recomendações à diretoria sobre conduta imprópria “relacionada ao desempenho de deveres oficiais ou ações que afetem o desempenho de seus deveres oficiais, sejam essas ações tomadas antes, durante ou com respeito a quaisquer restrições aplicáveis”

A Associação dos Funcionários solicita, portanto, ao conselho que reconsidere sua abordagem e use o poder que possui de acordo com o Código de Conduta para recomendar uma revisão da conduta do Sr. Weintraub.

Também observamos que o caso Weintraub expôs uma falha fundamental na governança do Banco Mundial. Por um lado, nossos membros do conselho representam e são responsáveis perante seus países constituintes e, portanto, devem ser devidamente eleitos por esses países (no caso da EDS15, a eleição é essencialmente uma vitrine, considerando as ações com direito a voto).

Por outro lado, os membros do conselho tornam-se oficiais do Banco Mundial e deve-se agir em conformidade. Portanto, é razoável esperar que o Banco Mundial tenha uma opinião sobre as qualificações básicas necessárias para assumir essas posições. Deveria ser bastante razoável esperar que o Banco Mundial tenha uma palavra a dizer quando o candidato nos expõe a um risco reputacional considerável e compromete nossa capacidade de cumprir nossa missão.

Portanto, a menos que o conselho ou a gerência sênior decida ser proativo e se manifestar, ficamos simplesmente com a garantia de que, quando o Sr. Weintraub aparecer para trabalhar no primeiro dia, ele receberá uma palestra severa. Este é um dia em que os funcionários podem optar por comemorar de uma maneira diferente. Fique ligado.

Assembleia Delegada,

Associação dos Funcionários do Banco Mundial

Mesmo que Weintraub passe por toda essa resistência e assuma o cargo no Banco Mundial, ele terá dias difíceis no seu novo posto.

Com informações do UOL.