Risco Bolsonaro transforma Real uma moeda tóxica, diz Folha

A Folha de S. Paulo afirma nesta segunda-feira (25) que os riscos político e fiscal causados pelo presidente Jair Bolsonaro transforma o Real numa moeda tóxica perante o mundo.

Segundo o jornalão, a moeda brasileira teve perda de 29% diante do dólar desde o início deste ano e é a divisa que mais sofre dentre os países emergentes.

“Real ganha status de moeda tóxica com aversão a riscos fiscal e político”, colocou na manchete a Folha.

A classificação de “ativo tóxico” é dada por bancos estrangeiros em decorrência da maior desvalorização do Real desde o ano de 2000.

A toxicidade criada pelo Risco Bolsonaro, de acordo com a Folha, foi acelerada nos últimos meses por questões relacionadas ao coronavírus, à piora no ambiente político e à perspectiva de que o país pode ficar para trás na recuperação mundial no pós-pandemia.

O que a Folha oculta, no entanto, é que a crise econômica é preexistente no Brasil em decorrência do projeto neoliberal que ela sempre apoiou por meio de retirada de direitos sociais [reformas trabalhista e previdenciária, congelamento de gastos públicos, etc.], qual seja, implementados por Bolsonaro e seu ministro Paulo Guedes, da Economia.

As moedas que mais tiveram desvalorização no mundo formam:

  • México: peso mexicano (-19%);
  • África do Sul: rand (-22%);
  • Rússia: rublo (-13%).

O Risco Bolsonaro medido pelo CDS (Credit Default Swap) subiu 220% em 2020. Na média dos países emergentes, a alta foi de 77%.

O Real se desvalorizou mais uma vez na sexta-feira, 22, e o dólar foi vendido a R$ 5,58.

Note o caríssimo leitor que a Folha de S. Paulo não consegue avançar nos motivos que afundaram o país antes e durante a pandemia de coronavírus. O jornalão limita-se a fazer uma rasa leitura de conjuntura econômica.

É preciso um projeto de desenvolvimento consistente que privilegie o pleno emprego, o consumo e o crédito com juros baixos. Não adianta taxa Selic zero se o juro no cartão de crédito, por exemplo, é mais de 320% ao ano– o maior do mundo. Também não adianta levantar o isolamento social, como prega Bolsonaro, se as pessoas estão desempregadas e sem poder de compra.

A Folha e demais veículos de imprensa da velha mídia, ou mídia corporativa, devem uma discussão mais séria sobre a crise econômica que Guedes e Bolsonaro enfiaram o País sob pena de serem cúmplices dessa tragédia nacional.

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EUA devem proibir viajantes do Brasil por causa de pandemia

Os Estados Unidos devem impor restrições de viagem ao Brasil neste domingo, disse o consultor de segurança nacional da Casa Branca, Robert O’Brien, dois dias após o país sul-americano se tornar o número 2 do mundo em casos de coronavírus.

O’Brien disse ao programa ‘Face the Nation, da rede CBS, acreditar que haverá uma decisão neste domingo sobre suspender a entrada de viajantes que chegam do Brasil.

“Esperamos que seja temporário, mas, devido à situação no Brasil, tomaremos todas as medidas necessárias para proteger o povo americano”, disse.

O Brasil se tornou o número 2 do mundo em casos de coronavírus na sexta-feira, perdendo apenas para os Estados Unidos, e agora tem mais de 347.000 pessoas infectadas pelo vírus, informou o Ministério da Saúde.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na terça-feira que estava considerando impor uma proibição de viagens para passageiros provenientes do Brasil.

“Não quero pessoas vindo para cá e infectando nosso povo. Também não quero que as pessoas fiquem doentes por lá. Estamos ajudando o Brasil com respiradores… O Brasil está tendo problemas, não há dúvida sobre isso”, acrescento Trump a repórteres na Casa Branca.

O’Brien disse que os Estados Unidos analisarão as restrições para outros países do hemisfério sul, país a país.

Trump suspendeu a entrada da maioria dos viajantes da China, onde o surto começou, em janeiro. No início de março, ele impôs restrições de viagem a pessoas vindas da Europa.