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Fora Bolsonaro: O PT e o dilema do Centrão


Em artigo especial para o Blog do Esmael, o militante e ex-integrante da executiva do PT-PR, Anísio G. Homem, diz que a resolução do partido surpreendeu a militância por não adotar o “Fora Bolsonaro”.

Segundo ele, “a resolução do DN-PT aceita o acordo com chamado “centrão”, toma para si um dilema que não lhe pertence e passa a atuar para acordos no Congresso Nacional, onde o governo operacional [de Braga Netto] também incide”.

“O Diretório Nacional do PT deveria se reunir imediatamente por teleconferência e rever sua posição, adotando o “Fora Bolsonaro” e uma plataforma de emergência para salvar
o povo. As investidas insanas de Bolsonaro continuam. O Congresso Nacional também não cessa de atacar os trabalhadores”, aponta Anísio.

Leia a íntegra do artigo: O Diretório Nacional do PT e o dilema do Centrão

Por Anísio G. Homem*

Os petistas ficaram boquiabertos com a decisão de uma maioria do Diretório Nacional do partido, reunido em 9 de abril, não adotar o “Fora Bolsonaro”. A resolução faz um tortuoso caminho para contornar o que parecia evidente. Diz o documento aprovado: “…a maioria da população se insurgiu contra a indiferença de Bolsonaro pela vida de milhões de pessoas e também contra as suas bravatas politiqueiras, indignas do cargo que ocupa”.

Perfeita apreciação. Então, por que não associar o PT à esta insurgência popular? A questão é que essa maioria do PT tomou para si um problema que não é do partido, de sua militância, seus eleitores e a rigor tampouco dos que foram induzidos a votar em Bolsonaro e estão revendo sua opção diante dos desvarios genocidas.

Aqueles que pavimentaram a estrada do golpe, inclusive da fraude que tornou Bolsonaro presidente, realmente têm dificuldades políticas a administrar: – Como tirar Bolsonaro assegurando um governo no interesse dos bancos, da FIESP, do agronegócio, das multinacionais do automóvel e do Petróleo, enfim, dos setores golpistas de 2016? – Como tirar Bolsonaro sem que o PT, Lula, Haddad, despontem como uma alternativa e tragam atrás de si profundas aspirações sociais?

Esse é o calcanhar de Aquiles da Rede Globo, Maia, Alcolumbre, Dória, FHC e tantos outros. Essa é a força de Bolsonaro, o medo pânico que a classe dominante tem de não possuir uma opção presidencial para fazer o recall sem turbulências.

A ideia de isolar Bolsonaro e suas atitudes abertamente criminosas em tempos de uma arrasadora pandemia, criando um “governo operacional” comandado pelo General Braga Neto, é um remendo temporário. Para funcionar, o PT e os partidos de esquerda devem desmotivar seus militantes pelo “Fora Bolsonaro”. Eles devem se enfiar de cabeça em campanhas de solidariedade contra a fome e a miséria. Paradoxalmente, é a política do governo Bolsonaro quem semeia a crescente pauperização.

A resolução do DN-PT aceita o acordo com o chamado “centrão”, toma para si um dilema que não lhe pertence e passa a atuar para acordos no Congresso Nacional, onde o “governo operacional” também incide. Diz a resolução do DN-PT: “O Partido dos Trabalhadores se soma à indignação de parcelas crescentes do povo brasileiro que sentem repulsa pelas atitudes medievais de Bolsonaro e seu clã e repudiam a omissão e inépcia de seu governo, que coloca em risco o intenso esforço feito por governadores, prefeitos, pelo Congresso Nacional”.

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Mas, quais os esforços que o Congresso Nacional, dirigido por Rodrigo Maia e David Alcolumbre, ambos do DEM, estão fazendo pelo povo brasileiro? A Câmara aprovou os
R$ 600,00 para os mais vulneráveis. Em troca liberou trilhões de reais para os bancos com o “orçamento de guerra” e acaba de aprovar a MP 905, que devasta com os direitos trabalhistas que restavam.

Eu e duas dezenas de petistas, de 5 estados, apresentamos uma Carta ao DN-PT propondo o “Fora Bolsonaro” associado a uma plataforma de emergência que realmente crie as condições para o combate de prevenção (isolamento social) e de assistência aos doentes do coronavírus, além de assegurar os empregos e os salários dos trabalhadores, garantindo comida na mesa e condições de sobrevivência aos mais pobres. Tudo começa por suspender imediatamente o pagamento dos juros da dívida pública externa e interna (quase 50% do orçamento da União) aos especuladores, única forma de garantir os recursos necessários à saúde pública para adquirir máscaras, respiradores, equipar e criar hospitais de urgência, além de outras medidas de assistência às famílias trabalhadoras.

O Diretório Nacional do PT deveria se reunir imediatamente por teleconferência e rever sua posição, adotando o “Fora Bolsonaro” e uma plataforma de emergência para salvar
o povo. As investidas insanas de Bolsonaro continuam. O Congresso Nacional também não cessa de atacar os trabalhadores.

*É escritor e ex-integrante da executiva estadual do Partido dos Trabalhadores no PR