Bolsonaro agora diz que é contra fechar o STF e o Congresso: “Aqui é democracia”; assista

O presidente Bolsonaro resolveu aliviar as tensões e tentou passar a impressão de que foi mal compreendido ao participar da manifestação por intervenção militar neste domingo.

Numa longa fala aos seus apoiadores e aos jornalistas presentes na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez uma espécie de prestação de contas de seu mandato e tentou acalmar os nervos e baixar a tensão que se acumulou nos últimos dias.

Leia o que disse Bolsonaro:

“No dia de ontem, dia do Exército Brasileiro, o povo nas ruas em grande parte pedindo a volta ao trabalho. Desde que começou esse problema, há mais de um mês, eu venho falando que deveríamos tratar desses dois problemas simultaneamente. O vírus e o desemprego.

A situação econômica do Brasil está se agravando, cada ponto percentual de decrescimento, cada ponto de desemprego, as consequências são a violência, o caos, mortes, fome… Então, tudo que é feito com excesso, acaba tendo problemas.

Essas medidas restritivas, em alguns estados, vocês vão falar que eu tô criticando todos os governadores, pode continuar falando mentira a vontade… Em alguns estados foram excessivas.

Aproximadamente 70% da população vai ser infectada, não adianta querer correr disso, é uma verdade. Estão com medo da verdade. A Folha de São Paulo colocou a manchete que nós não queremos negociar, mas não colocou o que eu disse depois.

O pessoal geralmente conspira para chegar ao poder, eu já estou no poder, eu sou o presidente da República. Então, eu tô conspirando contra quem?

Falta um pouco de inteligência para aqueles que me acusam de ser ditatorial. O que eu tomei de providência contra a imprensa? Contra a liberdade de expressão?

Eu inclusive sou contra as prisões, as iniciativas que estão ocorrendo pelo Brasil. Prendendo mulher de biquini na pria no Recreio, prendendo mulher em Araçatuba…

Eu sou realmente a Constituição. E mais, eu tenho conduzido o Brasil, orientado e fiel aos interesses do povo brasileiro. Nada que eu faça que não esteja de acordo com eles.

Onde é que eu estou errando?

O meu time não trabalha de madrugada, trabalha a luz do dia. Todos as pessoas escolhidas com critérios. Alguns que desviam dos critérios, a caneta vai funcionar.

Se tiver que demitir qualquer ministro, demito. Não estou ameaçando, não tem ameaça de minha parte. Quem for se desviar daquilo que eu prometi na campanha, lamentavelmente tá no barco errado, vá pra outro barco.”

Um apoiador falou em fechar o Supremo e o Congresso, mas Bolsonaro reagiu.

“Esquece essa conversa, aqui não tem que fechar nada. Aqui é democracia! Aqui é respeito à Constituição. Supremo aberto e transparente, Congresso aberto e transparente.”

Assista a íntegra da fala que foi publicada pelo próprio Bolsonaro:

E continuou: “Nós do povo estamos no poder. Não vamos aceitar provocações baixas, provocações rasteiras por parte da imprensa que está aqui agora”. 

Então ele voltou a atacar a Folha de São Paulo e depois o Globo.

LEIA TAMBÉM
Saiba quem são os “golpistas” que querem derrubar Bolsonaro, segundo a teoria da conspiração bolsonarista

Robôs sobem o tom das provocações com #FechadosComBolsonaro

Roberto Jefferson denuncia em live suposta armação de impeachment de Bolsonaro; assista

Partidos e entidades gritam para Bolsonaro: BASTA!

Tosse seca de Bolsonaro preocupa manifestantes em Brasília; assista

A longa fala de Bolsonaro dá a impressão que ele sentiu a reação geral contra suas atitudes antidemocráticas. Ele inclusive pergunta: Onde é que eu estou errando?

Mas não se furtou a atacar governadores e se posicionar contra o isolamento social. Esses dois posicionamento são os que vem causando mais conflitos nas últimas semanas.

E no Twitter, sua tropa de robôs mantêm a beligerância.

Ou seja, é uma martelada no cravo, outra na ferradura. Bolsonaro é movido a conflitos, quer sempre estar em guerra, mas quando a ‘chapa esquenta’ de verdade, ele se acovarda e muda o discurso.