Por causa do coronavírus, STF estende home office até 31 de janeiro de 2021

Por essa o presidente Jair Bolsonaro não esperava. Nem o mundo jurídico. O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de uma resolução, decidiu estender o home office dos ministros até 31 de janeiro de 2021. Há o temor com o aumento de infecções pela Covid-19.

Note o caríssimo leitor que o STF preocupa-se com a saúde dos magistrados, funcionários e operadores do direito que frequentam a corte máxima do País. Diferente do comportamento do presidente Bolsonaro, que, nesta sexta (1º), defendeu que todos voltassem a trabalhar –independentemente do avanço do coronavírus.

O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, estendeu o home office na corte até o dia 31 de janeiro de 2021. A medida havia sido adotada desde 23 de março devido à pandemia do novo coronavírus.

A decisão foi tomada “em razão da necessidade de dar continuidade às medidas de isolamento social”. Até o presente momento, nenhum funcionário do STF foi diagnosticado com covid-19.

Na resolução assinada na quarta-feira (29), Toffoli determinou que os departamentos do tribunal realizem “no mínimo de três reuniões por semana, em dias distintos e com duração estimada de 15 a 30 minutos, conforme o tamanho da equipe, por meio preferencial de videoconferência”.

De acordo com resolução assinada pelo ministro, os servidores em trabalho remoto deverão ser nessa modalidade, se a natureza de suas atividades for compatível e houver condições de saúde física e psicológica para a continuidade.

Os gabinetes dos 11 ministros ficam livres para adotar outras formas de trabalho.

Em Curitiba, hoje pela manhã, manifestantes bolsonaristas gritavam palavras de ordem “Foda-se STF”, Fora Maia”, e “Fica Ramagem” (diretor da PF indicado por Bolsonaro). Assista ao vídeo:

Com informações do UOL

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Militares se recusam a apertar mão de Bolsonaro, que esconde resultado do exame para Covid-19

Os militares que não são bobos, nada, se recusaram nesta quinta-feira (30) apertar a mão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Bolsonaro visitou hoje Porto Alegre, capital do Rio Grande de Sul, onde se reuniu com a caserna –inclusive com o vice-presidente general Hamilton Mourão (PRTB).

Assim como os demais militares, Mourão ofereceu o cotovelo para Bolsonaro.

As cenas constrangedores bombaram hoje nas redes sociais porque há fortes suspeitas de que o presidente tenha contraído a Covid-19.

A despeito de uma decisão da Justiça Federal de São Paulo, Bolsonaro se recusou a apresentar o laudo do exame que teria dado “negativo” para o coronavírus.

O pedido para que Jair Bolsonaro mostrasse o exame foi feito pelo Estadão.

O presidente da República esteve nesta manhã no Centro de Operação de Combate à Covid-19 da capital gaúcha.

Bolsonaro tic-tac, tic-tac, diz jornal americano The Washington Post

O jornal americano The Washington Post afirma nesta quinta-feira, 1º de Maio, que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro está sentado em uma bomba-relógio de coronavírus prestes a explodir.

A publicação dos Estados Unidos recupera que nesta quinta-feira, 30, Bolsonaro continuou seu fluxo constante de fake news sobre o coronavírus no Facebook, desta vez violando as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), sugerindo estranhamente que a agência de saúde das Nações Unidas incentiva a masturbação e a homossexualidade entre crianças.

O post, que foi removido, se encaixa na resposta desconcertante de coronavírus de Bolsonaro – uma marcada pela negação da escala da ameaça, raiva pelos bloqueios impostos pelos governadores estaduais, brigas profundas com alguns de seus funcionários do gabinete, a devastação ecológica acelerada da Amazônia e a disseminação constante do vírus na maior e mais populosa nação da América Latina.

O jornal relata que o presidente só conseguiu dar de ombros irritado na terça-feira, quando confrontado por repórteres sobre as mais de 5.500 mortes confirmadas de coronavírus do país. “E daí?” ele disse. “Eu sinto Muito. O que você quer que eu faça?”

O Brasil tem cerca de 80.000 casos confirmados de coronavírus, mas especialistas dizem que o número real é muito maior, potencialmente acima de 1 milhão. Os órgãos estão se acumulando nas principais cidades, já que as autoridades locais antecipam uma onda de casos, com o provável pico do surto ainda a algumas semanas de distância. A incerteza não é ajudada pelo fato de o governo Bolsonaro não testar a população.

“Desde a noite passada, os corpos deixaram o hospital na Barra da Tijuca, no Rio, porque o necrotério estava cheio. Hospital com falta de médicos. Situação no Rio piorando”, diz um tuíte de Dom Phillips, correspondente internacional no Rio.

O Brasil “testa 12 vezes menos pessoas que o Irã e 32 vezes menos que os Estados Unidos”, relataram jornalistas americanos, cita a matéria, uma métrica sombria, uma vez que os Estados Unidos ainda precisam intensificar seus próprios esforços de teste. “Pacientes hospitalizados não estão sendo testados. Alguns profissionais médicos não estão sendo testados. As pessoas estão morrendo em suas casas sem serem testadas.”

O resto do mundo está anotando. Os vizinhos do Brasil estão cada vez mais cautelosos com a abordagem negligente do país e temem que ele se torne um super espalhador continental. “Muito tráfego vem de São Paulo, onde a taxa de infecção é extremamente alta e não me parece que o governo brasileiro a esteja levando com a seriedade necessária”, disse o presidente argentino Alberto Fernández no fim de semana passado. “Isso me preocupa muito, para o povo brasileiro e também porque pode ser transportado para a Argentina.”

A Associated Press informa que as autoridades argentinas nas províncias limítrofes do Brasil estão trabalhando para montar corredores seguros para que os caminhoneiros brasileiros possam entrar no país e entregar suas mercadorias sem entrar em contato com os argentinos. Existem planos semelhantes em andamento no Uruguai.

O Paraguai fechou suas fronteiras e pelo menos em um caso cavou uma trincheira entre duas cidades fronteiriças para impedir travessias. O presidente venezuelano Nicolás Maduro – um inimigo de Bolsonaro encarregado de um país devastado pela crise – prometeu garantir “uma barreira epidemiológica e militar” ao longo da fronteira de sua nação com o Brasil.

Nos Estados Unidos, o governador da Flórida, o republicano Ron DeSantis, alertou para os riscos que os viajantes brasileiros vão para o seu estado, que abriga uma grande diáspora brasileira. “O Brasil tem grande capacidade científica e econômica, mas claramente sua liderança tem uma posição não científica no combate ao coronavírus”, disse DeSantis.

Essa é uma opinião compartilhada pelo ex-ministro da Saúde de Bolsonaro, que deixou seu cargo no mês passado em circunstâncias cruéis. Bolsonaro “começou a ter atitudes anti-saúde, incitando multidões, saudando um medicamento que não tinha nenhuma base científica”, disse Luiz Henrique Mandetta ao The Washington Post, referindo-se à dispensa do presidente da necessidade de bloqueios e sua obsessão por divulgar o propriedades curativas da hidroxicloroquina. “Acho que ele não me demitiu”, acrescentou Mandetta. “Ele despediu a ciência.”

Mas, para a sorte de Bolsonaro, a demissão de Mandetta é menos importante do que a saída de Sérgio Moro, o ministro da Justiça que deixou seu cargo em 24 de abril, mas não antes de denunciar Bolsonaro por tentar nomear um diretor-geral da Polícia Federal mais flexível, que teoricamente poderia impedir as investigações em andamento no país, inclusive os filhos do presidente.

As acusações contra seus familiares são condenatórias e, se comprovadas, podem levar ao possível impeachment do presidente, que já perdeu apoio considerável de aliados conservadores e centristas ao lidar com o surto do coronavírus. Nesta semana, o Procurador-Geral da República do país autorizou uma investigação sobre a suposta corrupção e obstrução da justiça do presidente.