Paulo Guedes quer repassar mais R$ 2 trilhões aos bancos, enquanto o povo se humilha para receber R$ 600

O ministro Paulo Guedes, da Economia, não está entendendo os sinais vindo do Líbano, no Oriente Médio, e propõe repassar mais de R$ 2 trilhões em ativos imobiliários e participação em estatais para bancos e especuladores do mercado financeiro.

“O Brasil tem ativos imobiliários que chegam a mais de R$ 1 trilhão de valor. Se acelerarmos a venda de imóveis, podemos reduzir bastante a dívida pública”, disse Guedes durante uma live nesta quarta-feira (29). Ele também lembrou que a União tem ainda entre R$ 900 bilhões e R$ 1 trilhão em participações de estatais, cujos ativos poderiam ser usados para o pagamento de juros e amortizações da dívida interna (que ninguém sabe muito sobre ela).

Os leitores do Blog do Esmael já souberam antes que, em março, no início da pandemia do coronavírus, o governo federal destinou a injeção de R$ 1,2 trilhão no sistema financeiro. Ou seja, injetou na veia dos banqueiros recursos públicos equivalentes a 16,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

O dinheiro era para ser drenado na economia durante a luta contra a Covid-19, porém, avalia o governo, esses recursos foram “empoçados no sistema financeiro”. O dinheiro era para manter abertas empresas e garantir empregos.

Traduzindo em bom português: o dinheiro não chegou ao destino, ficou empossado nos bancos que especulam com recurso alheio.

De acordo com especialistas do mercado financeiro, o dinheiro disponibilizado pelo governo “morreu” nos bancos, que preferem investir em títulos públicos.

Esclarecido isso, hoje Paulo Guedes voltou a defender mais de R$ 1 trilhão de dinheiro público para os bancos. Enquanto isso, nas filas da Caixa, milhões de brasileiros se humilham para tentar receber seiscentos reais a título de ajuda emergencial.

Guedes defendeu na live que a União venda de imóveis em lotes com remição de foro para atuais ocupantes desses bens, por meio de autorização da MP 915.

O texto que tramita nesta na Câmara dos Deputados possibilita o uso de um novo modelo de negócios dentro do governo, que permite à administração alavancar as operações de vendas de forma descentralizada, podendo contar com serviços de comunidades como cartórios, avaliadores, investidores, financiadores e corretores de imóveis. Outro aspecto inovador trazido pela MP é a possibilidade de que os cidadãos que vivem nas comunidades apontem os imóveis da União desocupados, inclusive manifestando interesse de compra.

Assista ao vídeo de Paulo Guedes:

LEIA TAMBÉM
Doria intima Bolsonaro a sair da bolha e visitar hospitais com pacientes de coronavírus

Executiva da CUT convoca para 1º de Maio solidário, de luta e “Fora, Bolsonaro”

77,1%dos brasileiros são contrários ao golpe de Rodrigo Maia, revela Paraná Pesquisas

No Líbano, bancos são queimados pela população em meio à pandemia de Covid-19

Segundo a TV Al Jazeera, pelo menos uma dúzia de bancos libaneses em todo o país foram incendiados e vandalizados durante a segunda noite consecutiva de protestos furiosos alimentados pela frustração pela depreciação irrestrita da moeda nacional –a Libra libanesa.

Centenas de manifestantes foram às ruas de Beirute ao sul de Sidon, junto com Nabatieh, o vale de Bekaa, e Trípoli e Akkar, no norte.

Embora não esteja claro quantos civis foram feridos, 81 agentes de segurança ficaram feridos em todo o país durante as tentativas de conter os distúrbios, incluindo 50 em Trípoli, disseram os militares.

Os maiores e mais violentos protestos ocorreram na cidade de Trípoli, no norte – a segunda maior e mais pobre cidade do Líbano, depois que o manifestante Fouaz al-Semaan morreu na terça-feira de ferimentos sofridos enquanto protestava na noite anterior.

A irmã do homem de 26 anos, Fátima, disse que o exército libanês atirou nele. Os militares expressaram seu “arrependimento” pelo assassinato sem reivindicar diretamente a responsabilidade e disseram que lançaram uma investigação.

A Human Rights Watch disse na terça-feira que a resposta pesada do exército aos protestos provocou tensões. Pedia uma investigação transparente da morte de al-Semaan, cujos resultados deveriam ser divulgados publicamente.

Manifestantes em Trípoli começaram a incendiar os bancos na tarde de terça-feira, depois que o al-Semaan foi morto, e os confrontos continuaram até as primeiras horas desta quarta-feira, quando eram perseguidos pelas ruas por soldados.

No sul de Sidon, uma agência do banco central foi atingida por pelo menos meia dúzia de bombas de gasolina, com aplausos da multidão de manifestantes cada vez que um Molotov atingia sua marca.