Reinaldo Azevedo prevê duelo entre impeachment x golpe

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O jornalista Reinaldo Azevedo, da Folha e da BandNews, afirmou nesta terça (10) que a desgraceira na economia aproxima o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) do impeachment e, paradoxalmente, com a possibilidade de mais um golpe de Estado (o último aconteceu em 2016).

Azevedo teve a coragem de confessar o que os demais jornalistas ainda não tiveram: o cometimento de crime de responsabilidade pelo presidente da República, por si só, não é suficiente para derrubá-lo. As condições econômicas deploráveis é que definem se o governante cai ou não.

O colunista da Folha lembrou que Dilma Rousseff (PT) não perdeu o mandato pelas pedaladas fiscais, mas pela degringolada geral na economia.

Eu acrescentaria: o mesmo ocorreu com Fernando Collor de Mello, vinte e quatro anos antes.

Dilma deixou-se encantar pelo neoliberalismo no segundo mandato, por isso ela foi para casa antes do apito final.

Michel Temer (MDB) retomou o projeto antipovo, às custas de se tornar o presidente mais odiado do mundo e pegar alguns dias de cadeia.

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Bolsonaro, agora, com a assistência de Paulo Guedes, tenta acelerar a entrega do país e aprofundar o fosso entre pobres e ricos. E o que é pior: essa quebradeira na bolsa e a alta do dólar, reservadas proporções, é comparável ao confisco na poupança da sociedade no início da década de 1990.

Para muitos brasileiros, que acreditaram no “Posto Ipiranga”, o Brasil tinha se tornado o porto seguro para as suas economias pessoais.

Muitos cidadãos de boa-fé sacaram sua rescisão, após perder o emprego com carteira assinada, aplicaram-na nessas corretoras financeiras da vida e foram trabalhar no UBER. Hoje estão desesperados com o confisco da dupla Bolsonaro-Guedes, que lhes prometeram o céu e estão entregando o inferno sem correção monetária.

Volto à coluna de Reinaldo Azevedo.

Só na segunda-feira (9), em apenas um dia, a perda na bolsa foi de R$ 431 bilhões. Essa soma é maior que os orçamentos da saúde (R$ 125,6 bilhões) e da educação (R$ 103,1 bilhões) –prioridade do governo. Nos primeiros dois meses do ano de 2020, as perdas chegam a R$ 1 trilhão.

Para conter a pirâmide financeira, o Banco Central, isto é o governo, isto é nós, estamos torrando US$ 40 bilhões (cerca de R$ 200 bilhões) e alegrando felizes especuladores de alguma parte do planeta.

Portanto, o saco da classe média –que vê começa beijar a miséria na lona– já encheu e está prestes a explodir. Nesse contexto, sim, o impeachment ganha a força. Quanto ao golpe, ora, o povo nunca participa: só leva porrada dos milicos.