Taxa Selic cai para 3%. E daí?

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) baixou a taxa básica de juros da economia brasileira de 3,75% para 3% ao ano. A decisão foi unanime nesta quarta-feira (6). Mas, e daí?

Daí, nada. Pouco impacta a redução da taxa Selic se não há investimentos públicos para estimular a produção, o consumo e pleno emprego.

A Selic é a taxa básica de juros da economia no Brasil, utilizada no mercado interbancário para financiamento de operações com duração diária, lastreadas em títulos públicos federais. Ponto.

Na economia real do povo, os juros do cheque especial continuam 130% ao ano e o rotativo do cartão de crédito acima de 320% ao ano. Mesmo sob a pandemia ou redução da Selic, continua as maiores taxas de crédito do planeta.

Do ponto de vista econômico cotidiano, a taxa Selic também não tem importância alguma. Por exemplo, na Antártica não existe juro algum. Também não tem produção, consumo ou emprego. Não possui atividade econômica, consequentemente.

O Brasil de Jair Bolsonaro, de Paulo Guedes e do coronavírus igualmente despreza o consumo e as pessoas. Vive o que se chama de depressão, desemprego pleno, fome e miséria em aumento constante.

No comunicado, o Copom avalia que “neste momento a conjuntura econômica prescreve estímulo monetário extraordinariamente elevado”. Diz ainda que, para a próxima reunião, avalia nova redução da taxa.

E daí? Nada.

“Para a próxima reunião, condicional ao cenário fiscal e à conjuntura econômica, o Comitê considera um último ajuste, não maior do que o atual, para complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências econômicas da pandemia da Covid-19”, afirma o Copom.

E daí? Nada.

O comitê ressalva, no entanto, que “novas informações sobre os efeitos da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos”.

E daí? Nada.

A solução para o Brasil, caro leitor, é o derrubar Paulo Guedes da economia; aprovar o impeachment de Bolsonaro e general Mourão; convocar uma nova Assembleia Constituinte e eleições gerais.

No âmbito do neoliberalismo econômico não há saída, portanto.

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Mídia corporativa desafina, mas continua com Bolsonaro

A velha mídia corporativa começou a desafinar depois de vários “calabocas” ordenados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), um homem despreparado para o cargo, mas muito útil para banqueiros, especuladores e a burguesia tocarem seu projeto neoliberal, isto é, reduzir o Estado para a maioria da sociedade e maximizar a teta para meia dúzia de espertalhões da República.

A capa do jornal Extra, do grupo Globo, ironiza de forma fantástica ao dizer que o prato predileto de Bolsonaro é “PF do Rio”, numa referência ao depoimento do ex-ministro Sérgio Moro que delatou o presidente.

Moro disse aos delegados da Superintendência da Polícia Federal, no sábado, acerca de mensagem que recebeu do presidente Bolsonaro cujo trecho reproduzimos: “QUE a mensagem tinha, mais ou menos o seguinte teor: “Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”.

A revista “piauí”, na Folha, também chuta dos “países baixos” de Bolsonaro ao trazer na capa o “Coiso” beijando a caveira da morte nessa discussão sobre a pandemia do coronavírus. A publicação distribuída pela Abril pertence a João Moreira Salles, herdeiro de fortuna oriunda do sistema financeiro.

Note caríssimo leitor que a velha mídia corporativa desafina, mas, na essência, ela continua fechadíssima com Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes. Ou seja, as pautas diabólicas na economia seguem ferrando os trabalhadores e os pobres com o objetivo de salvaguardar os privilégios da minoria mais rica do País.

Nessa “guerra ao coronavírus”, pasme, o inimigo número um tem sido os servidores públicos –com congelamento de salários– e a sociedade em geral, que está sendo conduzida como gado para os ônibus superlotados e, consequentemente, ao matadouro.

A velha mídia corporativa ainda não diz nada sobre o tal “Orçamento de Guerra” –novamente contra o povo– que visa alienar ativos imóveis e participação em estatais, no valor de R$ 2 trilhões, destinando esse numerário para os gordos banqueiros a título de pagamento de juros e amortizações de uma suspeitíssima dívida interna que carecesse moratória e auditoria já.

Não, a mídia corporativa não discute esses temas. Prefere a superficialidade da disputa entre Bolsonaro e Moro. Quer fazer dessa desavença pelo poder uma novela para entreter a sociedade, mais uma vez, enquanto essas raposas do rabo felpudo vendem o Brasil, o “pai” e “mãe” –e os entrega.

A novela Moro x Bolsonaro e a espetacularização do avanço do coronavírus não só desinforma como também aliena os brasileiros de maneira incrível.

Portanto, as capas de “Extra” e “piauí” são bonitinhas e até mereceriam prêmio de design etc., mas esses veículos carecem de “verdade” e eles são apenas a “longa manus” dos jornalões que são financiados e associados a tudo que aí está, inclusive ao bolsonarismo.

Câmara aprova congelamento dos salários de servidores

A Câmara dos Deputados, presidida por Rodrigo Maia (DEM-RJ), o “Botafogo”, cumpriu o script determinado pelo ministro Paulo Guedes e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao liderar a aprovação do congelamento dos salários de servidores públicos até 2022.

A medida é revestida de covardia dos parlamentares e de agressão aos servidores, que são elevados à condição de vilões da nação, enquanto o coronavírus segue ceifando vidas e empregos. O congelamento de salários fere a dignidade humana, protegida pela Constituição.

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 39/20, do Senado, que destina ajuda de R$ 125 bilhões para os estados, o Distrito Federal e os municípios em razão da pandemia de Covid-19, exige contrapartidas para o socorro financeiro aos entes federados. A principal delas proíbe a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios de concederem qualquer tipo de reajuste ou aumento nos salários até 2022, assim como a realização de concursos e a criação de cargos.

A ideia inicial do Senado excluía dessas regras especialmente os servidores civis e militares dos setores de saúde e segurança pública. Alterações aprovadas pelos deputados acrescentaram, entre outros, trabalhadores da educação, da assistência social e na limpeza pública; policiais legislativos; técnicos e peritos criminais; agentes socioeducativos; e fiscais agropecuários.

A proibição de reajustes motivou diversas manifestações dos parlamentares, favoráveis e contrários à medida. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, criticou as mudanças, que, segundo ele, desidrataram as contrapartidas ao auxílio a estados e municípios. “Pelo jeito, não estávamos falando sério do congelamento [salarial]”, afirmou. “É um absurdo.”

Conforme o PLP 39/20, ficará proibida ainda qualquer medida que implique reajuste de despesa obrigatória acima da variação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Despesas de caráter continuado não poderão ser criadas, exceto se houver compensação permanente.