Bolsonaro profana o luto e debocha das mortes pela Covid-19

Para o ativista social Milton Alves, em artigo especial, o “Fora Bolsonaro”, com a ampliação do protesto popular, é a única fórmula política que acumula forças para derrotar o projeto neofascista, genocida e de profanação dos sentimentos do povo brasileiro.

Leia a íntegra do texto:

Bolsonaro profana o luto e debocha das mortes pela Covid-19

Por Milton Alves*

O presidente Jair Bolsonaro foi longe de mais neste fim de semana. É verdade que Bolsonaro é insensível, prepotente, que segue preocupado apenas com a manutenção de seu grupo extremista e genocida no governo. Os nervos mais sensíveis e os vasos comunicantes de alteridade entre as pessoas exigem da conduta do líder de um país gestos mínimos de preocupação com a sorte da coletividade -, ainda mais quando se trata de sentimentos como o luto e o infortúnio econômico.

Nas duas situações, o comportamento de Bolsonaro é de um alheamento atroz. Na semana em que o país ultrapassou 10 mil mortes por coronavírus e mais de 600 casos fatais diários, Bolsonaro divulgou a realização de um churrasco no Palácio Alvorada (que depois foi cancelado) e foi passear de jet ski no Lago Paranoá durante a manhã de sábado (9). Ao mesmo tempo, que um pequeno grupo de bolsonaristas realizava um esvaziado ato golpista a favor do fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília.

O comportamento de Bolsonaro, com certeza, não passou desapercebido dos parentes das vítimas fatais da Covid-19 e dos milhares de brasileiros internados em hospitais e nos leitos improvisados de campanha nas capitais mais atingidas pela pandemia como São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Belém, Fortaleza e São Luiz do Maranhão.

Guardar o luto nas camadas populares é uma questão sagrada. Até os bandidos mais hediondos e facínoras, como os traficantes, respeitam a morte dos membros da comunidade onde operam o seu criminoso negócio. Aliás, os bandidos até utilizam o momento de dor para impulsionar uma aproximação maior com a população da comunidade, pagando muitas vezes as despesas do enterro.

A boçalidade fascistoide de Bolsonaro tem despertado a atenção, cada vez maior, de segmentos da população brasileira que estavam fora do circuito do debate político nacional. Para além da polarização política em curso, milhões de brasileiros foram tangidos e tocados com violência pelos efeitos econômicos e sanitários da pandemia do coronavírus.

Todos enxergam o desprezo e o pouco caso de Bolsonaro, que não apresentou nem formalmente as condolências aos falecidos pelo coronavírus. Gesto que o Congresso Nacional e o STF adotaram formalmente neste fim de semana.

Nas famílias mais pobres pessoas morreram ou seguem contaminadas, com ou sem hospitalização, e milhões se encontram economicamente arruinadas – “sem eira, nem beira”, como diziam os mais velhos. Enfrentam filas kilométricas nas portas da Caixa Econômica e uma infernal burocracia digital para tentar acessar uma ajuda emergencial e insuficiente de R$ 600. Um caldo de dor e ressentimento que vai cobrar o seu preço político mais cedo ou mais tarde.

Neste sentido, ao lado da correta campanha da esquerda em solidariedade aos setores mais fragilizados da população, é imperativo impulsionar um vigoroso movimento político para pôr fim ao governo neofascista de Bolsonaro.

O governo bolsonarista não vai cair de podre. É preciso afastá-lo do Planalto, combinando todas as formas de lutas e com os meios legais e constitucionais que estão ao nosso alcance. Além disso, é preciso levar em conta, que apesar do crescente isolamento e desgaste político, o bolsonarismo reúne bolsões beligerantes e radicalizados que oporão uma dura resistência diante de uma insurgência para derrotá-lo.

Portanto, o “Fora Bolsonaro”, com a ampliação do protesto popular, é a única fórmula política que acumula forças para derrotar o projeto neofascista, genocida e de profanação dos sentimentos do povo brasileiro.

*Milton Alves é ativista político e social. Autor livro ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada Contra Lula e o PT’ (kotter Editorial).

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Crescem as chances de impeachment de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem ampliado o fosso entre a realidade e seu mundo particular recheado de ironias, piadas, apatias, ódios, preconceitos e malandragens.

Na política concreta, os partidos e entidades da sociedade civil veem aumentar as chances de impeachment –a despeito de Bolsonaro tentar “cooptar” com cargos o Centrão.
Para barrar a abertura de um processo na Câmara, o presidente da República precisa reunir 171 votos, ou um terço da Casa.

Numa conta elástica, hoje, Bolsonaro teria cerca de 159 votos contrários ao impeachment.

Então, vamos aos números das bancadas na Câmara.

Bolsonaro não tem partido, logo ele lidera “zero” parlamentares –embora exista uma bancada que se diz “governista”.

GOVERNISTAS:

PSL – 25 deputados*
CENTRÃO:

  • PP – 40 deputados
  • PL – 39 deputados
  • PSD – 37 deputados
  • REP – 31 deputados
  • SD – 12 deputados
  • PODE – 11 deputados
  • PTB – 12 deputados
  • PROS – 10 deputados
    SUBTOTAL – 192 DEPUTADOS
    Quebra histórica de 30%, ou seja, 58 deputados, logo o governo teria do Centrão 134 votos contrários ao impeachment.

GRUPO RODRIGO MAIA

  • MDB – 34 deputados
  • PSDB – 32 deputados
  • DEM – 28 deputados
    SUBTORAL – 94 DEPUTADOS

OPOSIÇÃO

  • PT – 53 deputados
  • PSB – 30 deputados
  • PDT – 28 deputados
  • PSOL – 10 deputados
  • PCdoB – 8 deputados
  • REDE – 1 deputado
  • PSL – 16 deputados*
    SUBTOTAL – 146 DEPUTADOS
    (*) PSL tem 41 deputados, mas a bancada está rachada.