Dilma e Haddad repudiam ataque do ‘Estadão’ a Lula

A ex-presidenta Dilma Rousseff saiu em defesa do líder petista Luiz Inácio Lula da Silva, vítima nesta terça-feira (26) de um ataque direto do jornal ‘O Estado de S.Paulo’. Em editorial, o matutino conservador comparou o líder petista ao presidente Jair Bolsonaro, colocando-os lado a lado, como se ambos tivessem o mesmo perfil político.

“Lula é um democrata que nunca, no poder ou fora dele, desrespeitou a liberdade e os direitos humanos”, rechaçou Dilma. “Bolsonaro é um inimigo da democracia e dos direitos do povo. Lula sempre buscou a paz. Bolsonaro busca a violência e quer armar milicianos para uma guerra contra as instituições”, afirmou.

Sucessora de Lula na Presidência da República e vítima de um Golpe de Estado em 2016, quando o Congresso aprovou o impeachment, mesmo não havendo provas de que tenha cometido crime de responsabilidade, Dilma diz que Lula é um democrata, enquanto Bolsonaro é um fascista. “Ao equipará-los, o ‘Estadão’ insulta a inteligência dos leitores e comete um ato de pusilanimidade”, criticou. “Em hora tão grave para o país, desrespeita até momentos de sua história em que soube distinguir a barbárie da civilização”.

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Ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad também reagiu ao ataque gratuito do jornal a Lula. Em seu perfil no Twitter, Haddad ironizou o tom do editorial do jornal, que já havia publicado, durante as eleições presidenciais, um editorial em que o jornal justificava uma suposta neutralidade na disputa entre a candidatura do PT e a de Jair Bolsonaro. “Uma escolha que ficou muito difícil”, escreveu Haddad ao publicar a foto que coloca a imagem do logotipo do do jornal ao lado de um retrato de Bolsonaro, relembrando o título do editorial do jornal, publicado em 8 de outubro de 2018, e que falava no rancor dos candidatos.

Com o título “Nascidos um para o outro”, o editorial do velho jornal paulista, que em 1964 apoiou o Golpe de Estado perpetrado por civis e militares contra o presidente João Goulart, deposto numa quartelada que conduziu o país a uma ditadura durante 21 anos – e também apoiou o Golpe de 2016 contra Dilma – o diário afirma que “tanto o presidente da República como o chefão petista se associam na mais absoluta falta de escrúpulos, em níveis que fariam até Maquiavel corar”. Curiosamente, assim como em 1964, jornalistas do Estadão hoje são perseguidos por entusiastas radicais que engrossam as fileiras do bolsonarismo.

*Da Redação da Agência PT