Bolsonaro quer liberdade para impor projeto neofascista no Brasil, por Pedro Carrano

O jornalista Pedro Carrano, do jornal Brasil de Fato, em artigo especial, discute casos de racismo no mundo e faz um paralelo com o caso brasileiro.

“Os discursos e os propósitos se assemelham”, diz o articulista, ao comparar a ideologia nazista de perseguição racial com a dos Estados Unidos nos dias atuais.

Carrano começa a discussão sobre a postagem “abertamente fascista” do presidente Jair Bolsonaro. O post supostamente seria de luta por liberdade, mas… “No caso, sabemos então de que liberdade está falando Bolsonaro, baseado na experiência estadunidense.”

“A liberdade de expansão e morte em territórios demarcados, indígenas, quilombolas, de proteção ambiental, sob liderança do agronegócio. A liberdade de pressionar a vontade os outros poderes. A liberdade de avançar em um projeto neofascista no Brasil”, escreve o jornalista do Brasil de Fato.

Leia a íntegra do artigo:

Bolsonaro, racismo nos EUA e Hitler

Pedro Carrano*

Uma postagem nesta semana de Bolsonaro é abertamente fascista, assim como muitas sinalizações do governo, intensificadas com o período de pandemia, indiferente ao drama de mais de 25 mil mortes no Brasil.

O post, no caso, é um vídeo de um senhor estadunidense, datado de 2008. Depois de tecer uma série de ideias meio incompreensíveis, ele chega ao ponto que interessa, saca uma espingarda no meio da palestra e diz que vai lutar por alguma liberdade. Sabemos de qual liberdade ele está falando e contra quem.

Um fascismo atualizado e mascarado de ideologia estadunidense.

Noam Chomsky já escreveu sobre como a repressão organizada pelos EUA na Guatemala, país da América Central, nos anos 70 e 80, contou com o acúmulo de técnicas aprendidas com os nazistas.

Já o pensador italiano Domenico Losurdo acerta em cheio quando mostra a influência mútua entre o Reich de Hitler e o imperialismo nascente estadunidense. Ambos contavam com o aspecto do discurso de perseguição racial. Hitler buscava se livrar dos povos do Leste Europeu e expandir-se naquela direção. Losurdo compara as ideias do Reich ao genocídio e expansão do império nascente em território indígena e da brutal escravidão do país americano, fundado em nome da “liberdade”.

Os discursos e os propósitos se assemelham. E, nesta semana, quando o mundo viu com pavor o assassinato de um homem negro pela violência policial, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, é mais um fato para mostrar que o racismo e a perseguição, na prática e na ideologia, seguem legitimados. Abordado sem qualquer razão, imobilizado no chão, ele foi sufocado até a morte por um policial branco.

É essa “liberdade” de que trata agora Bolsonaro.

O sociólogo Florestan Fernandes, no livro “O que é revolução” alertava para a questão de palavras e conceitos estarem em disputa entre as classes dominantes e as classes oprimidas.

No caso, sabemos então de que liberdade está falando Bolsonaro, baseado na experiência estadunidense. A liberdade de expansão e morte em territórios demarcados, indígenas, quilombolas, de proteção ambiental, sob liderança do agronegócio. A liberdade de pressionar a vontade os outros poderes. A liberdade de avançar em um projeto neofascista no Brasil.

*Pedro Carrano, integrante da organização Consulta Popular e coordenador do jornal Brasil de Fato Paraná.

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Um repórter e a equipe de filmagem da rede norte-americana CNN foram presos ao vivo enquanto realizavam a cobertura dos protestos, desta quinta-feira (28), em Minneapolis, nos Estados Unidos. O repórter Omar Jimenez se identificou como jornalista e apesar de não receber nenhuma ordem policial, foi algemado e levado pelos agentes.

Cerca de uma hora após a prisão, a equipe foi liberada pelos policiais. Ao retornar em frente as câmeras, Jimenez afirmou que “vocês viram o que aconteceu. O país viu o que aconteceu. Nós estamos vendo o que está acontecendo nessa semana”.

Manifestantes incendiaram uma delegacia de polícia na região, na terceira noite de protestos pelo assassinato de um homem negro após sua detenção. Milhares de pessoas testemunharam o incêndio na zona norte da cidade, depois que algumas pessoas derrubaram as barreira que protegiam o edifício e quebraram as janelas.

Os policiais da delegacia deixaram o local antes do incêndio. “Pouco depois das 22h, no interesse da segurança de nossos funcionários, a polícia de Minneapolis saiu da delegacia”, afirma um comunicado da força de segurança.

A morte de George Floyd, de 46 anos, é a mais recente de uma longa série de assassinatos de negros pela polícia.

Os protestos, saques e lojas incendiadas na noite de quarta-feira (27) prosseguiram durante toda a madrugada de quinta.

Por sua vez, as autoridades estaduais alertaram que não tolerariam mais excessos, garantindo ao mesmo tempo que o caso está sendo investigado.

Assista ao vídeo: