Por um 1º Maio classista pelo ‘Fora Bolsonaro’ e em defesa da vida: sem Maia, Doria, FHC, Toffoli e Witzel…

O ativista social Milton Alves repercute que o tal “palaque virtual” no 1º de Maio com a direita — Maia, Doria, FHC, Toffoli e Witzel– eleva a temperatura na CUT e demais centrais sindicais.

O articulista afirma que esse “frente amplismo” senil e reboquista em nada contribui para a luta pela democracia e em defesa do emprego.

“O 1º de Maio de 2020, Dia Internacional dos Trabalhadores, acontece marcado por uma brutal ofensiva do governo da extrema-direita e dos patrões contra os direitos dos trabalhadores, com demissões em massa, acordos draconianos de redução de salários e de novas medidas no Congresso Nacional de precarização das relações de trabalho”, contextualiza.

Para Milton, nada justifica a participação no “palanque virtual” dos responsáveis pelo golpe antidemocrático contra a ex-presidente Dilma Rousseff e dos apoiadores no Congresso das reformas trabalhista e previdenciária de Bolsonaro e Paulo Guedes.

Leia a íntegra do artigo:

“A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”

Por um 1º Maio classista pelo ‘Fora Bolsonaro’ e em defesa da vida: sem Maia, Doria, FHC, Toffoli e Witzel…

Por Milton Alves*

O 1º de Maio de 2020, Dia Internacional dos Trabalhadores, acontece marcado por uma brutal ofensiva do governo da extrema-direita e dos patrões contra os direitos dos trabalhadores, com demissões em massa, acordos draconianos de redução de salários e de novas medidas no Congresso Nacional de precarização das relações de trabalho. O cenário é agravado mais ainda por uma pandemia do coronavírus, que ameaça diretamente a vida dos trabalhadores e da população mais pobre do país.

Diante de um quadro de tamanha gravidade e de uma crise política que se aprofunda, o momento exige do conjunto do movimento sindical uma resposta firme e organizada da classe trabalhadora em defesa de seus direitos, da democracia e da vida, com a realização de um 1º de maio classista e combativo pelo “Fora Bolsonaro” e o fim das políticas de ajustes e privatizações neoliberais.

No entanto, segundo o jornal Folha de São Paulo, os líderes sindicais resolveram ampliar o “palanque virtual” do 1º de Maio convidando notórios representantes da velha direita e inimigos declarados da classe trabalhadora.

“Reunidos em uma teleconferência na tarde desta terça-feira (21), após uma audiência com líderes dos partidos do chamado centrão, os dirigentes das seis principais centrais sindicais brasileiras —CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB— reforçaram a decisão de alargar o palanque, desta vez virtual, na tradicional comemoração do Dia do Trabalho, em 1º de maio, para fazer a defesa do emprego e da democracia. Na avaliação das centrais, ambos estão sob ameaça”, diz o texto assinado pela jornalista Catia Seabra.

Na lista de convidados pelas centrais estão os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), José Dias Toffoli. Além dos governadores Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro, e João Doria (PSDB), de São Paulo, que também deverão falar aos trabalhadores em mensagens exibidas durante a live.

Esse “frente amplismo” senil e reboquista, que reúne neoliberais privatistas, golpistas como Maia e Toffoli, Doria, o “Bolsodoria” da chacina de Paraisópolis, o carniceiro Witzel (do tiro na cabecinha, lembram?), em nada contribui para a luta pela democracia e em defesa do emprego. Ao contrário, aos olhos dos trabalhadores, a confraternização da cúpula sindical com as lideranças políticas da velha direita, apenas revela o quanto a direção das centrais sindicais estão distantes das reais demandas da classe trabalhadora.

Nada justifica, muito menos em nome da democracia e do emprego, motes principais do 1º de Maio, a participação no palanque virtual dos responsáveis pelo golpe antidemocrático contra a ex-presidente Dilma Rousseff e dos apoiadores no Congresso das reformas trabalhista e previdenciária de Bolsonaro e Paulo Guedes.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) precisa rejeitar esse 1º de Maio fake e convocar um ato classista com as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Um ato com uma defesa em alto e bom som do “Fora, Bolsonaro-Mourão”, lutando pelo fim desse governo criminoso, aliado da propagação do coronavírus, e apresentando um programa de emergência econômica e sanitária para salvar o país da catástrofe iminente.

*Milton Alves é ativista político e social. Autor do livro ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada Contra Lula e o PT’.

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Projeção de queda de 15% no PIB ajudou empurrar Moro para fora do governo

Os economistas da linha desenvolvimentista estimam que o PIB (Produto Interno Bruto) pode cair em até 15% no Brasil, neste ano de 2020, em virtude da crise econômica agravada pelo coronavírus.

A pior depressão econômica da história brasileira também carrega consigo milhões de desempregados. Não há uma estimativa atualizada, mas a OIT (Organização Internacional do Trabalho) calcula que o Brasil já seja a nação com o maior número de desocupados do mundo, reservada a proporcionalidade do número habitantes; esse diagnóstico negativo foi potencializado pela reforma trabalhista, que tirou direitos e jogou para informalidade milhões de trabalhadores que então usufruíam do benefício carteira assinada.

É nesse contexto econômico que a sobrevivência política falou mais alto e ajudou a empurrar o ex-ministro Sérgio Moro para fora do governo.

O presidente Jair Bolsonaro se viu ameaçado pela deterioração da econômica. Seu “Posto Ipiranga”, o ministro da Economia Paulo Guedes, só ajeitou a vida de banqueiros e especuladores. Ele e Bolsonaro, ao invés de combater o coronavírus, optaram em destruir os trabalhadores e o povo pobre brasileiro durante a pandemia que dura um mês e meio.

Governo e aliados na mídia dizem que Bolsonaro só cairá nas pesquisas de opinião, com vistas a 2022, se morrer muita gente em decorrência da infecção pelo coronavírus. No entanto, nesta manhã deste domingo (26), o Brasil fechou o balanço com 4.057 mortes e 59.324 casos de coronavírus. É preciso mais cadáveres? A política do fim do isolamento social poderá produzir um genocídio, como alertam as autoridades sanitárias mundiais.

Bolsonaro força a barra para acabar com a quarentena porque as famílias em casa têm tempo suficiente para perceber que estão cada vez mais pobres e, caso realmente fiquem paradas, sem trabalhar, o governo federal precisaria financiar esse período. Ou seja, teria de avançar sobre o Orçamento da União reservado para o pagamento de juros e amortizações da dívida interna (R$ 1,6 trilhão) –o que mexeria com o humor de felizes banqueiros e especuladores.

Com o aumento de mortes por coronavírus, a economia deprimida pela escolha neoliberal, sua base política em adiantado estado de putrefação, não restou outra alternativa a Bolsonaro: entregar aos deputados e senadores do Centrão a cabeça de Maurício Valeixo, diretor-geral da PF, considerado o segundo braço de Moro [o primeiro decepado foi Roberto Leonel, do Coaf]. Sem os dois braços, o ex-juiz foi forçado a pedir para sair do cargo.

Bolsonaro preferiu ficar com o Centrão, o baixo clero, de onde ele emergiu e viveu por 28 anos na Câmara. Mais pelo instinto de sobrevivência do que por amor, mas fez uma escolha política. O objetivo, caro leitor, é ter um terço [171 deputados] de votos para barrar pedidos de impeachment. Ou Moro e a Lava Jato, ou o próprio mandato.

Na essência, com ou sem Moro no governo, as bases econômicas que ferram o povo continuam as mesmas. Os interesses de bancos e sanguessugas do mercado permanecem intactos. Porém, se a oposição for competente na comunicação, a rebordosa vai ser forte no governo.

Que governo atravessaria uma eleição imune a uma queda de 15% no PIB, cujos reflexos na economia ainda serão sentidos nos anos seguintes?

Os jornalões, a velha mídia, temem que a próxima vítima seja inexoravelmente Paulo Guedes, que, ao lado e Bolsonaro, sócio pela desgraça na economia. Os barões da mídia, para proteger o velho mascarado e de meias [sem sapatos], já gritam: o governo pode ser seduzido pelo “desenvolvimentismo” e pelo “populismo”. Só falta dizer que o presidente da República está sob a influência do comunismo, blá, blá, blá.

Bolsonaro foi acossado pelo coronavírus, pelo desemprego, pelo empobrecimento das famílias, pela brutal queda do PIB; ele decidiu entregar a cabeça de Moro e preservar a de Paulo Guedes, por enquanto, para assegurar o lucro de banqueiros e especuladores; por outro lado, a despeito de R$ 600 reais, a título de auxílio emergencial, o presidente combate com ímpeto de guerreiro os trabalhadores ao invés da praga do vírus.

Há, portanto, três componentes essenciais que o governo trabalha para estancar: 1. político (restabelecer-se com o Centrão); 2. econômico (aplacar a fome e o desespero); e 3. policial (troca na PF).

No final desse filme, o distinto público descobrirá que o verdadeiro vírus é Jair Bolsonaro –embora alguns continuarão sendo extirpados ao longo dessa jornada, a exemplo de Mandetta, Moro, et caterva.