Como Bolsonaro virou aliado do coronavírus e vice-versa

De acordo com o dono da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, o presidente Jair Bolsonaro também poderá usar de agora em diante a pandemia para justificar a explosão de desemprego e da miséria, bem como atribuir aos adversários as mazelas da Covid-19.
Quando as redes sociais fazem memes chamando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de “Capitão Cloroquina” ou “Capitão Corona”, talvez sem saber, elas estão vitaminando a imagem do “Coiso” e fortalecendo-o para a reeleição de 2022.

Em entrevista ao Blog do Esmael, na noite desta quarta (22), o presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, disse que Bolsonaro não só manteve seu um terço de aprovação como aumentou um pouco sua popularidade durante a pandemia de coronavírus.

Para entender um pouco esse fenômeno, Hidalgo explicou que o presidente da República se postou como favorável ao emprego, à abertura do comércio, e jogou parte da desgraça na economia para prefeitos e governadores favoráveis à quarentena.

Além disso, complementa, Hidalgo, houve distribuição de benesses para os setores das classes D e E –os mais vulneráveis da sociedade brasileira.

De acordo com o dono da Paraná Pesquisas, Jair Bolsonaro também poderá usar de agora em diante a pandemia para justificar a explosão de desemprego e da miséria, bem como atribuir aos adversários as mazelas da Covid-19.

“Bolsonaro só vai cair se morrer muita gente infectada pelo coronavírus”, repete o presidente da Paraná Pesquisas, estabelecendo como parâmetro para “muita gente” o número de mortos na Itália: 25 mil pessoas.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem 46.348 casos confirmados de coronavírus e 2.934 mortes na manhã desta quinta-feira (23).

Em tese, pela conversa do pesquisador, Bolsonaro virou um forte aliado do coronavírus e o coronavírus virou um forte aliado de Bolsonaro. Um se agarrou ao outro e ‘vice-versa, quem nem feijão co arroz’ — como diz a letra do Legião Urbana (Eduardo e Mônica).

Assista ao vídeo:

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Com economia paralisada, França pretende acelerar o fim do confinamento

Apesar de conhecerem a data de 11 de maio como o momento previsto para o fim do confinamento obrigatório no país, imposto para frear a Covid-19, os franceses ainda não têm ideia da forma como a reabertura vai acontecer. O presidente Emmanuel Macron fala em um retorno gradual das atividades. Contudo, em entrevista nesta quinta-feira (23), o ministro da Economia francês sugere uma volta maciça de todo o comércio.

Bruno Le Maire disse que pretende reabrir lojas e demais estabelecimentos comerciais no dia 11 de maio, com exceção de bares e restaurantes. Algumas atividades econômicas já foram retomadas, como o setor da construção civil, que retornou ao trabalho nesta quinta-feira.

“Eu deixo de lado os restaurantes, os bares e os cafés”, que serão submetidos a um “regime específico”, esclareceu Le Maire, ao defender que, por “princípio de justiça”, todos os demais estabelecimentos comerciais deveriam ser tratados da mesma maneira.

“A economia francesa é um organismo anestesiado, que não assegura mais suas funções vitais”, constata o Instituto Nacional de Estudos e Estatísticas, que observa uma redução de 49% da atividade comercial, excluindo os aluguéis.

Governo Bolsonaro suspende visitas a presídios federais por mais 30 dias

O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) suspendeu por mais 30 dias as visitas de familiares e atendimentos de advogados em todos os presídios federais devido à pandemia do coronavírus. A decisão foi publicada na edição desta quinta-feira (23) do Diário Oficial da União (DOU).

A portaria, assinada pelo diretor do Depen, Marcelo Stona, também suspende as atividades educacionais, de trabalho, as assistências religiosas e as escoltas realizadas nas penitenciárias federais.

De acordo com o texto, as penitenciárias federais deverão adotar as providências necessárias para promover o máximo isolamento dos presos mais velhos que 60 anos ou com doenças crônicas durante as movimentações internas nos estabelecimentos –eles fazem parte do grupo de risco da doença.

Segundo o Depen, a medida tem caráter preventivo para controlar os riscos à saúde dos servidores, colaboradores e presos.

Em nota, PT repudia ‘falta de endosso’ do Brasil à medida da ONU de cooperação contra coronavírus

O PT divulgou uma nota nesta quinta-feira (23) na qual repudia “a falta de endosso do governo do Brasil à Resolução da Assembleia-Geral da ONU”, que foi apresentada pelo México e estabelece um acordo de cooperação internacional para garantir o acesso global a medicamentos, vacinas e equipamentos médicos para enfrentar a pandemia de coronavírus.

Apenas Brasil, Estados Unidos e outros 12 países, entre os 193 membros da ONU, não apoiaram a medida.

Para o PT, “a única saída viável para a pandemia do Covid-19 é uma saída global, que contemple as necessidades de todas as nações do planeta e não deixe nenhum país para trás”.

“Nesse sentido, as ações e diretrizes da ONU e, particularmente, da sua agência especializada em saúde, a OMS, são essenciais para todo o mundo, notadamente para os países mais pobres e carentes de recursos. Querer monopolizar os recursos imprescindíveis para o combate à pandemia, como parecem intentar fazer alguns governos, é um grande desserviço a toda a humanidade”, destaca o partido.

Na nota, o PT também repudia as declarações “inacreditáveis, estapafúrdias e vergonhosas” do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre OMS que, segundo ele, está sendo usada para implantar o regime comunista no mundo.