Com Bolsonaro, pandemia virou ‘grande experimento genocida’, diz ex-ministro da Saúde

Para o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, a segunda troca no comando da pasta, em menos de um mês, já seria “profundamente deletério” numa situação normal. Em meio ao “maior desafio sanitário” da história do país, por conta da pandemia de coronavírus, trata-se de uma “grande irresponsabilidade”. Sem estratégia para testar e acolher os doentes, a covid-19 virou “um grande experimento genocida” durante o governo Bolsonaro.

“O Brasil de Bolsonaro virou um grande experimento genocida. Já que o governo alega que não tem competência para testar, diagnosticar e acolher, vamos liberar geral. Quem sobreviver, fica por aí. Isso, para mim, se chama eugenia ou darwinismo social”, criticou Chioro em entrevista à Rádio Brasil Atual, nesta segunda-feira (18).

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De acordo com o balanço divulgado no último domingo (17), foram registradas 485 mortes registradas nas últimas 24 horas no país. Dois meses após a primeira morte pela doença, o total de casos chegou a 241.080, com 16.118 mortes.

Quando Nelson Teich assumiu o Ministério da Saúde, o Brasil havia registrado 2.143 mortes pelo novo coronavírus. Ao deixar a pasta, na última sexta-feira (15), o total de óbitos se aproximava a 14 mil. Para Chioro, o Brasil deve se tornar um epicentro mundial da doença nos próximos dias, atrás apenas dos Estados Unidos.

Determinações absurdas
Independentemente do nome que seja anunciado para comandar o ministério da Saúde, o indicado terá que cumprir duas “determinações absurdas” emanadas do presidente: “operar a fragilização do isolamento social e tentar colocar goela abaixo a prescrição de cloroquina para toda a população brasileira.” O ex-ministro destacou que nunca houve ingerência desse tipo no Ministério da Saúde.

Ele destaca que o país avançou de 100 mil a 200 mil casos em cerca de uma semana, o que demonstra que o forte ritmo de ascensão da doença. O total de casos deve dobrar novamente em curto período. Já o pico da doença, Chioro acredita que deve ocorrer “na segunda ou terceira semana de junho”. Mas “não é possível saber” o tamanho desse pico, nem se vai adentrar o mês julho.

Assista ao vídeo da entrevista:

Por RBA