G20 suspende a dívida de países pobres por 12 meses

Foto: Afolabi Sotunde/Reuters
Os ministros das finanças e os bancos centrais dos países do G20 deram aval nesta quarta-feira (15) para uma suspensão provisória da dívida dos países mais pobres, por uma duração de doze meses, a fim de ajudá-los a superarem a crise ligada à pandemia de coronavírus. O anúncio foi feito após uma reunião virtual organizada pela Arábia Saudita.

“Nós temos um compromisso claro, através de organizações internacionais, do FMI e do Banco Mundial. Essa suspensão da dívida é um anúncio realmente importante, o que significa que os países pobres não precisam se preocupar em cumprir seus prazos nos próximos 12 meses “, disse Mohammed al-Jadaan, ministro das Finanças saudita, acrescentando que a suspensão em efeito “imediato”.

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O G7 já havia se manifestado favorável à iniciativa, capaz de ajudar os países mais necessitados a fazerem frente ao impacto sanitário e econômico da pandemia de Covid-19, mas sob condição de que a medida fosse aprovada pelo G20, grupo formado pelas 19 maiores economias do mundo e a União Europeia.

Para o ministro das Finanças da Alemanha, a suspensão provisória da dívida dos países mais pobres constitui um “ato de solidariedade internacional histórico”. “Dessa forma, nós deixamos uma grande margem de manobra financeira aos países em questão para investirem na proteção sanitária de suas populações”, afirmou Olaf Scholz em um comunicado.

Plano de ajuda à África
Dezoito chefes de Estado europeus e africanos fizeram essa semana um apelo para um alívio das dívidas e para o lançamento de um plano de US$ 100 bilhões destinado à África.

Em entrevista exclusiva concedida à RFI na terça-feira (14), no Palácio do Eliseu, o presidente francês, Emmanuel Macron, explicou a sua estratégia para ajudar a África a enfrentar a pandemia de coronavírus. “Vemos a extrema dificuldade de enfrentar esse vírus e fornecer respostas nos países mais desenvolvidos, nos sistemas de saúde mais robustos: Estados Unidos, Europa, China. Quando olhamos para a situação da África hoje, nos planos da saúde, econômico e climático, é óbvio que lhe devemos solidariedade”, afirmou o presidente.

Macron ainda destacou que “a África enfrenta uma situação de vulnerabilidade na área da saúde: existe o HIV (vírus da Aids), a tuberculose, a malária e outras doenças”. Além disso, “estamos falando de um continente no qual dezenas de milhões de habitantes experimentam na carne o que é o choque climático”, acrescentou.

Na segunda-feira (13), o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou uma moratória sobre os pagamentos das dívidas de 25 países, a maioria situada no continente africano.

Por RFI