Os militares já tomaram o poder, segundo Globo

A Rede Globo não tem dúvidas de que os militares já tomaram o poder no governo de Jair Bolsonaro. Segundo o portal da empresa, o G1, o Ministro da Saúde nomeou nesta quarta-feira (20) mais 4 militares do Exército para cargos na pasta. Ontem (19), 9 fardados haviam sido nomeados.

Os nomes foram publicação na edição desta quarta-feira (20) do “Diário Oficial da União” e inclui ao menos uma médica e um engenheiro de formação, registra o G1.

Em um momento que a pandemia de coronavírus precisa de mais profissionais da saúde, o interino Eduardo Pazuello incha o Ministério com militares do Exército para cargos na pasta.

O DOU trouxe a nomeação dos seguintes militares:

  • Coronel Alexandre Martinelli Cerqueira, para exercer o cargo de Subsecretário de Assuntos Administrativos;
  • 1º Tenente Laura Triba Appi, que é médica, para exercer o cargo de assessora da Secretaria-Executiva;
  • Major Celso Coelho Fernandes Júnior, que é engenheiro, para exercer o cargo de Coordenador-Geral de Acompanhamento e Execução de Contratos Administrativos;
  • Capitão Paulo César Ferreira Júnior, para exercer o cargo de Diretor de Programa da Secretaria- Executiva.

O governo vem aumentando a presença de militares no Ministério da Saúde desde a saída de Luiz Henrique Mandetta do comando da pasta.

O primeiro foi o próprio ministro-substituto Pazuello, nomeado secretário-executivo do então ministro da Saúde Nelson Teich, que deixou o cargo na semana passada.

O Ministério da Saúde informou que a estratégia de resposta à Covid-19 não foi prejudicada “em nenhum momento” pela presença dos militares na pasta.

Com informações do G1

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‘Quem é de esquerda toma… Tubaína’, diz Bolsonaro, ao defender cloroquina para a direita

O presidente Jair Bolsonaro apelou para a baixaria nesta terça-feira (19) ao fazer lobby a favor do uso da cloroquina no tratamento do coronavírus. “Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína”, disse durante uma transmissão nas redes sociais.

O presidente anunciou para esta quarta (20) um novo protocolo que permitirá a utilização da cloroquina em pacientes em estágio inicial de contágio do coronavírus. Ele deu o furo durante entrevista ao jornalista Magno Martins.

Segundo Bolsonaro, o documento não obrigará nenhum paciente a ser medicado com a droga cuja a eficácia é contestada pela comunidade científica, mas, de acordo com ele, dará a liberdade para que ele faça uso do remédio caso julgue necessário.

“O que é a democracia? Você não quer? Você não faz. Você não é obrigado a tomar cloroquina”, afirmou. “Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma Tubaína”, zombou, citando o refrigerante popular.

Bolsonaro também indicou que poderá manter no cargo o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello. Para o presidente, o militar está fazendo um ‘excelente’ trabalho.

Nesta terça, por exemplo, Pazuello nomeou ao menos dez membros do Exército –de diversas patentes– para funções no Ministério. Esses escolhidos não são da área.

Deputado petista quer que ministro da Defesa vá à Câmara dar explicações sobre produção de cloroquina pelo Exército

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou um requerimento à Câmara para que seja convocado o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, a fim de “prestar esclarecimentos sobre a produção de cloroquina nos laboratórios das Forças Armadas”. O documento, subscrito pelos deputados Alexandre Padilha (PT-SP) e Jorge Solla (PT-BA), propõe que o militar fale na Comissão Externa criada para acompanhar ações preventivas ao coronavírus no Brasil.

No requerimento, o deputado questiona o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro por contrariar as evidências científicas e estimular, como se fosse um cientista, o uso da cloroquina para o tratamento da Covid-19, inclusive ordenando o aumento da produção do medicamento em larga escala pelos laboratórios do Exército. Correia denuncia que a iniciativa despende “significativos recursos em uma ação sem retorno comprovado.”

Conforme órgãos da imprensa, o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército (LQFEx) começou a produzir a cloroquina em larga escala no dia 23 de março. A média da produção do laboratório do Exército era em torno de 200 e 250 mil comprimidos a cada dois anos, já que ela era voltada ao consumo interno e para combater a malária. A nova meta de produção, em meio à pandemia, é de 1 milhão de comprimidos por semana.

Sem comprovação científica
“O entusiasmo do presidente com os benefícios do medicamento não está em consonância com as respostas científicas” e contraria “os resultados de estudos mais relevantes que negam a eficácia” da cloroquina no combate ao novo coronavírus, afirma o parlamentar. Para Rogério Correia, a determinação de produzir massivamente cloroquina nos laboratórios das Forças Armadas “parece ultrapassar qualquer razoabilidade de gestão pública”.

O parlamentar lembrou que a cloroquina é um medicamento utilizado no tratamento contra a malária e o lúpus, e sua eficácia contra a Covid-19 está sendo testada por cientistas brasileiros e estrangeiros. Seu uso no tratamento dos pacientes contaminados pelo novo coronavírus ainda é desaconselhado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) devido à existência de efeitos colaterais graves, como a insuficiência cardíaca.

Rogério Correia lembra que há insegurança da utilização deste medicamento nos pacientes da Covid-19, embora haja a possibilidade de uso, por recomendação médica, conforme o caso, em especial nos pacientes em estágio mais avançado da doença.

Quanto o governo gastou?
No requerimento, o parlamentar mineiro aponta que o ministro da Defesa precisa esclarecer pontos como quais os laboratórios que estão produzindo o medicamento; a quantidade de comprimidos de cloroquina já produzidos; os recursos financeiros empenhados; os recursos humanos empenhados nessa produção; quem são os fornecedores da matéria prima; quanto já foi gasto com cada fornecedor; e como está sendo a distribuição do medicamento.

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