Coronavírus “engoliu” shopping tradicional de Curitiba

O número de empregados que perderam seu trabalho nas 220 lojas não foi informado, até porque, na cabeça desses empreendimentos, o funcionário é apenas um detalhe. Também não há nenhuma informação sobre como eles serão indenizados pelo abrupto encerramento do contrato laboral.

Muitos empreendimentos estão aproveitando a tragédia humana do coronavírus para reestruturar seu negócio. Nós já discutimos isso, aqui no Blog do Esmael, desde o início da pandemia decretada pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

As novas modalidades de prestação de serviços, online ou delivery, são os pretextos para o encerramento de atividades que já vinham mal das pernas antes mesmo da Codid-19. Até porque a crise econômica no País é preexistente, ou seja, existiu ao longo do ano e três meses do desastrado governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e Paulo Guedes.

Antes de algum desavisado grite não “politize o coronavírus!”, ora um esclarecimento: os povos estão sendo infectados ou não em virtude de escolhas políticas de seus dirigentes, vide o caso do Estados Unidos que pagam um preço alto pela demora da ação de Donald Trump; a política social e de investimentos na saúde também influenciam na quantidade de casos de coronavírus confirmados e de mortes numa determinada nação.

Dito isto, voltemos à vaca fria, isto é, ao fato de o coronavírus engolir um shopping inteiro na capital paranaense.

O PolloShop anunciou nesta semana o fechamento de suas portas após 25 anos de funcionamento. Inaugurado em julho de 1995, o shopping de Curitiba não chegou a um consenso do valor do aluguel com os donos do terreno, localizado no bairro Alto da XV. Esta é versão oficial do empreendimento.

O shopping reconhece enfrentava dificuldades por conta do valor do aluguel, do baixo fluxo de clientes, e da crise econômica brasileira. Disseram ainda que tentaram renegociar o valor do aluguel, mas que não houve acordo.

A decisão acontece durante a pandemia do coronavírus, que já registra 373 casos confirmados e 11 mortes na capital paranaense. Conforme a administração do PolloShop, os donos do terreno quiseram um aumento do valor do aluguel.

“Com a crise estabelecida pelo surto da Covid-19, a administração do empreendimento ficou impossibilitada de arcar com o alto valor do aluguel do imóvel”, diz um trecho da nota dos administradores.

Além disso, também foi enviado um informe para todos os comerciantes. Eles devem se organizar e entregar as 220 lojas em um prazo de 30 dias.

Contudo, a direção do PolloShop diz que fechou um acordo com outros quatro shoppings de Curitiba para receber os lojistas que quiserem dar continuidade a suas operações com uma carência temporária de aluguel. O combinado foi feito com os empreendedores do Jockey Plaza, Ventura Mall, Shopping Cidade e Shopping Jardim das Américas.

O número de empregados que perderam seu trabalho nas 220 lojas não foi informado, até porque, na cabeça desses empreendimentos, o funcionário é apenas um detalhe. Também não há nenhuma informação sobre como eles serão indenizados pelo abrupto encerramento do contrato laboral.

Ninguém havia perguntado [até agora] ‘cadê os empregados’ do shopping que foi engolido pelo coronavírus? Quantos trabalhadores estão sendo esquecidos pelas autoridades nessa crise da Covid-19?

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Coronavírus engoliu o shopping de Curitiba
Os administradores do shopping ressaltaram que a decisão de fechar vem em um processo desde 2014. Segundo eles, a economia do país está em um processo de retração no consumo. Além disso, justificam que as mudanças do comportamento do consumidor diminuiu o fluxo nos shoppings centers e do varejo.

“Com isso, os pequenos lojistas e centros comerciais, voltados quase que exclusivamente para compras tendem a desaparecer”, avalia a administração.

Esse cenário gerou, segundo os donos do PolloShop, uma diminuição dos valores dos aluguéis do país. Contudo, esse não foi o caso do shopping.

“Neste meio tempo, a direção do empreendimento tentou várias vezes buscar entendimento para um acordo. Mais uma vez foi pedida a redução dos valores ou a opção para os proprietários do imóvel assumirem a operação do shopping para preservar o interesse dos lojistas, mesmo com prejuízo dos sócios do empreendimento, mas não houve acordo”, completa.

Polloshop funciona há 25 anos
Inaugurado em 1995, o PolloShop surgiu como uma grande solução para os pequenos comerciantes e confeccionistas enfrentar os grandes shoppings, que permitem a operação de grandes lojas, redes de varejo e franquias de grandes marcas.

O PolloShop foi pioneiro na árvore solidária de Natal, onde o cliente podia retirar um cartão com as informações de uma criança carente e presenteá-la. O projeto beneficiou mais 25 mil crianças e adolescentes. Além disso, também criou também o Bazar Fashion, que permitiu o público comprar peças de lançamento de estação com até 70% de desconto.

Por fim, também surgiu o Stúdio PolloShop, que além dos programas temáticos, trouxeram diversos desfiles ao vivo, com looks montados com peças das lojas do shopping. E por último, a criação de um portal especial com conteúdos sobre variedades que vão desde moda à atualidades mundiais.

O empreendimento contava, atualmente, com um mix de 220 lojas, distribuídas em moda feminina, masculina e infantil, acessórios, tecnologia, produtos para casa, presentes, papelaria, brinquedos, cafés e restaurantes.

Leia a íntegra da nota do PolloShop

“Os administradores do shopping informam que desde 2014 a economia brasileira vem sofrendo uma grande retração no consumo e aliada às mudanças do comportamento do consumidor, que nestes últimos anos promoveu a redução de fluxo nos shopping centers e no varejo em geral, fez com que houvesse um grande realinhamento (para baixo) dos valores de aluguéis no país.

O PolloShop está sobre um imóvel de terceiros que, não só não aceitaram renegociar uma redução no valor na renovação do contrato, como ainda pediram aumento do aluguel do imóvel, obrigando a administração do shopping a entrar com uma ação revisional, que se arrasta na justiça há quase 3 anos.

Neste meio tempo, a direção do empreendimento tentou várias vezes buscar entendimento para um acordo, e agora com a crise estabelecida pelo surto da COVID19 com o fechamento dos shoppings e a suspensão dos pagamentos por parte dos lojistas a administração do empreendimento ficou impossibilitada de arcar com o alto valor do aluguel do imóvel. Mais uma vez foi pedida a redução dos valores ou a opção para os proprietários do imóvel assumirem a operação do shopping para preservar o interesse dos lojistas, mesmo com prejuízo dos sócios do empreendimento, mas não houve acordo.

Como o relacionamento com os seus lojistas sempre foi pautada pelo respeito, pela ética e principalmente pelo apoio comercial, a direção do PoloShop fechou um acordo com os empreendedores dos Shoppings Jockey Plaza, Ventura Mall, Shopping Cidade e Shopping Jardim das Américas para receber os lojistas que quiserem dar continuidade a suas operações com uma carência temporária de aluguel.”