O fracasso da política econômica de Bolsonaro e Paulo Guedes

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Por Milton Alves*

A economia do país definha sob o comando da dupla Bolsonaro e Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga” que desabou. Neste ano, somente nos dois primeiros meses, investidores já retiraram R$ 34, 908 bilhões do mercado acionário brasileiro. Na última quarta-feira (26), a saída alcançou R$ 3,068 bilhões, maior retirada já feita em apenas um único dia por investidores estrangeiros desde 1994.

Diante do evidente fracasso da política econômica do governo Bolsonaro cresceu a desconfiança dos chamados investidores internacionais na condução da economia pilotada por Paulo Guedes. Um dos sintomas imediatos é alta continuada dólar, que atingiu esta semana R$ 4,48.

O mecanismo para tentar segurar a alta seguida da moeda norte-americana é perverso e perigoso. Bolsonaro e Paulo Guedes já torraram cerca de US$ 37 bilhões das reservas acumuladas durante os governos de Lula e Dilma, cerca de US$ 400 bilhões.

No entanto, para além dos dados da relação real-dólar e da fuga de capitais, o país continua com uma alta taxa de desemprego. Segundo o IBGE, o desemprego encerrou o trimestre em 11,2%. Ou seja, são 26,390 milhões de pessoas desempregadas. Números que revelam um drama social e humano de profundas consequências para a vida de milhões de compatriotas.

O relatório do IBGE também mostrou que a taxa do trabalho informal continua extremamente elevada. São 38,3 milhões de brasileiros que continuam trabalhando na informalidade. No ano passado, a informalidade atingiu o maior nível desde 2016 e foi recorde em 19 estados e no Distrito Federal. Já os desalentados – trabalhadores que desistiram de procurar emprego – atingem a marca de 4,7 milhões.

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A campanha narrativa do governo Bolsonaro, e da mídia amiga neoliberal, de que o Brasil estava retomando o caminho do crescimento, de que a economia ia decolar e de que os empregos estavam voltando não passou de mais um conto do vigário. As sucessivas revisões do “pibinho” de Bolsonaro apontam para algo em torno de 2% em 2020.

A devastação da economia real do país por Bolsonaro e Paulo Guedes é o fio condutor para a uma concentração de renda sem precedentes, do aumento da pobreza, do esmagamento dos direitos sociais da população e do desmonte das políticas públicas essenciais como a de saúde (SUS), educação, emprego, seguridade e de proteção social.

O fracasso da agenda econômica bolsonarista, além de enfraquecer o bloco governista e criar dissenções no establishment, facilita a luta pela derrota global do projeto neoliberal, que sufoca os trabalhadores e trava o desenvolvimento da nação.

Portanto, acumular forças nas mobilizações do mês de março, ampliar a denúncia do desastre de Paulo Guedes e barrar a mistificação dos efeitos do coronavírus na economia são eixos políticos que devem ganhar a nossa atenção prioritária no enfrentamento ao governo de Bolsonaro.

Em tempo: Registro aqui meu apoio e solidariedade a presidenta do PT, companheira Gleisi Hoffmann que repeliu com firmeza o ataque de fascistas neste fim de semana no Rio de Janeiro.

*Milton Alves é ativista político e social. Autor do livro ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada Contra Lula e o PT’.