As quatro crises brasileiras, segundo o líder do PT na Câmara

O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PT-PR), assertivamente enumera as quatro crises brasileiras nesses tempos de coronavírus e de ameaças à ordem democrática:

  1. Sanitária;
  2. Proteção Social;
  3. Econômica; e
  4. Bolsonaro.

O leitor já sabe de cor as três primeiras crises gerada pelo modelo neoliberal ora em curso, mas a quarta crise merece destaque: Bolsonaro.

“Bolsonaro é o problema político brasileiro. Ele é o entrave entre o vírus e a capacidade de o Brasil combatê-lo, sabotando-o com políticas erráticas, evasivas e descabidas, garantindo o lucro futuro dos bancos e mantendo 10 milhões de pessoas na expectativa de R$ 600, que não chegam”, escreve o líder Enio Verri.

Leia a íntegra do texto:

As quatro crises brasileiras

Enio Verri*

O mundo vive três crises. Uma sanitária, uma de proteção social e, uma outra, econômica. A desigualdade de renda, na maior parte do mundo, e as terríveis condições de vida dos mais pobres, agrava a sanitária, aumenta a necessidade do cuidado com os que menos acesso tem às riquezas produzidas pela classe trabalhadora, para se evitar o morticínio da população. Além da questão humanitária, a mais importante, não se pode desprezar a questão econômica. Para a economia de qualquer país se desenvolver, ela precisa de gente, pra produzir e consumir. Nesse aspecto, cada qual dentro das demandas e da capacidade de endividamento, os países com os maiores êxitos no combate à pandemia são os que promoveram condições para seus cidadãos, notadamente os mais pobres, cumprirem o vital isolamento.

Países com capacidade econômica tão díspares, como Argentina, Alemanha e Venezuela, apresentam resultados superiores aos do Brasil, que não é rico como a Alemanha, mas tem mais recursos para investimento que os nossos vizinhos, que também fecharam suas fronteiras conosco, assim como os EUA, devido ao risco que o País presenta para a região e para o mundo. Diferente do resto do mundo, no Brasil, além das três crises, enfrenta-se uma quarta, chama Bolsonaro. O atraso no processo de afastamento do presidente é um caminho sem volta para uma crise humanitária sem precedentes, que pode passar de 1,3 milhão de mortos. As instituições estão demorando muito para encaminhar um processo que ganha cada vez mais adesão popular. A declarada política de negligência já não passa despercebida. Haja vista as orquestradas, porém cada vez menores manifestações de apoio, bem como a expulsão de Bolsonaro de uma área de Brasília, eminentemente bolsonarista, quando ele saiu às ruas para testar sua popularidade.

Com cada vez mais evidências que justifiquem o afastamento, Bolsonaro dificulta a vida dos parlamentares que agora embarcam no governo, em toca de defendê-lo, caso o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, decida dar andamento em algum dos 36 pedidos de impeachment que dormitam na Presidência da Casa do Povo. A pressão popular fará toda a diferença na decisão do deputado ainda em dúvida se apoia ou não o moribundo e putrefato governo. É extremamente doloroso e preocupante proceder com o afastamento de um presidente, em meio a uma pandemia, mas isso é feito para evitar um desastre ainda maior. Infelizmente, não há outro caminho, uma vez que são reiteradas as demonstrações de Bolsonaro de que seu único interesse é defender a si e sua família, não se importando com rastro de destruição e morte que isso custará. Em breve, os mais de 30 mil mortos que ele desejou estarão sob seus pés.

Bolsonaro é o problema político brasileiro. Ele é o entrave entre o vírus e a capacidade de o Brasil combatê-lo, sabotando-o com políticas erráticas, evasivas e descabidas, garantindo o lucro futuro dos bancos e mantendo 10 milhões de pessoas na expectativa de R$ 600, que não chegam. O País está sendo desqualificado pela imprensa internacional, o Real se tornou uma moeda tóxica e os brasileiros não são bem vindos em canto algum do mundo. Tudo devido ao governo fanático de Bolsonaro. Ele nega a ciência, a escravidão, a ditadura o holocausto judeu. O seu primeiro ato, quando foi obrigado a reconhecer a pandemia, foi o de sugerir um jejum. Não é possível que a sociedade brasileira creia mesmo que essa pessoa tem alguma qualificação para conduzir o País, nas atuais crises. A permanência de Bolsonaro será o aprofundamento delas, cujas consequências serão sentidas majoritariamente pelos pobres. O afastamento do presidente é condição para evitar um mal ainda maior. Fora, Bolsonaro, em nome da vida.

*Enio Verri é economista e professor aposentado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e está deputado federal e líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados.

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O ex-presidente Lula debate nesta terça-feira (26), às 18h, como a pandemia do coronavírus tem afetado a vida e a rotina de atingidos por hanseníase por todo o país.

O último encontro de Lula com os atingidos ocorreu em fevereiro de 2018, na cidade de Betim (MG), dois meses antes da prisão política do ex-presidente. Emocionado, Lula lembrou na ocasião a promulgação da Medida Provisória 373/2007, que concedeu pensão vitalícia às pessoas com hanseníase vítimas de internação e isolamento compulsórios em hospitais-colônia.

Durante mais de 60 anos, pacientes que fossem diagnosticados com a doença eram isolados do convívio com a sociedade, obrigados a se internar em hospitais-colônia, política que só foi encerrada em 1986.

Participam do debate nesta terça-feira os integrantes do Morhan (Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase) Valdenora Rodrigues, da antiga Colônia do Aleixo, em Manaus (AM), Nelson Pereira Flores, da antiga Colônia de Santa Isabel, em Betim (MG), Terezinha Prudencio Silva, da antiga Colônia Souza Araújo, em Rio Branco (AC), José Gomes da Silva, da antiga Colônia Hernandes, em Cruzeiro do Sul (AC), e o coordenador nacional do movimento, Artur Custódio.

Daniel Filho, da Globo, diz ter ‘inveja’ do governo argentino

O ator e diretor Daniel Filho, da Globo, disse em entrevista no programa ‘Conversa com o Bial’, na noite desta segunda-feira (25), que tem inveja do governo do argentino Alberto Fernández.

“A nossa inveja dos argentinos. Um governante que toca violão dizendo: ‘fica em casa’. Preocupado primeiro com a vida. O dinheiro, rapaz, você depois imprime”, disse, comparando com as atitudes do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. O dinheiro é uma invenção.

O jornalista Pedro Bial aproveitou a deixa para elogiar o keynesianismo, qual seja, a retomada do projeto desenvolvimentista em detrimento do neoliberalismo de Bolsonaro e Paulo Guedes: “Olha, não é você que é artista que está dizendo isso aí. Economistas sérios também dizem isto aí.”

Bolsonaro tem feito campanha e comícios pelo fim do isolamento social e despreza o avanço do coronavírus. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, já são 23,5 mil mortos e 376 mil casos confirmados da doença.

‘É uma guerra mundial onde não tem ninguém atirando’, afirmou o ator e diretor da Globo, um dos grandes nomes da TV no Brasil. Ele revelou que as pessoas têm que parar quanto tempo for necessário para derrotar o vírus.

Assista ao vídeo com Alberto Fernández, presidente da Argentina, tocando violão: