Bolsonaro reage às investigações do STF

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dá seus pulos para conter as investigações do Supremo Tribunal Federal (STF), que acelera buscas por provas sobre interferência na Polícia Federal.

O ministro Celso de Mello, relator do inquérito na corte acerca da interferência de Bolsonaro na Polícia Federal, tem adotado ritmo célere em busca de provas para sustentar a investigação contra Jair Bolsonaro.

O decano deixará o STF no dia 1º de novembro próximo, quando se aposentará compulsoriamente aos 75 anos.

Bolsonaro indicará o substituto de Celso de Mello que herdará, além da cadeira, a relatoria dos processos que tramitam no Supremo.

Pois bem, enquanto isso, na política real, Jair Bolsonaro reage às investigações estimulando aglomerações e insultos a adversários políticos e instituições.

Neste domingo, 24 de maio, por exemplo, bolsonaristas voltam a se concentrar em Brasília em mais um protesto favorável ao presidente da República.

Trata-se de um primeiro ato político após a divulgação do famigerado vídeo da reunião ministerial, no dia 22 de abril, em que Bolsonaro diz palavrões e admite interferir na PF.

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O passo a passo do impeachment de Bolsonaro, segundo a Folha

O jornal Folha de S. Paulo, edição deste domingo (24), publica o passo a passo do processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Ao explicar o que pode acontecer com Bolsonaro, o jornalão paulistano desenhou o passo a passo (linha do tempo):

  • Investigações das denúncias de Moro;
  • Impeachment; e
  • Cassação da chapa Bolsonaro-Mourão.

Ao relatar que já são mais de 30 pedidos de impeachment protocolados na Câmara dos Deputados, o jornalão agrava a situação do presidente afirmando que se trata da pior crise alimentada por acusações de que Bolsonaro teria tentado interferir em investigações tocadas pela Polícia Federal.

Como não poderia ser diferente, a Folha bota uma azeitona do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, destacando que sua acusação foi que motivou a abertura de uma investigação que pode culminar com o afastamento de Bolsonaro.

O pedido de impeachment do qual se refere a Folha foi protocolado na quinta-feira por mais de 400 entidades, partidos políticos, intelectuais, juristas. O documento, que pode ser lido na íntegra aqui, traz três principais argumentos:

  1. Apoio ostensivo e participação direta do Presidente da República em manifestações de índole antidemocrática e afrontosas à Constituição em que foram defendidas gravíssimas transgressões institucionais, tais como o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal;
  2. Tentativa de indicação de autoridades da Polícia Federal que estejam submetidas aos desígnios de natureza privada do ocupante da Presidência da República; e
  3. Atuação e pronunciamentos temerários e irresponsáveis” diante da pandemia de covid-19.

A Folha de S. Paulo não deixa de colocar também uma faca no pescoço do vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), ao lembrar que existe cinco ações no Tribunal Superior Eleitoral que pedem a cassação da chapa completa.

“Caberá ao próximo presidente do tribunal, Luís Roberto Barroso, que toma posse nesta segunda-feira (25), levá-las a julgamento”, anota o jornalão.