Brasil pode ter mais de 1,6 milhões de casos de coronavírus, diz estudo

O Brasil tem oficialmente mais de 160.000 casos confirmados do novo coronavírus, mas este número pode ser 10 vezes maior. É o que diz um estudo publicado na última sexta-feira (8) pelo grupo técnico-científico Covid-19 Brasil. As informações são da Agência Fapesp.

O grupo Covid-19 Brasil é um pool formado por mais de dez universidades brasileiras para monitorar a situação da pandemia por meio de técnicas de ciência de dados. De acordo com a estimativa, 526 mil desses casos estão no estado de São Paulo, epicentro da doença no país.

A contabilização desses casos ocultados das estatísticas pela subnotificação colocaria o Brasil como o novo epicentro da doença no mundo, ultrapassando os 1,2 milhão de casos registrados nos Estados Unidos, país com população maior que a brasileira.

De acordo com o coordenador do Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da faculdade de medicina da USP, Domingos Alves, “existe uma grande subnotificação de casos”, pois as autoridades de saúde “estão testando só os casos graves, de pessoas que vão aos hospitais”. Para ele, o estudo é importante para revelar a verdadeira situação da doença no país.

“A motivação deste estudo é, de alguma forma, contribuir para o planejamento da pandemia, pois com essa subnotificação tremenda só estamos vendo a ponta do iceberg”, afirmou Domingos em entrevista à repórter Maria Fernanda Ziegler, da Agência Fapesp.

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O pesquisador ressalta ainda que uma projeção mais realista permite que os governos dos estados tenham maior capacidade de planejar medidas e levantar recursos para combater a pandemia.

“Para se ter uma noção real da dimensão, o ideal seria fazer testes em massa. Como não temos testes disponíveis para todos, as estimativas podem servir de base para o gerenciamento de medidas de confinamento, necessidade de novos leitos e da abertura de hospitais de campanha”, aponta.

Para chegar ao número de casos 14 vezes maior que o registro oficial, os pesquisadores se basearam nos dados epidemiológicos da Coreia do Sul e ajustaram fatores como pirâmide etária, porcentual de comorbidades e fatores de risco para covid-19 na população brasileira.

O ajuste contou ainda com informações sobre o número de óbitos.

*Com informações da Agência Fapesp