Fora Bolsonaro: É pegar ou largar

O ativista social Milton Alves, em artigo especial, avalia que o PT nacional afrouxou ao não aprovar o Fora Bolsonaro. Segundo ele, a timidez política, desarma a militância da esquerda brasileira.

Para o articulista, Bolsonaro é incapaz e enfrentar a crise econômica e sanitária em curso. Além disso, escreve Milton, “o governo Bolsonaro é o maior aliado da disseminação do coronavírus no país”.

Quanto ao Fora Bolsonaro, argumenta, já está popularizado pelas massas desde o Carnaval.

Leia a íntegra do artigo:

Fora Bolsonaro: É pegar ou largar

Por Milton Alves*

A última reunião do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) cometeu um grave erro político ao não aprovar a palavra de ordem “Fora Bolsonaro”, o que desarma a militância organizada e os ativistas de esquerda vinculados socialmente ao petismo.

Cada dia mais, aos olhos da população, o governo Bolsonaro se mostra incapaz de enfrentar a crise econômica e sanitária em curso, agravada com a escalada do coronavírus, evidenciando a falência da política neoliberal de Paulo Guedes e das classes dominantes.

O “Fora Bolsonaro” já popularizado pelas massas no Carnaval, nos protestos de rua e nas varandas e janelas durante a quarentena, sintetiza a vontade política de colocar abaixo um governo genocida e antipovo.

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“Fora Bolsonaro” é uma palavra de ordem que abre uma via política clara da esquerda, independente, demarcando com os velhos partidos da direita tradicional que querem um “bolsonarismo sem Bolsonaro”, a partir de manobras parlamentares e de tentativas de saídas por cima, sem a participação popular. Ou até admitindo um governo de “união nacional” com Mourão e os generais.

No momento, o governo Bolsonaro é o maior aliado da disseminação do coronavírus no país. A política do governo contra o isolamento social é apenas um aspecto da demência criminosa da extrema-direita. Bolsonaro representa um grave perigo para a Saúde Pública e para milhões de brasileiros.

O governo continua agindo contra a população, mesmo com avanço dos números de infectados e das mortes. As medidas econômicas apresentadas foram pífias, a ajuda de R$ 600 reais ainda não chegou na ponta -, para os trabalhadores mais precarizados e excluídos. Enquanto isso, os banqueiros já acumulam bilhões de reais no curso da pandemia e o patronato arranca o couro dos trabalhadores, impondo a redução salarial e outras barbaridades.

As medidas básicas de proteção social e sanitária, já adotadas em outros países até por governo de direita, como a suspensão do pagamento de luz, água, gás, distribuição de máscaras, kits de testagem massiva não foram efetivadas pelo governo federal . E nem será… Portanto, é impossível esperar que Bolsonaro e os generais enfrentem a pandemia do coronavírus.

A insatisfação popular cresce e Bolsonaro radicaliza o discurso de enfrentamento. É um cenário de tensões políticas acumuladas que pode desembocar num impasse institucional. Bolsonaro aposta na polarização e no confronto, preparando o terreno, se possível, para implantar um estado policial, com um governo abertamente neofascista e tutelado pelos generais. É urgente detê-lo!

O PT precisa abrir uma via política, travando um duro combate contra as medidas insuficientes do governo da extrema-direita, e organizar a luta dos trabalhadores. Não há atalhos para a esquerda: ou lutamos de forma decidida em defesa das reivindicações do povo trabalhador e pela vida – ou seremos tragados pelo golpismo da extrema-direita e/ou da direita tradicional.

O PT deve concentrar forças a partir das demandas concretas por emprego, renda, taxação dos ricos para bancar a guerra contra o coronavírus, aportes maciços no SUS, controle dos preços da cesta básica para ampliar ainda mais o desgaste e o isolamento político do governo bolsonarista.

“Fora Bolsonaro” aponta na perspectiva de um novo rumo político em um momento de acesa polarização, apresentando uma alternativa democrática com eleições gerais, anulação dos processos fraudulentos da Lava Jato e o fim da proscrição política de Lula. Fora disso, é ficar à reboque da “frente ampla” hegemonizada pela velha direita. É pegar ou largar.

*Milton Alves é militante do PT e ativista social. Autor do livro ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada Contra Lula e o PT’