Em nota, PT repudia tentativa de invasão da Venezuela

A Comissão Executiva Nacional do PT divulgou uma nota hoje (5) na qual manifesta “total repúdio” à tentativa de invasão da Venezuela, ocorrida na madrugada do último domingo (3).

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Na nota, a legenda exige apuração dos fatos e declara apoio ao presidente Nicolás Maduro e ao povo venezuelano.

Leia a íntegra da nota:

O Partido dos Trabalhadores (PT) manifesta seu total repúdio à recente tentativa de invasão do território venezuelano por forças contrárias ao governo do Presidente Nicolás Maduro.

Esta foi a segunda tentativa deste tipo desde janeiro de 2018, tendo ambas tido origem em forças oposicionistas estacionadas na vizinha Colômbia, e tendo sido igualmente desarticulada.

Exigimos a apuração dos fatos que levaram a estes acontecimentos, inclusive o esclarecimento da participação do oposicionista Juan Guaidó, que conta com o apoio dos EUA.

Saudamos a rápida resposta do governo, com a participação da população local, e reiteramos nosso apoio ao presidente, seu partido e ao povo venezuelano, vítimas de mais uma incursão terrorista e desestabilizadora, em um difícil momento de luta contra a uma pandemia.

Neste momento a COVID-19 impõe graves consequências econômicas e sociais a todos os países. O mundo precisa se unir, apoiar-se mutuamente contra esta ameaça e não se deixar levar por forças de caráter desestabilizador.

Comissão Executiva Nacional

Partido dos Trabalhadores

Venezuela captura dois americanos por tentativa de “invasão” pelo mar para promover “golpe”
Um total de 15 pessoas, entre elas dois americanos, foram capturadas em dois dias na Venezuela, em meio a uma “invasão” fracassada pelo mar. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, informou nesta segunda-feira (4) que as detenções ocorreram desde domingo (3).

Diante do alto comando das Forças Armadas, Maduro indicou que “dois membros da segurança” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foram presos pelas autoridades locais. O presidente mostrou os passaportes e outros documentos dos americanos Luke Denman, 34 anos, e Airan Berry, 41, em um pronunciamento na TV estatal VTV.

No domingo, Caracas informou ter desmantelado uma tentativa de “invasão por via marítima” de “mercenários vindos da Colômbia”, com o objetivo de promover “um golpe” contra Maduro. A operação resultou na morte de oito “terroristas”, indicou a presidência.

Nesta segunda-feira, o Ministério Público acusou o líder opositor Juan Guaidó de ter contratado os supostos mercenários, com recursos venezuelanos. O país enfrenta duras sanções econômicas dos Estados Unidos, apoiadores de Guaidó.

Mercenários pagos com recursos roubados da companhia petrolífera
Segundo a acusação do procurador Tarek William Saab, “mercenários” assinaram “contratos” de US$ 212 milhões com “dinheiro roubado da PDVSA [companhia petrolífera nacional]”, através de “contas venezuelanas bloqueadas no exterior”. Ele citou um ex-militar americano, Jordan Goudreau, como um dos responsáveis pelo plano.

“Este contrato é público. Podemos ver a assinatura do cidadão Juan Guaidó (…) e de Jordan Goudreau”, afirmou, referindo-se a um documento publicado pela jornalista Patricia Poleo, baseada em Miami.

Saab divulgou ainda um vídeo no qual Jordan Goudreau diz que uma operação contra Nicolás Maduro está em curso. O ex-militar é o dono de uma empresa de segurança chamada Silvercorp USA, com a qual os dois americanos detidos, Denman e Berry, teriam relações, de acordo com o presidente venezuelano.

Duas pessoas foram presas no domingo e as outras 13, na segunda-feira. Maduro atribuiu a Trump e ao presidente colombiano, Ivan Duque, a responsabilidade pelo suposto plano. O opositor Guaidó, reconhecido como presidente interino por cerca de 60 países, rejeitou todas as acusações e negou qualquer contato com a Silvercorp USA.

Ascensão de Guaidó completou um ano
O caso acontece pouco mais de um ano depois da iniciativa de levante das Forças Armadas, lançada por Guaidó, para depor Maduro. O líder opositor é alvo de diversas investigações pelo Ministério Público, que, no entanto, jamais pediu a sua prisão.

O número 2 do regime chavista, Diosdado Cabello, afirma que o capitão dissidente Antonio Sequea – um dos 30 militares que se rebelaram contra Maduro, em 30 de abril de 2019 – foi preso na segunda-feira junto com outras pessoas, na localidade costeira de Chuao, no norte do país. Maduro continua com o apoio do Estado-Maior das Forças Armadas, peça fundamental no sistema político venezuelano, mas também da China, Rússia e de Cuba.