Paraná triplica internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave

Publicado em 22 abril, 2020
Secretaria de Saude. Curitiba, 10/07/2019 – Foto: Geraldo Bubniak/ANPr

O Estado do Paraná tem cerca de três vezes mais internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) desde março de 2020, segundo dados do InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O súbito aumento aponta para a possibilidade de subnotificação de casos de coronavírus.

“Você pode inferir que essa diferença a partir do começo de março se refere à Covid-19”, afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Clóvis Arns da Cunha.

Segundo o InfoGripe, mais de 1.800 pessoas foram internadas com síndromes respiratórias no Paraná entre 1º de março e 11 de abril. Mas foram somente 502 casos em 2019 e 383 em 2018.

Segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado, entre 15 de março e 17 de abril, o Paraná teve 229 mortes por “síndrome respiratória não especificada”. Muitas dessas mortes podem ter sido por Coronavírus.

De acordo com o boletim do coronavírus publicado pela Secretaria, 42 mortes foram confirmadas com diagnóstico de Covid-19 até o mesmo dia.

No acumulado do ano de 2020, o número de mortes por síndromes não especificadas é pelo menos três vezes maior do que nos anos anteriores, segundo os dados do boletim.

Segundo o presidente da SBI, Clóvis Arns da Cunha, os testes para identificação da Covid-19 podem ter até 40% de diagnóstico “falso negativo”, o que pode explicar a diferença entre os casos confirmados da doença e os casos não especificados.

São casos prováveis de coronavírus que dependeriam de um segundo teste para ter a comprovação”, afirmou.

LEIA TAMBÉM
‘Bolsonaro é o coveiro da nação’, diz sindicato da categoria em São Paulo

Bolsonaro passa recibo e diz que não é coveiro; assista

PGR pede diligências contra deputados bolsonaristas que participaram de manifestação golpista

Essas informações alimentam as suspeitas de que a pandemia está sendo subnotificada no mundo todo, pois os sistemas de saúde não estavam preparados para prestarem tantos diagnósticos e fazerem tantos testes.

Mas, desde segunda-feira (20) existem suspeitas de que a subnotificação pode estar sendo proposital, pelo menos em nível federal.

É que o ministério da Saúde divulgou no dia 20 um balanço com 383 óbitos em 24 horas. E minutos depois o ministério emitiu uma nota afirmando que errou na totalização dos números. Ao invés de 383 óbitos teriam sido somente 113.

Com informações do G1 e do InfoGripe