Coronavírus deixa prefeito de Curitiba entre a cruz e a espada

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), está passando por maus bocados em virtude de possíveis escolhas erradas que ele fez no início da pandemia de coronavírus.

Greca acionou neste sábado (13) o ‘botão laranja’ para indicar que triplicou o número de mortes e casos de novo coronavírus na cidade. Eram 8 óbitos e 300 casos por semana até o último dia 28 de maio, agora são 24 mortes e mais de mil casos que sobrecarregam os leitos hospitalares.

A capital paranaense vem adotando medidas dúbias no enfrentamento do vírus, ora sinalizando com o endurecimento do distanciamento, ora afrouxando geral, de acordo com a força dos lobbies de setores empresariais.

Certa feita, questionado, o prefeito disse que não proibiu nem autorizou o funcionamento de determinados serviços. “Fumou, mas não tragou”, ironizou o ex-senador Roberto Requião (MDB), um dos mais críticos do ex-aliado no combate ao coronavírus.

Em Curitiba, as pessoas começaram a dizer que aumentou o número de coronavírus, ‘mas as ruas estão com asfalto novo’. Trata-se de crítica à prioridade da Prefeitura durante a pandemia, que cuidou mais de obras do que de vidas.

Se a cruz é restrição aos serviços não essenciais, a espada é pressão dos donos de bares e restaurantes. Na noite de sábado, após a edição do decreto restritivo, Rafael Greca assistiu a uma manifestação de empresários do setor em frente a sua casa, no centro da cidade.

O protesto foi organizado por Fábio Aguayo, presidente da Associação de Bares, Restaurantes e Casas Noturnas. O empresário publicou um vídeo mostrando aglomeração em supermercados, que não estariam respeitando o distanciamento preconizado.

A maioria dos manifestantes contrários ao fechamento é de matiz bolsonarista ou lavajatista. Um deles é Beto Madalosso, dono de restaurantes como ‘Forneria Copacabana’, que, no auge da Lava Jato, chegou a escrever no cardápio ‘político corrupto, você não é bem-vindo’.

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O diabo é que a família Madolosso, em Curitiba, é tradicional no ramo da gastronomia e seus restaurantes sempre serviram almoços e jantares para políticos durante as campanhas eleitorais. Alguns deles de direita, inclusive, foram presos nos últimos meses e anos.

“Chega a ser desonesto decretar o fechamento do comércio sem apresentar medidas de socorro econômico”, diz Madalosso. Ele reivindica o mesmo tratamento que as empresas de transporte coletivo receberam para o setor gastronômico, por exemplo.

Os donos de ônibus tiveram ajuda de R$ 200 milhões da Prefeitura de Curitiba durante a pandemia, mas o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), em controle político, barrou a farra.

Aliás, denunciam os donos de bares e restaurantes, os ônibus estão superlotados e colocando em risco os trabalhadores curitibanos.

Nesta segunda-feira, dia 15, a partir das 14 horas, essa turma dos bares, restaurantes e academias de ginástica voltarão a infernizar a vida do prefeito Rafael Greca. Eles irão gritar ‘Fora Greca’ em frente à Prefeitura.

Resumo da ópera: o prefeito de Curitiba foi traído pelos algoritmos, que vêm ditando o comportamento de Greca e seus principais assessores; a vida real é mais dura e cruel que a virtual.

Casos de coronavírus no Paraná

O Paraná tem 9.233 casos confirmados do novo coronavírus e 312 mortes pela doença, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SESA).

Curitiba tem 1676 casos confirmados e 76 mortes por coronavírus, de acordo com o último boletim divulgado.

Os casos e mortes foram triplicados desde o dia 28 de maio, quando a Prefeitura de Curitiba afrouxou as regras de distanciamento social.

[Vídeo]: Fábio Aguayo, da Abrabar, denuncia “hipocrisia” acerca do distanciamento na capital do Paraná:

A hipocrisia aumenta no período do Covid-19

Posted by Fabio Aguayo on Friday, June 12, 2020