Datena confirma que abandonou o barco de Bolsonaro; assista

O jornalista José Luiz Datena, apresentador do Brasil Urgente, da Band, tomou duas decisões importantes nas últimas horas que poderão impactar sua vida, o destino do município de São Paulo e a a sorte do presidente Jair Bolsonaro.

Datena chutou o pau da barraca ao vivo nesta sexta-feira, dia 22 de maio, após o ministro do STF Celso Mello autorizar o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril.

O motivo do rompimento seria a fala do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, que na reunião ministerial reclama com Bolsonaro dizendo que está com “problema de narrativa”. “Hoje de manhã, por exemplo, o pessoal da Band queria dinheiro. O ponto é o seguinte: vai ou não vai dar dinheiro pra Bandeirantes? Ah, não vai dar dinheiro pra Bandeirantes? Passei meia hora levando porrada, mas repliquei”.

“Depois dessa fita, me permito deixar a Band escolher outros repórteres e apresentadores entrevistarem o presidente da República”, afirmou apresentador Detena, explicitando que não entrevistaria mais Bolsonaro.

“Ele vai ter que falar quem da Band queria dinheiro. Vai ter que provar isso ai”, disse Datena, se referindo ao presidente da Caixa.

Considerado bolsonarista convicto, Datena ainda perguntou por que Bolsonaro não mandou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, “calar a boca” quando ele disse que deveriam mandar os ministros do STF para a cadeia.

O apresentador ainda afirmou que Guimarães deveria apontar quem pediu dinheiro e se deu dinheiro a alguém. “Se você deu dinheiro para alguém aqui da Band, Pedro, você indique para quem você deu, que com certeza essa pessoa vai ser demitida, se não foi uma coisa legal, se não foi mídia técnica. E do jeito que você colocou tem dúbia interpretação. Ou você prevaricou e o Bolsonaro devia te mandar embora hoje”.

‌No vídeo da reunião, que teve o sigilo derrubado pelo ministro do Celso de Mello, Bolsonaro prega o armamento da população, xinga governadores de São Paulo e do Rio, esculhamba o prefeito de Manaus, e admite que tentou interferir na Polícia Federal do Rio de Janeiro.

Então, vamos resumir esse nhenhenhém da seguinte forma:

  1. Datena abandonou o barco bolsonarista;
  2. O apresentador da Band não disputará a Prefeitura de São Paulo em 2020; e
  3. Datena tende a engrossar o movimento pelo impeachment de Bolsonaro‌.

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Bolsonaro reage às investigações do STF

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dá seus pulos para conter as investigações do Supremo Tribunal Federal (STF), que acelera buscas por provas sobre interferência na Polícia Federal.

O ministro Celso de Mello, relator do inquérito na corte acerca da interferência de Bolsonaro na Polícia Federal, tem adotado ritmo célere em busca de provas para sustentar a investigação contra Jair Bolsonaro.

O decano deixará o STF no dia 1º de novembro próximo, quando se aposentará compulsoriamente aos 75 anos.

Bolsonaro indicará o substituto de Celso de Mello que herdará, além da cadeira, a relatoria dos processos que tramitam no Supremo.

Pois bem, enquanto isso, na política real, Jair Bolsonaro reage às investigações estimulando aglomerações e insultos a adversários políticos e instituições.

Neste domingo, 24 de maio, por exemplo, bolsonaristas voltam a se concentrar em Brasília em mais um protesto favorável ao presidente da República.

Trata-se de um primeiro ato político após a divulgação do famigerado vídeo da reunião ministerial, no dia 22 de abril, em que Bolsonaro diz palavrões e admite interferir na PF.

O passo a passo do impeachment de Bolsonaro, segundo a Folha

O jornal Folha de S. Paulo, edição deste domingo (24), publica o passo a passo do processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Ao explicar o que pode acontecer com Bolsonaro, o jornalão paulistano desenhou o passo a passo (linha do tempo):

  • Investigações das denúncias de Moro;
  • Impeachment; e
  • Cassação da chapa Bolsonaro-Mourão.

Ao relatar que já são mais de 30 pedidos de impeachment protocolados na Câmara dos Deputados, o jornalão agrava a situação do presidente afirmando que se trata da pior crise alimentada por acusações de que Bolsonaro teria tentado interferir em investigações tocadas pela Polícia Federal.

Como não poderia ser diferente, a Folha bota uma azeitona do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, destacando que sua acusação foi que motivou a abertura de uma investigação que pode culminar com o afastamento de Bolsonaro.

O pedido de impeachment do qual se refere a Folha foi protocolado na quinta-feira por mais de 400 entidades, partidos políticos, intelectuais, juristas. O documento, que pode ser lido na íntegra aqui, traz três principais argumentos:

  1. Apoio ostensivo e participação direta do Presidente da República em manifestações de índole antidemocrática e afrontosas à Constituição em que foram defendidas gravíssimas transgressões institucionais, tais como o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal;
  2. Tentativa de indicação de autoridades da Polícia Federal que estejam submetidas aos desígnios de natureza privada do ocupante da Presidência da República; e
  3. Atuação e pronunciamentos temerários e irresponsáveis” diante da pandemia de covid-19.

A Folha de S. Paulo não deixa de colocar também uma faca no pescoço do vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), ao lembrar que existe cinco ações no Tribunal Superior Eleitoral que pedem a cassação da chapa completa.

“Caberá ao próximo presidente do tribunal, Luís Roberto Barroso, que toma posse nesta segunda-feira (25), levá-las a julgamento”, anota o jornalão.