A farra publicitária de Bolsonaro em sites ilegais e de fake news na reforma da previdência

A excelente jornalista Patrícia Campos Mello, na Folha, mostra neste sábado (9) como o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) faz uma farra publicitária em sites ilegais, de jogos de azar e fake news com o intuito de aprovar a reforma da previdência.

A repórter analisou as planilhas de gastos do “Churrasqueiro da Morte” disponibilizadas pela Secom (Secretaria Especial de Comunicação da Presidência) por determinação da CGU (Controladoria-Geral da União), a partir de um pedido por meio do Serviço de Informação ao Cidadão.

Analisando planilhas do GoogleAdsense, se constata que a Secom contratou agências de publicidade que fazem compras de espaços para campanhas em sites, canais do YouTube e aplicativos para celular.

Dentre os agraciados com verbas públicas, estão os seguintes sites:

  • Turma da Mônica (canal do Youtube – infantil)
  • Planeta Gêmeas (canal do Youtube – infantil)
  • Get Movies (canal russo no Youtube – infantil)
  • Kids Fun (canal do Youtube – infantil)
  • resultadosdobichotemporeal.com.br (jogo do bicho)
  • Sempre Questione (fake news)
  • Diário do Brasil (fake news)
  • “Brazilian Trump” (aplicativo de fake news)
  • “Top Bolsonaro Wallpapers” (aplicativo de fake news)
  • “Presidente Jair Bolsonaro” (aplicativo de fake news)
  • Terça Livre TV (canal de Youtube – fake news)

A reportagem de Patrícia Campos Mello esclarece que, após cinco meses do pedido, a Secom liberou planilhas que compreendem apenas o período de 6 de junho a 13 de julho de 2019 e 11 a 21 de agosto de 2019. No entanto, percebe-se o caminho percorrida pela verba para a campanha do governo a favor da diabólica reforma da previdência.

Os documentos não especificam o total gasto pela Secom com os anúncios. Em maio de 2019, a secretaria anunciou que gastaria R$ 37 milhões em inserções publicitárias sobre a reforma da Previdência, em televisão, internet, jornais, rádio, mídias sociais e painéis em aeroportos.

Quanto à preferência de canais infantis para os anúncios do governo, é muito estranho. Talvez caiba uma investigação à luz do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Mas a infantilização de Bolsonaro e seus filhos pode ser medida pela fala do presidente da Republica em agosto de 2019:

“Eu, Johnny Bravo, Jair Bolsonaro, ganhou, porra! Ganhou, porra! Vamos entender isso”, disse Bolsonaro. “Eu sou o Johnny Bravo, porra”, afirmou, referindo-se a uma série americana de desenho animado.

Johnny Bravo (Jeff Bennet) era um jovem narcisista e machista que nunca tinha sucesso nas suas tentativas de conquista, que vivia com a sua mãe Bunny (Brenda Vaccaro) e era constantemente “aborrecido” por uma pequena menina, Little Suzy (Mae Whitman) e um nerd com óculos que o idealizava, o Carl (Tom Kenny).

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STF recebe cópia de gravação citada por Sérgio Moro

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu na noite de ontem (8) a cópia da gravação de uma reunião, realizada no dia 22 de abril, entre o presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão, ministros e presidentes de bancos públicos. O registro da reunião foi solicitada pelo decano, que determinou que a mídia seja mantida em segredo de Justiça.

No despacho proferido na terça-feira (5), Celso de Mello pediu a cópia da gravação à Secretaria-Geral e à Secretaria de Comunicação da Presidência da República ao atender o pedido de diligência feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito que apura as declarações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, sobre suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal (PF). A reunião foi citada por Moro em depoimento à PF na semana passada.

Desde a exoneração de Moro, o presidente nega que tenha pedido para o então ministro interferir em investigações da Polícia Federal.

As imagens da reunião foram entregues pelo advogado-geral da União, José Levi do Amaral, em um HD externo. De acordo com documento que comprova a entrega, a mídia “contém o inteiro teor, sem qualquer edição ou seleção de fragmento” da gravação da reunião.

Durante a semana, antes da entrega, a Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu restrições ao envio da gravação. Na primeira petição, a AGU pediu que a entrega fosse revogada “pois nela foram tratados assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado, inclusive de Relações Exteriores, entre outros”. Ontem (7), o órgão pediu que o ministro também analisasse a possibilidade de entregar somente uma parte da gravação da reunião.

No início da tarde de sexta-feira, a AGU solicitou que seja definida a cadeia de custódia, ou seja, por quais órgãos o vídeo deve passar até que seja periciado.

Após receber as manifestações do órgão, Celso de Mello pediu parecer da PGR sobre o assunto.

Hoje é dia do #ChurrascoDaMorte de Bolsonaro

As redes sociais amanheceram este sábado (9) ensandecidas com o “Churrasco da Morte” convocado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Palácio do Alvorada.

No Twitter, os navegantes levantaram a hashtag #ChurrascoDaMorte para lembrar que, enquanto o presidente faz festa, hoje o Brasil possivelmente chegará a 10 mil mortes por coronavírus.

Bolsanaro disse no final do dia de ontem que receberá até 3 mil convidados para o tal “Churrasco da Morte” e para jogar uma “pelada” de futebol na residência oficial.

O ex-aliado MBL (Movimento Brasil Livre) ingressou na Justiça contra a realização do festerê presidencial, sob pena de multa de R$ 100 mil e mais responsabilização penal.

“Tem mil e trezentos convidados, quem vier aqui amanhã, se tiver mil [pessoas] eu boto pra dentro [do Palácio do Alvorada]. Vamos fazer um churrasco para mais ou menos 3 mil pessoas”, prometeu o presidente, se dirigindo a correligionários.

“Estou cometendo um crime. Vou fazer um churrasco no sábado aqui em casa. Vamos bater um papo, quem sabe uma ‘peladinha’, alguns ministros, alguns servidores mais humildes que estão do meu lado”, revelou na quinta-feira (7).

Ainda sobre o churrasco deste sábado, o presidente disse que vai fazer uma vaquinha de R$ 70. “Não vai ter bebida alcoólica senão a primeira-dama coloca todo mundo para correr.”

Nas redes sociais, Bolsonaro foi alvo de duras críticas pelo planejamento da festa. Os internautas até fizeram a seguinte linha do tempo:

  • 100 mortos – “histeria”
  • 1.000 mortos – “gripezinha”
  • 2.000 mortos – “está indo embora”
  • 3.000 mortos – “eu não sou coveiro”
  • 5.000 mortos – “e daí?”
  • 10.000 mortos – “vou fazer um churrasco”

“Vai comemorar o quê? Com 140 mil infectados e 10 mil mortos pela Covid-19, vai pedir o fim do isolamento social?”, questionou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

Para o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), Bolsonaro prefere fazer piada e, contrariando todas as regras de prevenção, diz que vai fazer um churrasco para 30 amigos com direito a futebol. “É podre. É nefasto. É inexplicável. É enjoativo.”

“Sábado vamos chegar a 10 mil mortos no Brasil.E o Bolsonaro vai fazer um churrasco .O que ela vai comemorar?, quis saber o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP).

Perguntado porque não suspendia o churrasco para dar o bom exemplo, Bolsonaro ironizou dizendo que a festa será para 3 mil pessoas.