Com medo de cassação, Bolsonaro pede para TSE não usar provas do inquérito das fake news

A defesa do presidente Jair Bolsonaro pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeite o compartilhamento de provas entre o inquérito das fake news e as ações que podem levar à sua cassação por crimes eleitorais.

A solicitação para a corte eleitoral aproveitar elementos colhidos na investigação em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a disseminação de notícias falsas e ameaças a integrantes do Supremo foi apresentada pelo Partido dos Trablhadores (PT).

O partido acredita que os fatos investigados pelo inquérito do STF podem ter relação com um esquema de disparo em massa de informações fraudulentas em favor de Bolsonaro no pleito de 2018.

A solicitação ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ter determinado, no último dia 27, uma operação policial contra apoiadores e parlamentares ligados ao governo.

O magistrado determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Luciano Hang, um dos alvos da ação eleitoral, a partir de junho de 2018, o que deu força à tese de que o inquérito das fake news pode trazer provas relativas às últimas eleições presidenciais.

A advogada Karina Kufa, que representa o chefe do Executivo no TSE, porém, afirma que os casos não têm conexão e que o compartilhamento seria uma “clara afronta ao princípio da independência das instâncias cível, penal e eleitoral”.

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A defesa do presidente afirma, ainda, que a ação do PT não se sustenta e diz que o partido “confunde o TSE com local para manifestar seu inconformismo pela derrota no pleito de 2018”.

O ministro Og Fernandes, do TSE, é o relator da ação e ainda não decidiu se acolherá ou não o pedido para o compartilhamento dos dados do STF.

Na próxima terça-feira (9), o TSE irá julgar duas ações contra a chapa Bolsonaro-Mourão.