Médicos já estão tendo que decidir quem vai para a UTI e quem não vai

Muitos médicos, em diversos hospitais, já estão sendo de escolher quem vai para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e quem não vai. O que significa, muitas vezes, uma sentença de morte para quem não consegue a vaga.

São Paulo tem 15.385 casos confirmados e 1.093 mortes por Covid-19 nos dados desta terça-feira (21). E o número de mortos e infectados pode ser muito maior.

As autoridades da área da saúde reconhecem que a subnotificação é grande porque só estão sendo testadas as pessoas internadas e ainda não saíram os resultados dos testes de muitos dos que morreram com suspeita da doença.

A afirmação é do médico Jaques Sztajnbok, do Hospital Emílio Ribas, referência no tratamento de doenças infectocontagiosas em São Paulo. Ele disse a Folha e a GloboNews que o Emílio Ribas tem 30 leitos de UTI e todos ocupados. Um novo paciente só pode ser admitido quando um leito fica vago, seja por alta ou por falecimento de outra pessoa.

“Quando eu tenho zero vagas e olho [no sistema] que há seis solicitações para uma vaga, a situação já se delineia. Quando aparece uma vaga e essas mesmas 6 solicitações continuam lá, essa escolha acaba sendo indiretamente efetivada. Mesmo sem a dramaticidade de estar com os dois pacientes na minha frente, com um único aparelho”, disse o médico.

Ele disse ainda que não é possível responder “objetivamente” se estamos no pico de casos da Covid-19 ou se ainda caminhamos para esse cenário porque “não se sabe qual é o comportamento dinâmico dessa epidemia”.

“O que a gente sabe é que já estamos lotados. Então, se não estivermos no pico ainda, é bom que as autoridades corram, porque em algum lugar nós vamos ter que internar esses pacientes”.

De acordo com Sztajnbok e várias outras autoridades da área da saúde, um paciente com quadro grave da Covid-19 fica internado de duas a quatro semanas.

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Hospitais do Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife também estão operando no limite da capacidade por causa da pandemia do novo coronavírus.

No Rio, segundo estado com mais casos confirmados e mortes, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES), na manhã desta quarta-feira (22), a taxa de ocupação na rede estadual chegou a 66% em leitos de enfermaria e 78% em leitos de UTI.

Nos últimos 45 dias, o estado abriu 548 novos leitos exclusivos para tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus em todo o estado.

Segundo a TV Globo, até 30 pacientes chegam a ser levados por dia ao Hospital Zilda Arns, uma das unidades de referência no combate à Covid-19 no Estado. A unidade fica em Volta Redonda, a 120 quilômetros da capital.

As informações são da CUT.