Moro tenta se explicar pelo Twitter

Alvo de protestos durante seu depoimento na PF, em Curitiba, o ex-ministro Sérgio Moro tentou explicar “telegraficamente” sua delação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Há lealdades maiores do que as pessoais”, escreveu no Twitter neste domingo (3).

O ex-ministro da Justiça foi chamado de “Judas” por Bolsonaro e correligionários do presidente da República xingam o ex-juiz da Lava Jato de “traída” –dentre outros adjetivos mais chulos e impublicáveis.

Na mensagem concisa na rede social, Sérgio Moro não explicou a presença do advogado Rodrigo Sanchez Ríos, que o acompanhou no depoimento de mais de 8 horas na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba.

Sanchez Ríos foi o mesmo advogado que defendeu Marcelo Odebrecht das acusações do ex-juiz Moro na Lava Jato. O causídico foi quem preparou os termos da delação premiada do empreiteiro.

A respeito disso, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) vem retuitando informações sobre essa “relação perigosa” entre Moro e o defensor de Odebrecht.

“O advogado do Sérgio Mentiroso é o mesmo da Odebrecht. Esse é o tweet. Kkkk”, reverberou o filho do presidente Jair Bolsonaro, tido como chefe do “gabinete do ódio” no Palácio do Planalto.

LEIA TAMBÉM
Velha mídia se diz “chocada” com a pobreza que ela ajudou a criar e perpetuar no País

Senado aprova ajuda de R$ 125 bi para estados e municípios, mas congela de salários de servidores até 2022

Supremo israelense discute destino de Netanyahu como primeiro-ministro

Após 8h, termina o depoimento de Sérgio Moro à Polícia Federal

O ex-ministro Sérgio Moro terminou seu depoimento à Polícia Federal de Curitiba, neste sábado (2), por volta das 22 horas. Ele chegou ao local por volta das 14 horas.

O inquérito foi aberto a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, que destacou três procuradores de Brasília –João Paulo Lordelo Guimarães Tavares, Antonio Morimoto e Hebert Reis Mesquita — para acompanharem o depoimento do ex-ministro da Justiça.

Numa coletiva de despedida do governo, Moro acusou na semana passada o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir nas investigações da PF e do Supremo Tribunal Federal.

O inquérito foi autorizado pelo ministro do STF Celso de Mello, que deu cinco dias para que Moro fosse ouvido.

O ex-ministro Sérgio Moro estava acompanhado do advogado Rodrigo Sanchez Ríos, o mesmo que defendeu Marcelo Odebrecht das acusações do ex-juiz Moro na Lava Jato.

Em uma entrevista à Veja, o ex-ministro disse que tinha provas de que não mentia sobre a interferência de Bolsonaro nos trabalhos da PF.

Para os bastidores da política, o PGR vai aproveitar o “Caso Moro” para mostrar serviço ao presidente Bolsonaro. Em retribuição, analisam, Aras seria indicado para a vaga do STF em novembro.

Especulação ou não, o fato que o estilo de Moro tem tudo para transformar esse inquérito em uma novela mexicana –chata e longa demais.

Quanto ao depoimento de hoje, como era esperado, terminou em pizza. O alimento foi pedido uma hora antes do término do interrogatório.

Moro x Bolsonaro é só ‘mimimi’ e nada de concreto

O ex-ministro Sérgio Moro quer transformar sua saída do governo Jair Bolsonaro uma longa e chata novela. Neste sábado (2), em Curitiba, ele deu início ao périplo que tem ‘mimimi’ de sobra e nada de concreto que possa levar à nocaute o presidente da República.

Nós, os paranaenses, já estamos escolados com esse modelo de político. Entre 2016 e 2018, por exemplo, o irmão do senador Alvaro Dias (PODE), o Osmar, ficou dois anos dizendo que havia sido “traído” pelo então governador Beto Richa (PSDB). O tucano, por sua vez, dizia o mesmo, que fora “chifrado” pelo ex-amigo.

A lengalenga entre Richa e Osmar Dias se estendeu até as convenções partidárias de 2018, quando, para surpresa geral, o irmão de Alvaro não concorreu ao governo do Paraná, bagunçou o palanque de Roberto Requião (MDB), e deu a vitória para Ratinho Junior (PSD), aliado de primeira hora do ex-governador tucano.

A escola de Moro é a mesma de Osmar e Alvaro Dias, portanto.

Dito isso, a tendência é que Bolsonaro e Moro fiquem trocando adjetivos em público. Traíra daqui, traíra dali, mas devem ficar mesmo no ‘mimimi’ de sempre. Até porque eles não têm diferença no pensamento sobre economia [se é que pensam alguma coisa]. Ambos só querem se dar bem e defendem ferrar os trabalhadores. Para isso contam com o apoio da velha mídia.

Essa novela chatíssima –Moro x Bolsonaro– pode terminar somente em julho de 2022. O tempo nesse caso é desfavorável ao ex-juiz da Lava Jato, que, pelo retrospecto da história, é candidatíssimo a “Joaquim Barbosa”, que, de herói, caiu no ostracismo absoluto.