Regina Duarte ‘duela’ com o ministro do Turismo por cargos na Cultura


A secretária especial da Cultura, ex-atriz Regina Duarte, e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, travam um duro combate pela nomeações de cargos no órgão. A secretaria da Cultura atravessa uma turbulência desde o início do governo bolsonarista.

A atual Secretaria Especial da Cultura já passou pelos ministérios da Educação e da Cidadania. Em novembro de 2019, foi transferida novamente, desta vez para o Ministério do Turismo.

Ao empossar a atriz Regina Duarte, em março, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que ela merecia mais do que uma secretaria. No entanto, segundo o presidente, ela teria de passar por um “momento probatório“.

Nos últimos dias, Marcelo Álvaro Antônio nomeou aliados para cargos estratégicos no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sem consultar Regina Duarte. A indicação mais recente foi da blogueira Monique Batista Aguiar para a coordenação do Iphan no Rio de Janeiro.

O Iphan sempre esteve subordinado à Secretaria Especial da Cultura, mas Marcelo Antônio tem um projeto político que passa pelo Instituto. Especialmente no seu estado, Minas Gerais. A ideia do ministro do Turismo é comandar tudo o que não diga respeito às artes cênicas e visuais.

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Regina Duarte, em contrapartida, já tirou aliados de Marcelo Álvaro Antônio da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Um deles é Leônidas José de Oliveira, demitido por Regina da direção executiva da Fundação. Leônidas, que já foi secretário municipal em Belo Horizonte, é considerado pelo setor como um respeitado quadro técnico.

“Eu era o mais graduado na área e o que tinha maior bagagem de gestão, mas não guardo mesmo ressentimento [em relação à demissão] de Regina. Sou técnico”, afirmou Leônidas de Oliveira à coluna.

Regina Duarte foi apoiadora de Jair Bolsonaro nas eleições e acabou convidada a assumir a Secretaria Especial da Cultura em janeiro, tomando posse em março, após um longo período de “namoro” e “noivado”, até chegar finalmente ao “casamento”, conforme o próprio presidente tratou o tema na época.

Enquanto a guerra continua, programas e projetos culturais que dependem do governo federal estão paralisados.

*Com informações da revista Veja