Em colapso, Manaus solicita aviões para reabastecer estoque de caixões

A cidade de Manaus, pelo sétimo dia consecutivo, registrou mais de 100 óbitos por dia e está próxima de um colapso no sistema funerário caso continue neste ritmo, com o avanço das mortes causadas pelo novo coronavírus.

Na última sexta-feira, 24, o sindicato das empresas funerárias do estado do Amazonas alertou para o fato de que o estoque de caixões só seria capaz de atender a alta demanda provocada pelo coronavírus por mais dez dias.

“Nós temos entre 500 e 600 caixões no estoque. Com mais de cem enterros diários, não vai durar mais do que cinco dias”, explicou a entidade.

Com a situação cada vez mais dramática, o setor deposita a esperança em duas possíveis soluções. A Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif) negocia com o governo federal a cessão de um ou mais aviões cargueiros para transportar 2 mil caixões de Campinas para Manaus.

“Se esta operação não for possível, temos que enviar as urnas por caminhão no máximo na terça-feira. E ainda assim não chegarão a tempo. Porque o caminhão leva 11 dias para chegar a Manaus” conta Lourival Panhozzi, presidente da Abredif.

A falta de caixões já não é o único sintoma do caos funerário na capital do Amazonas. Com a alta demanda por sepultamentos, a força de trabalho atual já dá sinais de esgotamento. E o serviço se acumula.

LEIA TAMBÉM:

Deputados do PT querem CPI para investigar Sérgio Moro

‘Vampiro Teich’ cancela compra de 15 mil respiradores da China

Pró-Moro, MBL protocola pedido de impeachment de Bolsonaro

Para tentar solucionar ou ao menos minimizar o caos, a prefeitura de Manaus adotou duas medidas. A primeira é a disponibilização de cremação gratuita. O serviço está disponível desde sábado (25). Mas, como não há esse hábito na cidade e a informação ainda não chegou ao conhecimento de todos, a adesão ainda é baixa.

No primeiro dia de serviço gratuito, apenas quatro corpos foram cremados. As famílias que aceitam são convencidas no momento em que tentam dar entrada no processo de sepultamento.

Outra medida terá início nesta segunda, quando os enterros passarão a ocorrer em camadas triplas. As trincheiras, como são chamadas as valas comuns, passarão a ser mais profundas de modo que caibam três fileiras de caixões uma sobre a outra.