Bolsonaro aceitou a carta de demissão de Carlos Decotelli

“Não deu tempo de confeccionar o crachá”. Foi uma das várias manifestações nas redes sociais, nesta terça-feira (30), ante a notícia da demissão do brevís “Foi o melhor ministro que a Educação já teve no governo Jair Bolsonaro”, escreveu um internauta, pois, argumentou, “não deu tempo de fazer burrada”.

Nomeado na quinta-feira (25), Decotelli caiu pelo currículo que não tinha. Ele foi questionado por duas universidades –de Rosário, na Argentina, e Wuppertal, na Alemanha– e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Embora oficialmente o novo ex-ministro da Educação tenha deixado uma “carta” pedindo demissão do cargo, na verdade foi o presidente Jair Bolsonaro que pediu para que ele saísse. A cerimônia da posse que seria hoje à tarde, por exemplo, foi cancelada ontem após dúvidas sobre a consistência do currículo de Decotelli.

Carlos Alberto Decotelli não consegui sequer esquentar a cadeira de ministor. Ele ficou apenas cinco dias como titular do MEC, o terceiro de Bolsonaro em um ano e meio de governo. Antes dele, passaram pela pasta Ricardo Vélez e Abraham Weintraub.

O presidente Jair Bolsonaro pediu esta tarde, após a demissão de Decotelli, que os serviços de informação do governo investiguem o passados dos novos possíveis ministros. A saber:

  • Antonio Freitas, pró-reitor da FGV
  • Gilberto Gonçalves Garcia, escolas privadas
  • Marcus Vinícius Rodrigues, ex-presidente INEP/MEC
  • Benedito Guimarães Aguiar Neto, presidente da Capes/MEC
  • Sérgio Sant’ana, ex-assessor especial de Abraham Weintraub
  • Ilona Becskehazy, secretária de Educação Básica no MEC
  • Renato Feder, secretário da Educação do Paraná
  • Anderson Correa, reitor do ITA

Os ministérios da Educação e da Saúde, os dois mais importantes, continuam acéfalos. A falta de titulares nessas duas pastas mostra o desrespeito de Bolsonaro com o povo brasileiro, já acossado pela pandemia de coronavírus.

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Ratinho decreta quarentena por 14 dias no Paraná; confira

Publicado em 30 junho, 2020

 

O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), negou nesta terça-feira (30) que irá decretar ‘lockdown’, mas anunciou quarentena de 14 dias ao estabelecer medidas mais restritivas de combate ao coronavírus.

“Não estamos fazendo lockdown. Estamos aplicando uma quarentena mais restritiva em algumas regiões do estado onde a curva do crescimento está fora do controle”, jurou o governador.

A quarentena mais restritiva, seguindo as orientações do Ministério Público, seria aplicada aos seguintes municípios paranaenses:

  • Cornélio Procópio
  • Cianorte
  • Toledo
  • Cascavel
  • Foz do Iguaçu
  • Curitiba e Região Metropolitana

A quarentena anunciada por Ratinho vai durar 14 dias a partir desta quarta-feira, 1º de julho. O descumprimento das medidas será punido com multa.

O decreto pode ampliar o número de cidades, de acordo com Ratinho, conforme a curva de crescimento do volume de casos.

As determinações envolvem principalmente o setor de comércio e a redução do número de passageiros nos ônibus do transporte coletivo. As principais determinações são:

  • Serviços não essenciais serão suspensos
  • Reuniões comerciais ou privadas devem ser feitas de maneira virtual
  • Procedimentos cirúrgicos eletivos serão suspensos durante o período da quarentena
  • Barreira sanitária de controle de acesso de pessoas nas regiões de quarentena
  • A reportagem está em atualização.

Ratinho disse que esta terça-feira (30) foi o pior dia do estado em aumento de número de casos. Segundo ele, nas últimas 24 horas, o Paraná registrou 36 novas mortes e 1.536 novos casos.

O governador, no entanto, não descartou a possibilidade de lockdown. “Essa é a medida mais enérgica que um governador poderia tomar”, afirmou. Precisamos muito da consciência de cada um. Não adianta tomar as medidas se a própria população não tomar consciência disso”, destacou Ratinho.

Segundo ele, o estado não tem problemas com relação a quantidade de respiradores. Contudo, insumos como, por exemplo, medicamentos para a sedação estão em escassez. Ele também citou a escassez no número de profissionais intensivistas que atuem em UTIs.

Na reunião que teve com deputados e representantes do Tribunal de Justiça, Ministério Público do Paraná e Tribunal de Contas do Estado, o governo informou que a taxa de transmissão do vírus no estado está em 1,3, ou seja, dez pessoas com Covid-19 transmitem o coronavírus para outras 13 pessoas, em média.

Segundo o boletim divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) na segunda-feira (29), o Paraná tem 21 mil casos confirmados de Covid-19 e 600 mortes registradas. Com os dados atuais desta terça, o número passou para 636 óbitos e 22.623 casos confirmados em várias cidades do estado.

O ex-governador Roberto Requião (MDB-PR), um dos críticos do atual governador, não perdoou a falta de clareza de Ratinho. Nas redes sociais, o emedebista tentou traduzir o anúncio ironizando o ocupante do Palácio Iguaçu:

“*Decreto de Lockdown do Paraná 001/2020*

_*Art. 1º* Autoriza os prefeitos do Paraná a decretarem lockdown, se quiserem_

_*Art. 2º* Tem que fechar, tudo mas se não quiser, não precisa_

_*Art. 3º* Ficam excluidos deste decreto de lockdown shoppings, indústrias, bares, restaurantes, comércio de rua, pesque pagues, puteiros, botecos e CTGs_

_*Art. 4º* Pescarias são permitidas._

_§ 1º Pescaria permitida sem máscara em propriedade do governador_

_Curitiba, 30 de Junho de 2020_

_Ratinho Junior_
_Governador do Paraná_

RATO COM ALTA CAPACIDADE DE DECISÃO!”