Capa do jornal Extra choca o mundo ao retratar mortes pelo coronavírus no Brasil

A capa do jornal Extra, do grupo Globo, chamou a atenção do mundo por expressar a mortandade de pessoas no Brasil. A edição histórica deste sábado (18) mostra vários bonequinhos pretos, perfilados, representando 2.165 pessoas mortas até ontem.

“2.165 vidas perdidas. Ontem, um mês após a confirmação da primeira morte por coronavírus no Brasil, o país passou das 2 mil vítimas. São famílias que choram, filhos que perderam seus pais, pais que perderam seus filhos, amigos que se foram…”, sangra em vermelho o texto no centro da capa.

Os dados acima foram de ontem, sexta-feira (17). Hoje, infelizmente, os números já são outros.

O Brasil tem 35.025 casos confirmados de coronavírus e 2.203, segundo o Ministério da Saúde.

Mas há severas controvérsias sobre o número de óbitos, de acordo com estudos de pesquisadores do vírus nas principais universidades brasileiras.

Estudo diz que Brasil já pode ter tido até 15,6 mil mortes por Covid-19

Um grupo de pesquisadores do “Observatório Covid-19” afirma que o número de óbitos por infecção de coronavírus pode ser até 9 vezes maior do que notificado pelas autoridades sanitárias. O número de mortos seria, na verdade, 15,6 mil em todo o Brasil.

Observatório projetou dois cenários sobre o número real de mortes no país:

  • No pessimista, país teria 9 vezes mais óbitos (15,6 mil mortes)
  • No conservador, seria o dobro (4.342 mortes)

O estudo do Observatório levou em consideração a data exata do óbito das vítimas da Covid-19.

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Covid-19: Brasil pode ter mais de 300 mil infectados não notificados, diz pesquisador
Estudo indica que país pode ser um dos que mais tem casos no mundo. Sem testes, dados oficiais estão longe da realidade. Subnotificação de casos coronavírus e mortes estaria a serviço do discurso político da “gripezinha” do presidente Jair Bolsonaro.

Os números de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil pode ser 15 vezes maior que os dados apresentados pelo Ministério da Saúde. De acordo com análise publicada pelo portal Covid-19 Brasil, com as subnotificações as informações oficiais estão longe de representar a realidade. Atualmente, mais de 300 mil brasileiros podem ter o vírus no país.

Oficialmente, o Brasil tem 26.113 casos confirmados de coronavírus e 1.590 mortes nesta quarta-feira, às 14 horas, segundo o Ministério da Saúde.

A página é uma iniciativa de pesquisadores de algumas das mais importantes universidades brasileiras. Nota assinada pelo pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Rodrigo Gaete estima que a subnotificação está acima de 90%. O estudo faz um ajuste na curva de casos considerando o registro de óbitos como o mais consolidado do país. Mas a nota ressalta que também há relatos de subnotificação de mortes pela covid-19.

“Considerando a quantidade de 1.124 óbitos no dia 11/04/2020, temos o valor ajustado estimado de população infectada, de 10 dias antes, do dia 01/04/2020 de 104.368 pessoas, comparado aos 6.836 casos notificados tínhamos um percentual de 93,45% de subnotificação. Ao projetar o número de óbitos para o dia 21/04/2020, obtemos o valor projetado estimado de população infectada do dia 11/04/2020 de 312.288.”

Entre as 15 nações que mais apresentam casos de coronavírus no mundo, o Brasil ocupa hoje a 14ª posição. Se as projeções da pesquisa estiverem certas, no entanto, o país passa a ser o segundo com mais infectados, atrás apenas dos Estados Unidos. Atualmente são testados apenas os casos com sintomas graves, os que evoluem para óbito e suspeitas entre profissionais da saúde.

A médica ressalta que o isolamento social e a quarentena impactam a economia de todas as nações, em especial as que estão abaixo da linha do desenvolvimento.

“Esta tem se mostrado uma luta desigual, em que o vírus tem esbanjado toda a sua agilidade e competência frente a máquinas estatais e sistemas de saúde cronicamente mal financiados, mal geridos e mal preparados para desafios deste calibre.”

Segundo Luana, o Brasil é um dos que tem encontrado dificuldades em implementar as medidas. Ela cita as dificuldades de se criar um consenso entre ciência e política, interpretações técnicas equivocadas e o analfabetismo científico disseminado como causas para o cenário.

A médica afirma que a ideia de um passaporte imunológico só parece uma boa em teoria. Na prática, esbarra no fato de que os testes mais usados no Brasil podem dar falso negativo em 40% dos casos assintomáticos, mas também em outras questões técnicas, além do desconhecimento sobre o próprio vírus.

“Para uma doença de transmissibilidade tão elevada esta é uma margem perigosíssima. Se o utilizássemos para o tal passaporte imunológico como prova de infecção, 4 a cada 10 indivíduos assintomáticos voltariam à sociedade prontos para disseminar uma doença de altíssima transmissibilidade. O objetivo do Ministro não seria alcançado, e enfrentaríamos uma nova onda da pandemia.”

Com informações do Brasil de Fato.