Maranhão está sob “lockdown” na Ilha de São Luís. Afinal, que bicho é esse?

A Justiça do Maranhão decretou nesta quinta-feira (30) o “lockdown” (bloqueio total) em quatro municípios da Região Metropolitana de São Luís, pelo prazo de dez dias, a partir do dia 5 de maio, por conta do aumento de casos e mortes pelo novo coronavírus nas regiões. A ação é do Ministério Público do Maranhão (MPMA).

Afinal, perguntam leitores, o que é um “lockdown”? Em bom português, como já mencionado acima, significa bloqueio total, uma medida rígida, no qual há restrição ao trânsito de pessoas.

No “lockdown” há uma imposição para que as pessoas fiquem em casa, diferente de uma quarentena, que é apenas uma recomendação.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou nesta sexta-feira (1º) que não irá recorrer da decisão judicial que bloqueou a Ilha de São Luís, capital do estado.

Numa coletiva de imprensa, hoje pela manhã, Dino esclareceu os seguintes pontos:

  1. O Governo do Maranhão já triplicou o número de leitos. Comprou 21 novos respiradores e receberá mais 70 em breve. Além disso, somando leitos próprios, leitos em unidades privadas alugadas ou requisitadas, e o hospital de campanha em fase de implantação, serão 530 novos leitos nos próximos 30 dias.
  2. Diante do vergonhoso e inaceitável descaso do Banco Central, da CEF e do Governo Federal com as filas, com pessoas amontoadas para a retirada do auxílio emergencial tão importante, o governo do Maranhão decidiu contratar pessoas para organizar as filas. Salvar vidas é a prioridade.
  3. Anunciou que não irá questionar a decisão do poder judiciário que determinou o lockdown na Ilha de São Luís. Irá cumprir, editando decreto no domingo regulamentando a implantação a partir do dia 5 de maio. Não é hora de fomentar briga entre os poderes. O momento é grave e exige união.
  4. Considerou as afirmações de que as medias adotadas pelos governadores “não evitaram as mortes” uma irresponsabilidade. Se nada fosse feito, ao invés de estarmos chegando, infelizmente, perto de 6.000 mortes no Brasil, teríamos certamente o dobro ou o triplo. É o que dizem todas as instituições científicas do mundo. O distanciamento social é o modelo adotado por todos os países.
  5. Pediu a colaboração da população e a compreensão de todos. Afirmou que juntos vamos superar esse grave momento da vida nacional.

A determinação do juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos da Comarca da Ilha de São Luís, impõe as seguintes regras durante o “lockdown”:

  • Suspensão das atividades não essenciais, com exceção de serviços de alimentação, farmácias, portos e indústrias que trabalham em turnos de 24 horas;
  • Proibição da entrada e saída de veículos por dez dias, com exceção para caminhões, ambulâncias, veículos transportando pessoas para atendimento de saúde e atividades de segurança;
  • Suspensão da circulação de veículos particulares, sendo autorizados somente a saída para compra de alimentos ou medicamentos, para transporte de pessoas e atendimento de saúde, serviços de segurança ou considerados essenciais;
  • Limitação da circulação de pessoas em espaços públicos;
  • Bancos e lotéricas abrem apenas para o pagamento do auxílio emergencial, salários e benefícios sem lotação máxima nesses ambientes, com organização de filas;
  • O uso de máscara continua sendo obrigatório.

Assista ao vídeo da coletiva de Fávio Dino, governador do Maranhão:

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O jornal americano The Washington Post afirma nesta quinta-feira, 1º de Maio, que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro está sentado em uma bomba-relógio de coronavírus prestes a explodir.

A publicação dos Estados Unidos recupera que nesta quinta-feira, 30, Bolsonaro continuou seu fluxo constante de fake news sobre o coronavírus no Facebook, desta vez violando as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), sugerindo estranhamente que a agência de saúde das Nações Unidas incentiva a masturbação e a homossexualidade entre crianças.

O post, que foi removido, se encaixa na resposta desconcertante de coronavírus de Bolsonaro – uma marcada pela negação da escala da ameaça, raiva pelos bloqueios impostos pelos governadores estaduais, brigas profundas com alguns de seus funcionários do gabinete, a devastação ecológica acelerada da Amazônia e a disseminação constante do vírus na maior e mais populosa nação da América Latina.

O jornal relata que o presidente só conseguiu dar de ombros irritado na terça-feira, quando confrontado por repórteres sobre as mais de 5.500 mortes confirmadas de coronavírus do país. “E daí?” ele disse. “Eu sinto Muito. O que você quer que eu faça?”

O Brasil tem cerca de 80.000 casos confirmados de coronavírus, mas especialistas dizem que o número real é muito maior, potencialmente acima de 1 milhão. Os órgãos estão se acumulando nas principais cidades, já que as autoridades locais antecipam uma onda de casos, com o provável pico do surto ainda a algumas semanas de distância. A incerteza não é ajudada pelo fato de o governo Bolsonaro não testar a população.

“Desde a noite passada, os corpos deixaram o hospital na Barra da Tijuca, no Rio, porque o necrotério estava cheio. Hospital com falta de médicos. Situação no Rio piorando”, diz um tuíte de Dom Phillips, correspondente internacional no Rio.

O Brasil “testa 12 vezes menos pessoas que o Irã e 32 vezes menos que os Estados Unidos”, relataram jornalistas americanos, cita a matéria, uma métrica sombria, uma vez que os Estados Unidos ainda precisam intensificar seus próprios esforços de teste. “Pacientes hospitalizados não estão sendo testados. Alguns profissionais médicos não estão sendo testados. As pessoas estão morrendo em suas casas sem serem testadas.”

O resto do mundo está anotando. Os vizinhos do Brasil estão cada vez mais cautelosos com a abordagem negligente do país e temem que ele se torne um super espalhador continental. “Muito tráfego vem de São Paulo, onde a taxa de infecção é extremamente alta e não me parece que o governo brasileiro a esteja levando com a seriedade necessária”, disse o presidente argentino Alberto Fernández no fim de semana passado. “Isso me preocupa muito, para o povo brasileiro e também porque pode ser transportado para a Argentina.”

A Associated Press informa que as autoridades argentinas nas províncias limítrofes do Brasil estão trabalhando para montar corredores seguros para que os caminhoneiros brasileiros possam entrar no país e entregar suas mercadorias sem entrar em contato com os argentinos. Existem planos semelhantes em andamento no Uruguai.

O Paraguai fechou suas fronteiras e pelo menos em um caso cavou uma trincheira entre duas cidades fronteiriças para impedir travessias. O presidente venezuelano Nicolás Maduro – um inimigo de Bolsonaro encarregado de um país devastado pela crise – prometeu garantir “uma barreira epidemiológica e militar” ao longo da fronteira de sua nação com o Brasil.

Nos Estados Unidos, o governador da Flórida, o republicano Ron DeSantis, alertou para os riscos que os viajantes brasileiros vão para o seu estado, que abriga uma grande diáspora brasileira. “O Brasil tem grande capacidade científica e econômica, mas claramente sua liderança tem uma posição não científica no combate ao coronavírus”, disse DeSantis.

Essa é uma opinião compartilhada pelo ex-ministro da Saúde de Bolsonaro, que deixou seu cargo no mês passado em circunstâncias cruéis. Bolsonaro “começou a ter atitudes anti-saúde, incitando multidões, saudando um medicamento que não tinha nenhuma base científica”, disse Luiz Henrique Mandetta ao The Washington Post, referindo-se à dispensa do presidente da necessidade de bloqueios e sua obsessão por divulgar o propriedades curativas da hidroxicloroquina. “Acho que ele não me demitiu”, acrescentou Mandetta. “Ele despediu a ciência.”

Mas, para a sorte de Bolsonaro, a demissão de Mandetta é menos importante do que a saída de Sérgio Moro, o ministro da Justiça que deixou seu cargo em 24 de abril, mas não antes de denunciar Bolsonaro por tentar nomear um diretor-geral da Polícia Federal mais flexível, que teoricamente poderia impedir as investigações em andamento no país, inclusive os filhos do presidente.

As acusações contra seus familiares são condenatórias e, se comprovadas, podem levar ao possível impeachment do presidente, que já perdeu apoio considerável de aliados conservadores e centristas ao lidar com o surto do coronavírus. Nesta semana, o Procurador-Geral da República do país autorizou uma investigação sobre a suposta corrupção e obstrução da justiça do presidente.