Centrão avança no governo Bolsonaro, apesar de 67% contra no Datafolha

Não adiantou o Datafolha apontar que 67% dos brasileiros serem contrários à aproximação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com o Centrão, grupo fisiologista no Congresso Nacional que barganha apoio por cargos e recursos públicos.

Nesta segunda-feira (1º), o “Diário Oficial da União” trouxe a nomeação de Marcelo Lopes da Ponte para a presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Ele é chefe de gabinete do senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos líderes do Centrão.

O orçamento do FNDE para 2020 é de R$ 54 bilhões. O órgão responsável pela execução da maioria das ações e programas da Educação Básica do nosso País, como a alimentação e o transporte escolar, além de atuar também na Educação Profissional e Tecnológica e no Ensino Superior.

Com o objetivo de barrar os pedidos de impeachment no Congresso, Bolsonaro começou a distribuir cargos e verbas para o grupo fisiologista. O presidente Jair Bolsonaro também vai entregar o comando do Banco do Nordeste (BNB) para um nome indicado pelo Partido Liberal (PL), sigla liderada pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão.

Os partidos que compõem o Centrão ainda almejam, por exemplo, os comandos do Porto de Santos, da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e até do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

No começo de maio, o Centrão já tinha abocanhado o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), que igualmente passou para a esfera política de Ciro Nogueira, do PP, que indicou para o cargo Fernando Marcondes de Araujo Leão.

O que é o Centrão?
É um bloco informal na Câmara que reúne partidos de centro e centro-direita, que, dependendo da matéria, se articulam para votar da mesma maneira sobre determinado projeto.

Entre esses partidos, estão PP (40 deputados), PL (39), Republicanos (31), Solidariedade (14) e PTB (12). O PSD (36), o MDB (34) e o DEM (28) também costumam estar alinhados com o grupo, assim como partidos menores, incluindo PROS (10), PSC (9), Avante (7) e Patriota (6).

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Datafolha contra o Centrão

Publicado em 30 maio, 2020

Pesquisa do Datafolha aponta que 67% dos brasileiros reprovam e 20% aprovam aproximação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com o Centrão –grupo fisiologista no Congresso Nacional que barganha apoio por cargos e recursos públicos.

O Datafolha precisa contextualizar que Bolsonaro veio do Centrão. Ele [o presidente da República] sempre foi baixo clero na Câmara. Por 28 anos foi considerado “lambari de valeta” por seus pares. Portanto, não há nada de estranho sobre sua volta à origens.

O Datafolha fez a seguinte pergunta: Bolsonaro age bem ou age mal ao negociar cargos e verbas com deputados e senadores?

  • Age bem: 20%
  • Age mal: 67%
  • Não está negociando cargos e verbas: 2%
  • Não sabe: 11%

O instituto ainda perguntou:

Bolsonaro está cumprindo a promessa de não negociar cargos e verbas em troca de apoio?

  • Sim: 29%
  • Não: 63%
  • Não sabe: 8%

O levantamento ouviu 2.069 pessoas maiores de idade na segunda (25) e na terça-feira (26). As entrevistas foram feitas por telefone. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.

Os eleitores não compreendem porque o instituto Datafolha e o veículo de comunicação que o contratou, a Folha de S. Paulo, ficam escandalizados com o apoio do Centrão ao presidente Jair Bolsonaro. Afinal, antes mesmo da eleição de 2018, todos eles sabiam que o presidente sempre foi membro do Centrão.